Adoro as sutilezas do esporte e enxergo tudo como em um espetáculo: gosto da precisão dos movimentos, do uso da técnica com maestria, da superação, da entrega. Como tudo que envolve técnica contém arte na sua execução, muitos artistas de outras áreas como a literatura, a pintura, escultura tentaram recodificar a linguagem do esporte dentro do seus respectivos âmbitos. Muitos exemplos estão por aí, mas vou me ater a parte literária por enquanto.
Nesta segunda-feira, conforme noticiado por aí, o maior gênio literário na arte de transformar o esporte em poesia partiu. Armando Nogueira. Tudo que eu descrevi aí em cima, Nogueira fazia frequentemente em suas colunas e ele foi uma das minhas referências que me ensinou a ver as coisas desta maneira. Tratava o futebol com uma delicadeza e uma classe incomum, principalmente se tomarmos como referência o panorama atual . Na década de 60, ele compôs uma mesa redonda com o Nelson Rodrigues (que nunca foi citado até nesta postagem), João Saldanha e outras feras. Imagine, uns feras da literatura enxergando o esporte e entregando para o espectador de uma forma por vezes engraçada, outra poética, mas sempre relevante.
Em referência ao mestre, vou deixar registrada algumas frases que ele nos deixou (retiradas do blog do Juca Kfouri) para dar uma noção de sua "pegada" nas crônicas que escrevia. Percebam na delicadeza que hoje nem existe mais para a crônica esportiva:
"Voce pode elogiar sem bajular e criticar sem ofender"
“No futebol, matar a bola é um ato de amor. Se a bola não quica, mau-caráter indica.”
“Tu, em campo, parecias tantos, e no entanto, que encanto! Eras um só, Nílton Santos”.
“Gol de letra é injúria; gol contra é incesto; gol de bico é estupro.”
"A tabelinha de Pelé e Tostão confirma a existência de Deus.”
“Deus castiga quem o craque fustiga”.
” Se Pelé não tivesse nascido gente teria nascido bola”.
“o bom jogador vê a jogada, o craque antevê”,
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