Mostrando postagens com marcador a day in the life. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador a day in the life. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Feriado de meio de semana em Olinda

coisas que você vê Olinda em um feriadão com eventos pontuais de música não-comercial nas igrejas do lugar:

* Filas gigantescas para pegar ingressos gratuitos 4 horas antes do show.
* Muita, muita gente, em pelo menos dois trechos onde não acontecia absolutamente nada
* Outro tanto de gente indo desse ponto, que não havia nada, para outro ponto que também não havia nada.
* No único palco aberto onde não se exigia ingresso, espaços para ver o show sentado no chão
* Democracia (ou algo parecido). Vi o show com um amigo e um mendigo do outro lado, reclamando que tinha um cara que entrou justamente na minha frente. Este cara é um vocalista de uma banda famosa

Olinda. Adoro esta cidade por não entender absolutamente nada de lá.
Já falei de Olinda aqui , aqui e aqui

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Diversão

- Hoje é pleno sábado e eu estou de plantão.
- Eita. E de que horas encerra o plantão?
- Às 19h. Mas vou chegar em casa, tomar um banho e sair com as amigas. Vida de solteira de novo agora...
- Ah é? Então fazes bem. É bom pra espairecer. Mas e aí? Vai pra balada?
- Não, vou tomar um sorvete com as amigas :D

~~~~

Pois é. Se divertindo sem ler o manual de instruções

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Psicologia de botequim

Ou, como resolver os problemas pessoais em um ato

De duas atendentes da loja de conveniência de um posto:
- E aquela cliente saiu daqui, muito estressada, reclamando
- Acho que ela tá carente, né?
- Deve tá precisando de uma 'piscicoga'
- Ah, não. O problema dela é sabe o que?
- O que?
- Cola. Vou lá dentro buscar cola de sapateiro pra ela cheirar, num instante fica boa.




sábado, 16 de julho de 2011

Câmbio

De um programa de viagens (Top 5 - fim de semana) da Discovery: Dublou o apresentador americano mas não o artesão brasileiro que estava sendo visitado em seu ateliê. Era o Artesão famoso da região:

- Wow. Quantas coisas bonitas você faz. Esta daqui, quanto custa?
- Essa é 50 Reais, em dollar eu...
- Você acha que 120 dólares paga?
- Bem (coçou a cabeça e pensou). Acho que sim..


E assim seguimos com o PIB crescendo

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Alforria

Não sou muito chegado em postagens desta natureza, mas havia comentado com algumas pessoas que ia colocar um sumário do que foram estes últimos três meses pra mim.

Pra quem não sabe, eu sou doutorando (não médico, de quem faz doutorado). Os doutorados em geral têm uma etapa chamada "exame de qualificação", em que é avaliada sua condição de continuar no doutorado ou não. Para alguns doutorados, é uma mera formalidade. Um artigo enviado, uma pré-banca da tese, onde vai ser avaliado o andamento de sua tese.

No meu caso não, o doutorado é uma prova, ou "a" prova.

São 5 grandes temas escolhidos para a prova, cada tema desse é genérico o suficiente para conter uma disciplina inteira, mas a amplitude da prova permite cair qualquer coisa que envolva o tema. Destes 5 , um é sorteado numa sexta-feira para ser realizada a prova na segunda. 80% do que você estudou não vale nada no grande dia.
Em favor do doutorando, são 5 temas relativos às disciplinas obrigatórias no doutorado. Não há nada exatamente "novo", mas há disciplinas que foram pagas há bastante tempo, outras mudaram de professor e de abordagem dão uma embaralhada nas cartas.

O fato é que o assunto é imenso e essa postagem comenta algumas coisas que aconteceram neste nestes dois meses.
Afastei-me de alguns dos meus meios, notadamente aqui do blog. Não conseguia parar para escrever. Sempre que eu parava as atividades formais, tentava dispersar meu pensamento e escrever no blog sempre foi um exercício de concentração. O cérebro cansado não cooperava muito.

Isso não significa que eu não tinha o que escrever, muito pelo contrário. As impressões estão sempre aí. O fato de ter o que escrever mas não conseguir expressar me angustiava, como se eu tivesse querendo gritar sem um pingo de voz. Aliás, todas as minhas leituras não-acadêmicas ficaram encostadas. Lendo o dia todo, o dia todo, minha leitura universal pré sono rendia umas 5 ou 6 folhas.

Essa condição me deixou na situação curiosa. Apesar de estar estudando muito, de estar pondo muita coisa na cabeça, me sentia cada vez mais burro e limitado. Os conhecimentos de faculdade desta natureza engrandecem, mas dentro de um espectro limitado do que eu já tinha visto e do viés da minha área. Não li, não viajei (quem me conhece sabe da importância disso pra mim), não ouvi músicas novas. Via meu lado subjetivo escorrendo pro limbo. Estive perdendo um pouco a capacidade de transgredir, de reflexões mais profundas, de conseguir ler uma poesia, ter espírito para as coisas leves, gostos apurados. Embrutecia. Como pessoa, isso é muito mais valioso do que saber as condições de uso da função de Durbin-Watson ou as conceituações envolvendo cadeias de Markov.

Eu ganhei um vício mental, um forte argumento pra procrastinação. Frequentemente quando surgia algum problema, vinha na minha mente. "Depois da qualificação eu vejo". Eu não conseguia parar para resolver determinadas coisas, sentia como tempo perdido. Para piorar, eu estava atrasado comparado a todos os meus amigos de curso, isso aumentava a pressão. O ar condicionado do carro quebrou, o pneu parece que está com um prego, o meu violão desmontou, meu tênis tá apertando, o celular novo veio todo desconfigurado, músicas para tocar com os amigos, a cadeira tá desregulada,voltar a fazer cooper e a jogar poker , ajeitar o perfil do facebook, o passaporte, o computador precisando formatar, umas visitas que estou devendo, o quarto uma bagunça... Tudo isso só depois da qualificação.

Aliás, meu quarto está um caso a parte, meu birô tem tanto livro que não tá tendo nem espaço pra escrever, papel pra tudo que é lado. Tá parecendo o quarto do paulo Bruscky


tá vai, meu quarto vai continuar uma bagunça depois da qualificação

A proximidade e o volume de coisas pra estudar me fizeram tomar algumas atitudes mirabolantes em prol do meu estudo. Vi a final do campeonato estudando (tá, só no segundo tempo quando o boi já havia deitado), estudei várias madrugadas de sexta e de sábado. Carreguei resumos para ler enquanto dirigia. Em maio todo e nos 12 primeiros dias de junho, contem 2 dias que eu consegui dormir 8 horas. Saia às vezes à noite e quando voltava estudava. Estudei na fila dos correios. Estudei na emergência duas vezes quando minha mãe sofreu um acidente, abria lá o livro e lia enquanto esperava a vez dela na fila. Não vou me esquecer tão cedo da mulher que tava do meu lado "Cansei de olhar pra lá, vou ficar olhando aqui as matemática do menino" seguido de um monte de pergunta que ela não queria saber a resposta, mas julgava ser fundamental para socializar comigo.

Uma das razões para eu ter que me sujeitar ao ritmo intenso é que, concomitante a estas coisas todas, a vida acadêmica não parou. Dei aulas no estágio-docência, escrevi e traduzi dois artigos, analisei 6 projetos de pesquisa e preenchi a lista de requisitos, além de fazer a arguição sobre minhas impressões. Também tinha que ir três vezes por semana ao laboratório e estudar pra uma disciplina de "tópicos avançados" que tinha 6 alunos e 7 professores na sala para analisar um artigo avançado da área. Os alunos revesavam na apresentação do artigo, cada semana um e quem não fosse apresentar tinha que ler, estudar e opinar do mesmo jeito.
Além disso tudo, um pesquisador internacional veio ao departamento e fez algumas sessões extras com alguns professores, que contaram com alguns alunos para apresentar temas para discussão pra ele. E quem foi convocado para apresentar "alguma coisa para discutir" toda em inglês para o pesquisador e depois apresentar espremendo o inglês?

Não sendo suficiente, ainda tratava de acalmar uns amigos mais nervosos. Via telefone, e-mail, msn, tentava ajudar como fosse . Às vezes, estava estudando algo completamente diferente e parava pra tentar dar uma força a outra pessoa que estivesse com problemas. Isso acabou gerando situações inusitadas. Dois dias antes de sortear um ponto, 23:45, liga um amigo pra mim com uma voz meio pesada:

- Olha, viste a fórmula tal, mas com três variáveis? ela é assim..."
e começou a dizer uma fórmula completamente maluca, que não tinha fim. Respondi
- Isso existe?
- Existe pô. O professor deu em sala de aula e eu tenho certeza que vai cair.
- Certeza?
- É pô, ele falou, vê aí se tu encontra...

Desliguei o telefone e fui procurar a tal fórmula de três variáveis na madrugada. De fato, não existia. Depois eu descobri que ele tinha tomado remédio pra dormir e já tava meio "drogado" nesta hora

Pra dificultar, descobri dois dias antes do sorteio que um dos temas tinha umas 150 páginas que eu não tinha estudado. Preferi não entrar na pilha de ter que estudar em cima da hora (estudar e revisar tem duas conotações bem diferentes nestas horas). Claro, pela lei de Murphy, este tema tinha 99% de chance de ser sorteado e assim foi.
Estudei o sábado inteiro, estudei o domingo inteiro até 1:30 da manhã.

A prova foi agora pela manhã e acho que foi razoável, hoje foi minha alforria!

Foram tempos muito movimentados, estou exausto, mais gordo, mais branco e com mais olheiras, tava num processo de ursopandização. Apesar de tudo que me custou, fico feliz e ter chegado até aqui, de ter avançado significativamente, de ter construído coisas como a a confiança da minha orientadora no caso do pesquisador estrangeiro. Pude ver como me comporto em situações como essa de grandes objetivos e muito esforço pessoal, numa época que premia a malandragem.

Mas a guerra ainda não acabou, descansar um pouco e voltar pra batalha.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Diálogo real

Há pessoas que chegam ao seu lado e te tratam como se fosse um amigo íntimo. Não sei até que ponto era verdade isso abaixo (ou se tinha o mínimo de verdade), mas foi assim que aconteceu: o diálogo esquizofrênico abaixo foram intercalados por momentos silenciosos.

Diálogo um: Abrindo o coração para um pobre sem crédito

Via uma exposição de fotografia enquanto uma senhora chegou:
- Você está gostando da exposição?
- Sim, eu gosto muito de fotografia. Estão muito boas estas.
- São realmente bonitas
- Se eu soubesse eu avisaria a uma amiga minha que gosta desta área, pena que não deu.
- Ah, chame ela então. A exposição só vai até hoje.
- Não dá tempo. Ela tem outras coisas hoje.
- Se quiser eu empresto o celular
- Mas não é questão de telefonar, senhora...

[Me olhei de parte a parte pra saber quão maltrapilho eu estava]

Diálogo 2: Perseguição
- Você não sabe como é difícil ser namorada de um deputado
- Oi?
- É. Difícil ser namorada de um deputado.
- Mas por que, exatamente?
- É muito difícil. Tem que ficar atento ao pessoal que quer atrapalhar a vida. São piores do que os paparazzi. Deixei de ir pra um show por conta disso.
- É né. Complicada esta vida pública
- Eles me perseguem. Olhe que eu nem tenho mais nada com o deputado, mas tão sempre querendo pescar alguma coisa
- Tem que ficar sempre atento né?

[Receei posar de amante dela na capa da contigo]

Diálogo 3: Conselho ao pobre
- Ele é apaixonado por mim, mas eu não quero nada com ele
- Oi?
- O deputado. Não vale a pena não. Vou te dar um conselho rapaz.
- Sim, pode dizer
- Nunca se case com uma vereadora. É só pra dar dor de cabeça
[Ela deputado, eu vereadora. Mas eu concordo, nunca namorei uma vereadora legal]

[Diálogo 4: Revelações e autoenganações]
- O deputado me pediu em casamento, mas eu não quis.
- Ué, não achava um boa?
- Ah, ele é bonito, rico, me ama. Mas quero não. Ele que volte pra aquelas duas amantes dele
- Oi?
- É, fulana e sicrana o nome das duas. Ele se quiser, que fique com elas. Felizmente eu nunca precisei de ninguém pra me sustentar.
- Então é melhor mesmo né, vai ser só dor de cabeça
- Mas eu sei que ele me ama.

[Ama, ama sim. Tenho certeza]

[Final: análise artísticas apuradas]
- Tem uma obra belíssima na outra sala, fica no lado direito entre dois quadros
- Eu chego lá já. Mas não é uma exposição de quadros esta próxima?
- É. Mas tem outra peça lá
- Tá bem, eu chego lá já.
- Eu vou aqui dar uma olhada.
Instantes depois eu vou em direção a esta sala, encontro a senhora na porta, como quem estivesse saindo.
- Eh.. eu acho que me confundi
- Foi? O que houve
- É que não era bem um quadro.

Entro na sala, olho pra direita, conforme a indicação da mulher. Na minha primeira impressão, havia algo no branco espaço entre dois quadros, com a plaquinha explicativa embaixo da obra. Não era um quadro e muito menos uma obra de arte. Era uma tremenda infiltração na parede, que vinha desde o teto e pipocara bem no lugar onde esteve um quadro, que obviamente fora retirado. Só que deixaram a plaquinha lá onde estava.

Pena que minha bateria da câmera nao cooperou. A infiltração eu iria fotografar.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Humanscapes

Sempre achei que o sentido que davam aquele clichê "definir-se é limitar-se" pobre e preguiçoso. Creio que ninguém consegue ser definido em poucas palavras, mas é possível traçar alguns princípios mais "profundos" que nos norteiam. Princípios que podem ser ampliados, reduzidos ou modificados no curso da vida. Além disso, o ilimitado não existe. Como diria Wittgenstein, os meus limites são os da minha linguagem. Reconhecer a própria limitação é um ponto importante para buscar, caso queira, coisa além dos seus próprios limites.

A questão então se torna no posicionamento dos limites, na sua amplitude. Apelando para eufemismos, vou classificar dois exemplos abaixo: os definidos e os "pouco definidos"

Vamos considerar uma perspectiva externa de alguém "definido". Uma pessoa comum, de reações frequentemente previsíveis, com qualidades e defeitos marcantes que se faz questão de manter por questão de "coerência". Uma pessoa "bonita e do bem". Uma representação nas artes plásticas poderia ser uma pintura de traços clássicos.


A beleza deste quadro é evidente e de esforço baixo para a compreensão. Você consegue ver ver com precisão os contornos do corpo. Traços bem definidos. Há alguns pequenos defeitos escondidos aí, defeitos que dependem do olhar de quem vê e da qualidade do pintor.

E os menos definidos? Alguém que você enxergue como um esboço, já que as ações não seguem necessariamente um padrão (ou ao menos parcialmente). Poderia ser algo assim


Isso é a Marilyn? Não sei, mas parece. Pode ser aquela cena clássica dela tentando segurar a saia sobre a saída de vento. A expressão facial é quase invisível. Uns traços pretos são o esboço das mãos e o que parece ser as pernas é uma composição preta e amarela. Não se sabe direito o que é cabeça, pescoço, vestido, braço e paisagem, são só impressões e comparações com uma referências que temos em mente.

Temos algumas referências para enxergar este último quadro, mas não certezas. O que fica dele não é são os contornos óbvios evidentes a nossa face, mas as impressões que ele passa dentro desta perspectiva. Esta é uma qualidade (?!) das pessoas pouco-definidas. Estes borrões de incerteza dão uma margem muito bacana para poder navegar, encontrar surpresas e outras perspectivas. Os idiotas da objetividade vão ver apenas um borrão, afinal, é melhor depreciar o que exige mais esforço.

Juro que eu prefiro esse "borrão" do quadro de baixo.

* Este quadro embaixo que motivou esta discussão está em exposição no centro cultural dos correios. Mas se não quiser ir lá ver, pode ver este e outros quadros aqui no site do pintor

sábado, 27 de novembro de 2010

Felicidade solitária - Bandeira' Rock

Não vou dizer que estar sozinho é a melhor das coisas. Mas concordo com o Quintana. É importante que nós preservemos a nossa solidão também. Sozinho você está mais aberto às impressões da rua, às pessoas, ao seu próprio universo. Já comentei sobre viajar sozinho uma vez aqui, daí nem pretendo me alongar tanto.
Mas por estes dias do novembro que passou, tive um domingo incrível a tarde. Um domingo solitário. Pude assistir exposições de fotografias, de gravuras, uma relacionadas a um poeta, um curtametragem, além de uma feira de novas ideias.
Sei que as impressões foram tão "fortes" comigo que, quando dei por conta, eu andava pela rua segurando os papéis que saí recolhendo sobre as exposições contra o peito, cabeça inclinada, olhar baixo, como que me "defendendo" de tanta coisa. Foi como uma resposta do corpo.
É uma sensação diferente, mas bacana. O fato é que as postagens que vem a seguir são relacionadas a este dia.

****
Passando pela rua em um fim de tarde eu vi um palco grande e uma tenda onde algumas pessoas estavam sentadas em cadeiras de plástico na outra ponta. Vou em direção a tenda e tenho uma surpresa. Um recital de poesias do Manuel Bandeira.
A ideia geral da coisa poderia ser bastante legal, se o infeliz que programou o recital tivesse percebido que o horário do danado bateria com a passagem de som. Poderia divagar aqui e aproveitar o clichê e dizer bonitinho que alguns trechos encaixaram perfeitamente aos versos. Entretanto, não foi o que aconteceu e acabou prejudicando mortalmente o recital.
Na saída, uma dúvida acabou perdurando: será que se fosse algo intencional, combinaria?


domingo, 12 de setembro de 2010

Uma tarde no mercado - Parte final

* A banda que tocou no mercado começou com os instrumentos todos desregulados. Depois da segunda música ajustaram alguma coisa. E começou aquela linha bem de mercado, Fagner, Fagner, Zé Ramalho, Paulo Diniz, Pink Floyd... Pink Floyd? Pois é. De repente eles mandaram um Another Brick in the wall, part 2. E, do nada, com guitarra, atabaque e chocalho. A banda mandou uma série de hits clássicos internacionais, com direito a Beatles, Stones, Dire Straits. Isso, sem deixar de lado os sucessos de boteco.

* O microfone do grupo virou quase um karaokê. Passou por lá a cozinheira do bar vizinho, o dono do bar (cantando feelings, uia), até gente que nem sabia que pra se cantar, o microfone precisava ficar diante da boca. Pior para o guitarrista, ter que acompanhar este povo. Com o crescimento do índice alcoólico global, o guitarrista tomou as rédeas. Só tocava o que ele queria.

* Estava chegando a hora do jogo de futebol e decidimos tentar ver na única TV do mercado, que chiava horrores. Além disso, um homem com o chapéu de chifre fazia com que a imagem fosse dividida em três regiões, intra e extrachifre.

* Alguém toca no meu ombro (no mercado, você não sabe o que espera quando se virar). Era um homem na mesa de trás, muito bêbado. Ofereceu cenzão pra apostarmos entre nossos times, me dando a vantagem do resultado de empate. Não aceitei. Ele baixou pra 20 e eu continuei sem aceitar. Para se ter uma ideia do estado dele. Após o começo, ele assistia ao jogo e, por vezes, se virava pra mim e perguntava.
- Como é que tá o jogo?
Ou seja, ele olhava e não via. Quis apostar 100 pilas num jogo que ele mal sabia o que tava se passando. O bêbado apostador é um risco iminente ao seu próprio bolso. Antes do final ele confidenciou que apostou duzentão com outra pessoa nas mesmas condições.
O jogo foi 1x1 e ele perdeu.

* Fim de jogo, nível etílico alto, minha mesa definitivamente se integrou com a mesa do vizinho. Dentre as teorias levantadas, havia a que o homem preferia cachorros e mulheres gatos. Após toda uma argumentação, houve um desfecho.
- É que estas coisas tão bem além da capacidade de compreensão dos homens, você tá me entendendo?
- Não! Ou eu deixo de ser homem!

Fatality.

Bem, esta foi a parte publicável da coisa!

sábado, 4 de setembro de 2010

Uma tarde no mercado - Parte um

Passei à tarde num mercado público municipal, vim aqui relatar uns tópicos da experiência:

* O mercado fica numa região comercial, no centro antigo da cidade. Não é o mais tradicional, nem o mais bonito, mas creio que seja dos mais movimentados. Tem um caráter essencialmente popular, mas também atrai outras pessoas que se atraem pelo clima, além do pessoal que vai pra posar. (Pois é. Ir a mercados públicos populares também é cult!). Apesar de o tempo estar bastante nublado, o mercado estava cheio.

* Havia dois boxes que eram vizinhos e tinham características bem peculiares que se aproximam do estereótipo masculino e feminino. No Box dos homenzinhos, bebidas das mais diversas naturezas no balcão, garçons totalmente descaracterizados, que exigiam certa atenção para se perceber quem era e para piorar, os atendentes se revezavam, provavelmente estavam fazendo bicos por ali. A cerveja, porém, multo gelada durante o dia todo, coisa de quem se preocupa com isso. O Cardápio?

- Tem bode e sarapatel.

* O bar das mulherezinhas era bem organizado, havia mesas forradas com um número indicando o lugar. O cardápio de plástico tinha mais de 10 opções que eu pude ver a distância, a maioria delas poderia ser vista em cartazes pregados ao redor do Box. Dentro, as cozinheiras todas com toucas e um aspecto interno limpo. As atendentes eram mulheres em sua maioria e todas de fácil identificação.

* O lugar estava lotadíssimo. Para que coubessem as mesas todas, foi necessário ficar todo mundo junto e apertadinho. Isso fez com que a interação entre as mesas vizinhas seja relativamente forte e por vezes engraçada.

* Numa destas, uma moça que estava por trás de mim, ao receber novas pessoas a sua mesa e acomodar todo mundo, toca no meu ombro, eu me viro e ela:

- Dá pra você sair daí?

Surpreso, perguntei como quem não entende, pela ousadia, e ela repete.

- Dá pra você sair daí?
Eu ainda mexo minha cadeira um pouco pra frente. Eu não ia deixar de sair do lugar da mesa onde eu estava com meus amigos por um pedido ousado destes. Ainda puxei um pouco a cadeira pra facilitar. Ela então percebe o movimento e se apressa para falar:

- Não! Não é para você sair daí, eu quis saber se dava para você sair daí, caso queira ir ao banheiro.

Tudo esclarecido depois do complemento, mas eu virei a piada do dia.

* No Box dos homenzinhos onde eu estava iniciou uma movimentação de uma "banda". Está assim entre aspas porque tinha um cantor, um guitarrista e só. Eles trouxeram um atabaque que era revezado entre os garçons e o dono do bar (não que eles soubessem tocar, mas enfim). Um deles, por sinal, tocava com um garfo na mão na lateral, estilo de quem toca pagode.

Bem, Como o post ficou grande, vou falar da banda e de outras coisas na segunda parte.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Mães

Hora do almoço, espiava um joguinho na televisão. Minha mãe aparece e aproveito pra fazer uma perguntinha:
- Mãe, a senhora sabe me dizer quem tá jogando?
- Deixa eu ver. Diz minha mãe concentrada.
A imagem no momento era esta:



-Hmm ... É Espanha e... hmm.. Espanha e Portugal?
Minha mãe acertou o Portugal, mas de onde ela havia tirado a Espanha?
Só digo uma coisa, minha mãe teve uma baita imaginação. Quem souber ganha um doce.

* Atualizado em 23:49 do dia 10/06

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Diálogo de menininhos

Ou, como os homens pensam:

J: Mas aquela fulana, cantora evangélica, é gatinha.

Zé: Rapaz, isso é pecado

J - Pecado o que? Ela tem xoxota, não tem?
Z - Não, não tem. Infelizmente não tem. Ela nem urina nem evacua, é tapada a moça.
J - Ah que pena

J. reflete por um instante, e devolve:

J - Tem nada não, ela canta :D
..

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Carnaval - 5 questões

As minhas postagens sobre carnaval vão meio atrasadas, mas vamo lá:

Cinco questões que que me fiz durante a festa:

1. Como avisar para uma bela mocinha dançante que o pacote de camisinha que ela tinha no bolso caiu?

2. O que será que passa na cabeça de um artista mais rodado ao tocar para um público majoritariamente neutro como o do Carnaval?

3 Quão confiável será a matéria de uma jornalista ao relatar shows que parecem ser de seu desagrado?

4 Cenário: iria tocar Cordel do Fogo Encantado. Uma banda que, apesar de usar uma percussão marcante, recheada de rítmos regionais e não ter uma guitarra, é uma banda agitada e de pegada.
Um senhor que passava por lá me perguntou, como quem esperasse uma resposta negativa.
- Isso que vai tocar aí agora é Rock?
(perceba que a pergunta não era técnica e transcende uma possível definição de Rock)


5 Um garoto de uns 6 anos é puxado com velocidade pela mãe, 'ziguezagueando' no meio da multidão. Até que em um dado momento, o moleque entrou na frente de um desatento e levou uma joelhada na ponta do queixo que o fez bambear pra trás. A mãe discute com o rapaz.

O garoto, no alto do seu metro de altura, passava por uma multidão de joelhos e pés cegos. Era um jogo de esquivas que ele perdeu com a joelhada certeira.
O que será que deve se passar na cabeça do moleque numa hora destas? será ele um futuro folião?

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Algumas imagens do carnaval



Ninguém ameaçou me roubar no Alto José do Pinho

Taxista procurado pela Polícia

Vai, essa eu scaneei do jornal. O cara foi sagaz

Alguém viu minha moeda de um real pelo chão?


A aligria e a filissidadi do carnaváu



Mão no galo

Alceu Valença e Geraldo Azevedo se não fosse a música

Alceu se dando bem

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Viajar sozinho

Alguém já se jogou assim? Eu confesso que não completamente só, mas já estive em lugares que só tinha o teto e o resto do lugar eu tinha que desbravar sozinho. Além disso, eu passei por uma experiência na minha última viagem que me deixou nesta situação, de não ter ninguém na cidade onde estou.

É uma experiência incrível de autoconhecimento. Você decide se quer ir pro norte ou pro sul, se é melhor pegar o ônibus e voltar ou ver o sol se esconder na praia. Se e melhor dar um mergulho ou um cochilo. Tudo isso, sem precisar da concordância de outra pessoa, a decisão não é 50%, é 100. Não tem espaços para indecisos.

Uma outra características de viagens solitárias é a facilidade e necessidade de interação. Por um lado, você se sente mais solto e impelido para ir até alguém e falar algo. Por outro, é bem mais fácil alguém chegar pra falar com você, estando sozinho do que em grupo. Conversando com pessoas de fora, há a possibilidade de sugar novas experiências, interpretações, ways of life, enfim, sentir o que é o cidadão fulandense. Isso pra mim é um desafio, já que eu sou envergonhado pra abordar.

Ainda haveria outras coisas pra citar, mas fica para uma outra postagem. Acho que por estes dias eu devo postar um dia que estive largado numa cidade desconhecida em uma viagem, o final foi meio surpreendente.

domingo, 27 de setembro de 2009

Comparações eclésiásticas

Zapeando os canais,vi Padre Fábio, por alguma razão esperei 5 segundos.
Ele conversava com o tecladista do programa.
O diálogo começou com a seguinte pergunta do padrão.

- Me conta aquela história que você me falou?
- Ah, eu vi num site da internet (risadas leves). Uma matéria de um cara que fez um gol contra e morreu de infarto.
O Padre abre um sorriso depois da história moribunda:
- Foi logo depois do gol?
- Não sei..
- Não foi logo depois do gol?
- Eu não lembro, eu não vi.
(mas o padre não poderia perder sua tese)
- Bem, deve ter sido logo depois do gol. Então eu pergunto a você, que está me vendo na tv, quantas vezes na vida nós morremos depois que algo ruim nos acontece?
....

Como diria o falso ditado de lingua inglesa, a ignorância é uma benção.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O que foi Woodstock?

Não vou fazer uma análise disso, houve textos diversos na imprensa que falaram sobre, tem no blog da Iza, mas eu vou comentar o que representa o que Woodstock me faz lembrar.

Senta que la vem história (contei pelo msn, com algumas adaptações)

"Uma vez eu fui num show e tava tentando encontrar uma mocinha por lá. Tava naquela dificuldade de falar ao telefone, não encontrava de jeito algum.
Então ela me passou uma mensagem"Tou do lado direito do palco com a camisa de Woodstock"
Pensei comigo que seria uma destas roupas hippies, com Woodstock grafado com letras chamativas. Pensei numa estampa de Jimmi Hendrix, Neil Young, do povo todo melado de lama se abraçando, entre tantas outras imagens e me danei a procurar pela mocinha. Fim de show, eu não não encontrei.
No outro dia eu falei com ela
"Onde diabos você tava? que blusa de woodstock é essa?"
Aí ela mostrou uma figura da estampa.

Antes de olhar, pense no que poderia ser.

O que tinha na estampa



***





Não era woodstock o festival, era Woodstock, o passarinho amigo do Snoopy. Desde então, quando eu ouço Woodstock, me vem em mente esta figurinha.

Coisas que marcam

sábado, 15 de agosto de 2009

Culpado de tudo

Leminski falou, e eu já postei aqui

De tanto não fazer nada acabo de ser culpado de tudo

Eu não sei bem se para o contexto que eu vou escrever a palavra certa é culpado, mas vejam só como você pode ser premiado como coadjuvante dos papéis cínicos, comuns e aceitos socialmente.

Eu estava vagando pela cidade com um amigo e dei uma parada por trás de um dos meus queridos bares da cidade para dar uma sacada na banda que estava tocando e que eu gosto bastante. É uma área que sempre junta uma galera, fica perto do palco e dá pra ficar numa boa por lá, exceto por um problema que havia afastando o pessoal daquela região, a chuva.

Começou a chover leve e eu fui com meu amigo pra debaixo de uma marquise do outro lado da rua. Havia bastante espaço e eu sentei em um degrau e continuei acompanhando, agora um pouco mais distante do povo.

Eis que chega uma loira em minha direção, fica entre mim e meu amigo e começa o diálogo, super simpática:
- Oi, tem um espaçozinho pra mim aqui?
- Claro, pode ficar aí na boa.
- Eu gosto muito do som daqui.
- É bacana mesmo, eu venho com frequencia por aqui.

Seguiu mais um curto diálogo até que chega um cidadão de vermelho, prestativo:

- Olha, vamo voltar pra perto ali do palco. Parou de chover.
- Parou mesmo?
- Parou sim, olha só [estirando o braço]

Seguiu mais um curto diálogo até que o moço tascou um beijo de cinema na menina e não mais largou.

Antes da análise, acrescente que eles não estavam assim antes dela ir pra marquise.

***
Vamos aos fatos, discutidos, interpretados, analisados e concordados com a minha testemunha.
A mocinha foi pra debaixo da marquise e começou a puxar papo comigo com o intuito de provocar o cidadão que estava com ela, mas não do jeito que ela queria.

O moço não foi benevolente ao chamar ela pa perto do palco porque havia parado de chover, mas foi pra "marcar territíorio" de um marmanjo que provavelmente"não perdia tempo de dar em cima da moça que ele tava". Por isso tascou um beijão na moça

O mais bacana de tudo é que o casalzinho ficou num amor só depois disso.



[foto de uma hora depois do ocorrido]

E eu.
Passei de instrumento de ciúme, ameaça alheia e cupido, sem fazer absolutamente nada.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Boo

Tenho um novo aliado para combater a minha insônia. São os audiobooks que eu encontrei na internet, que narram umas histórias do Nelsão Rodrigues (pra quem quiser baixar, aqui), o velho rabujento que eu vivo citando de referência. A voz do audiobook é de Milton Gonçalves, muito competente para esta atividade, por sinal.

Convenhamos, não é a melhor história pra se ouvir no pré sono, normalmente tem um quê de angústia, tensão e comumente um final trágico e pesado. Mas enfim, tem funcionado.

Só que ontem, eu caí pregado na arapuca que eu mesmo armei.

Na terceira história que ouvia o tinha algumas referênncias ao espiritismo, brincadeira do copo, estas coisas. Eu já tava com as idéias trocadas, ouvindo cada vez menos o que era narrado, perdendo o foco, pegando no sono.. devagar..

Até que de repente Milton Gonçalves reforça a voz e solta

O DEMÔNIOOOOOOOOOO

Eu tomei um susto sem tamanho. Em instantes, estava desperto de novo. Parecia o próprio me chamando pra dar um passeio na floresta.
Esperei o resto da história acabar e dormi. Pelo menos esta parte o susto não atrapalhou

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Lei de Murphy aplicada

Saí para fazer meu cooper diário apesar das nuvens perigosas. Depois da segunda volta o céu ficou muito escuro e preferi voltar pra casa.

Logo após passar uma ponte o céu desabou e fui me abrigar num posto. Fiquei por volta de 20 min lá quando a chuva diminuiu. Segui mais um pouco e a chuva voltou a cair forte, voltei a me proteger, agora numa apertada parada de ônibus.

Na parada de ônibus, vejo um cidadão correndo pra se abrigar. Ele seugrava a camisa com uma mão e a outra ficava por dentro. Ao se aproximar, reconheci. Era um amigo de uma amiga minha.

Ele me contou que a parada de ônibus que ele ia descer era a anterior, mas que pelo ônibus estar com os vidros embaçados e ele não se atentar. Diferentemente de mim, que não queria se molhar pelo mp3 e pelo tenis, ele tava com um documento importante e sem pasta. Não poderia molhar de modo algum. Ou seja, se eu tava na merda, ele estava ainda mais fundo.

Então ele tem a brilhante idéia:

"Acho que a chuva vai demorar a diminuir, vou tentar correr até lá".

Eu ainda tentei desanimá-lo, seria mais prudente esperar um pouco para não molhar os tais documentos, mas ele resolveu ir.
Então pensei:

"Pela lei de Murphy, assim que ele chegar em casa, todo molhado, ferrado, a chuva vai dar uma trégua. Vou esperar 10 min aqui pra ver se funciona"

Quando deu 10 minutos