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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Janis

Vou registrar aqui três citações bacanas dela:

"Quando canto é como se eu estivesse tendo uma relação sexual com toda a plateia: o problema é que quando a música acaba, eu volto sozinha para o camarim"

"O blues do negro é sempre baseado na falta de: Estou triste porque não tenho mulher, não tenho dinheiro, nao tenho isso ou aquilo. E não é o que está faltando que faz você infeliz, mas o desejo específico por alguma coisa que não pode conseguir. Não é o não ter, é o querer. O que você gotaria que fosse é o que te torna infeliz; que traz o vácuo e o vazio. Por isso eu bebo"

"O que faço, só interessa a mim, mas acho que o público gosta de ver seus ídolos sofrendo. Especialmente cantores de blues. Eu digo que não vou dar este gostinho a ninguém. Estou aqui para me divertir e vou fazer o máximo para curtir a vida ao máximo"

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Influencias artísticas

Aqueles que gostam de literatura, música, ou algum outro tipo de arte já devem ter passado por esta situação:
Após uma exposição sua à arte, sai à rua e começa a ver a vida com as formas e contornos do que foi assimilado. Pode ser Nietzsche, observando os humanos, demasiado humanos, ou a solidão de cortar o estômago de Iberê Camargo no rosto de um mendigo que tenta dormir, ou os sons omissos do dia-a-dia após assistir uma performance de John Cage, qualquer coisa assim.

Os temas não-artisticos também possuem um sentimento semelhante. Por exemplo, estudar economia pode fazer você ver conceitos microeconômicos no vendedor de espetinhos. Porém, a arte tem uma ligação mais direta e mais profunda com o sentimento, ou o "eu interior" , o que diferencia no resultado final da influência.

Bem, uma de minhas leituras atual é "A vida como ela é", do Nelson Rodrigues. Aquela mesma que virou série do fantástico há uns 10, 15 anos. Os textos dele põe o dedo em várias feridas nas relações sociais, principalmente a conjugal. São textos com a cara do cotidiano, recheado erotismo e desfechos fortes e surpreendentes. Como diria o próprio Nelson Rodrigues: - Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.

Com este espírito y otra cositas más, dei uma saída hoje e tudo me soou um pouco diferente.

* Em uma mesa, havia um casal perfeito. Ele, um rapaz muito bonito, que chama atenção das garotas. Usava roupas de grife e tinha cara de bom moço. A moça seguia uma linha semelhante, vestida de maneira elegante e discreta, postura, parecia o estereótipo da "menina-de-família". Um casal que tem tudo pra "dar certo" e constituir família.
Porém, era um casal que transparecia o tédio. Ambos permaneciam longos instantes sem pronunciar uma palavra, sem um olhar mensageiro, sem um gesto carinhoso, sem nenhuma provocação, nada. Doía assistir aquilo. Por alguns instantes, eles pareciam realmente solitários com uma companhia "perfeita" do lado. O que se passava?

* Outra mesa trazia uma garota na faixa dos seus 18 anos, linda. Branca, alta e encorpada. Tinha os cabelos negros bem escuros e usava um vestido tomara-que-caia que a valorizava. Além disso, sua mesa era central, o que trazia ainda mais os holofotes pra si.
Um rapaz da mesma faixa de idade a acompanhava. Estava todo de preto com detalhes prateados na altura do cinto e um cabelo que passa aquele rótulo de Emo. Era alto e magro, mas não era feio nem bonito.
O que se viu no lugar foi a garota dando em cima do rapaz sutilmente enquanto ele desviava o rosto, inclinava o corpo pra trás e evitava a garota. Observei que os marmanjos ao redor invejaram a situação do emo na mesma proporção que se indignavam com a falta de ação. O burbrinho era geral. A senhorinha resolveu intensificar as ações e dar em cima dele descaradamente, puxando-o pra si, aproximando o rosto a centímetros.Ele mantinha a "defesa". Pelo gestual do rapaz, ele parecia que estava com algum receio, algum medo. Pois às vezes ele até tentava se aproximar, mas recuava e balançava a cabeça negativamente. Olhava perdido pra baixo.

Talvez eu enxergasse estas cenas mesmo sem Rodrigues. Contudo, ele me transportava nestes instantes. Eu conjecturava como eles se conheceram, a intensidade dos sentimentos, o desenrolar (com doses de erotismo ou a sua falta) e qual seria o desfecho disso tudo (um desfecho Rodrigueano, claro).

A literatura hoje me ajudou a tornar uma saída comum, numa sexta comum, para um lugar comum tivesse um status de única. De histórias que eu vou pensar como poderia ter sido se passasse antes pela cabeça do anjo pornográfico.

Ps: Citar Rodrigues aqui nem é novidade, ele é figura recorrente com suas frases :D

sábado, 10 de outubro de 2009

Mentiu?

Jamais diga uma mentira que não possa provar.

Millor Fernandes

Algo como "faça ser verdade" :D

sábado, 3 de outubro de 2009

Millorando

Uma Frase:

Quem se curva aos opressores mostra a bunda aos oprimidos

Viva o Brasil
Onde o ano inteiro
É primeiro de abril

Millor Fernandes

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Quem cala

"Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem."

Nelson Rodrigues, meu velho rabujento preferido

domingo, 12 de julho de 2009

Pela metade

De passagem pelo pão de açúcar, ouvi um trecho de um diálogo partindo de uma mulher que não fazia questão de falar baixo.

"Eu já peguei de tudo. Já peguei mulher grávida, travesti, bicha louca.."

Neste momento ela parou pra respirar e eu segui meu caminho.

Mas o que diabos ela estava dizendo quando citou isso?

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Exemplificando como não se exemplificar

Da catarinense queridíssima srta Sarah

Transcrição da aula de um professor de História do direito.


"O direito natural é aquele que avistamos na própria natureza, que transpareça na própria natureza, o direito relacionado à sobrevivência, a sexualidade, formação da família. Tudo isso é direito natural, se as joaninhas transam, se os leões fêmeas são atacadas pelos leões, o ser humano tem mesmo direito de fazer isso."


Bem

1º Onde ele foi buscar este "Se as joaninhas transam" ?
2º Leões atacarem os "leões fêmeas" [sic] é relacionado à sobrevivência, à sexualidade ou à formação da família?
3º Os seres humanos tem direito a fazer o que exatamente?

domingo, 10 de maio de 2009

Amigos

O texto é "verba testamentária", de uma excelente seleção de contos de Quinzinho Machadão que classifica por temas. O tema que do que eu estou lendo é um dos meus preferidos, desrazão.

Separei um trecho bacana de verba testamentária :

"Os amigos eram os rapazes mais antipáticos da cidade, vulgares e ínfimos. Nicolau escolhera-os de propósito. Viver segregado dos principais era para ele um grande sacrifício; mas, como teria de padecer muito mais vivendo com eles, tragava a situação. (...). A verdade é que, com esses companheiros, desapareciam todas as perturbações fisiológicas do Nicolau. Ele fitava-os sem lividez, sem olhos vesgos, sem cambalear, sem nada. Além disso, não só eles lhe poupavam a natural irritabilidade, como porfiavam em tornar-lhe a vida, senão deliciosa, tranqüila; e para isso, diziam-he as maiores finezas do mundo, em atitudes cativas, ou com uma certa familiaridade inferior. Nicolau amava em geral as naturezas subalternas, como os doentes amam a droga que lhes restitui a saúde; acariciava-as paternalmente, davalhes o louvor abundante e cordial, emprestava-lhes dinheiro, distribuía-lhes mimos, abria-lhes a alma..."

Isso beira minha relação com alguns dos meus principais [Amigos? por aí, mas não vamos por este rótulo por hora]. Em geral, eles não são considerados poços de simpatia. Instantes com eles ativam minha criatividade e abria a alma. Olhando de igual pra igual, sem olhos vesgos, e considerando suas excentricidadades.
Nicolau tem uma personalidade excêntrica e numa descrição nesta direção é dá pra enxergar algumas coisas que fogem do senso comum.


Ps:
Viram? Eu também sou eclético. Leio até Machado de Assis

sábado, 4 de abril de 2009

Existencialismo

Em minhas mãos, por exemplo, há algo de novo, uma determinada maneira desegurar meu cachimbo ou meu garfo. Ou então é o garfo que tem agora uma determinada maneira de ser segurado, não sei. Ainda há pouco, quando ia entrando em meu quarto, parei de repente porque sentia me minha mão um objeto frio que retinha minha atenção através de uma espécie de personalidade. Abri a mão, olhei: estava segurando apenas o trinco da porta.

Antonie Rouquetin, em "A Náusea"

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Uns mais iguais que os outros

Estou só, em meio a essas vozes alegres e sensatas. Todos esses sujeitos passam seu tempo se explicando, reconhecendo com satisfação que têm as mesmas opiniões. Deus meu, que importância dão a pensar todos juntos as mesmas coisas?

Antonie Rouquetin

domingo, 29 de março de 2009

O gagão

"O jogador chutou a bola, ela fez uma curva e foi sai .. sai .. sai .. sai .. entrando"

André Fenômeno, meu vizinho, que percebeu que a bola não ia saindo enquanto gaguejava

segunda-feira, 23 de março de 2009

Uma que escapou

Humor não é um estado de espírito, mas uma maneira de olhar o mundo
Ludwin Wittgenstein

sábado, 21 de março de 2009

Wittgenstein

Andei lendo sobre este austríaco, que foi um dos grandes filósofos do século XX. O camarada desenvolveu uma linha da filosofia que anda na contramão e por vezes batia de frente com a metafísica. Trocando em miúdos de forma rude, ele disse algo do tipo "Todas estas discussões sobre o 'ser' e outras subjetividades são 'perda de tempo', se resumem a problemas de linguagem " sendo o grande papel da filosofia clarificar o conhecimento.



Registrando algumas citações dele



-"Os limites da minha linguagem significa os limites do mundo": De certa forma é por isso que eu gosto de estudar áreas diferentes da minha, ampliar as minhas linguagens, visões e, portanto, meu mundo.



- Se dermos à eternidade o significado não de duração temporal infinita mas de intemporalidade, então a vida eterna pertence aos que vivem no presente.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Alguma semelhança

"Não uso o humor e o sarcasmo pra ser engraçado ou divertido. A questão é de sobrevivência"
Eu

"Ainda escrevo para não ficar louco, ainda escrevo para explicar esta maldita vida "
Burkowski

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Desprendimento

Caú era um tio/padrinho diabético, andava com dificuldade, enxergava mal e já tinha uma idade avançada. Uma vez ele comentou comigo:

"Leão, não sei se você repara nos meus aniversários. Há anos todos vem pra festa que a gente organiza aqui e me cumprimentam como se fosse a última vez. Aí no outro ano, tou eu aqui de novo, e eles me abraçam do mesmo jeito? Eu não deixo por menos, digo a todos 'espero você ano que vem' "

Admiro. É um nível de desprendimento e de paixão pela vida muito grande que eu considero


Tio Caú pra mim é um anarquista que não se encontrou, ou que não quis se exibir para os demasiados humanos.

domingo, 26 de outubro de 2008

união e força

Há ainda uns vinte fregueses, celibatários, modestos, engenheiros, empregados de escritório. Como tem necessidade de um pouco de luxo, vêm aqui após a refeição, tomam café e jogam pôquer; fazem um pouco de barulho, um barulho inconsciente que não me incomoda. Também eles, para existir, precisam estar reunidos.

Antoine Roquentin

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Ha-Ha

Deus é humorista.


Otto Lara Resende

sábado, 13 de setembro de 2008

Lá estão eles

“Graúdos, risonhos, nutridos, polidos, escovados, envernizados, lá estão inchando, inchando.”
Graciliano Ramos

domingo, 3 de agosto de 2008

Eu foi

De tanto não fazer nada acabo de ser culpado de tudo
Leminski

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Entelectos

"Ainda ontem dizia o Otto Lara Resende: — "O cinema é uma maneira fácil de ser intelectual sem ler e sem pensar". Mas não só o cinema dá uma carteirinha de intelectual profundo. Também o socialismo. Sim, o socialismo é outra maneira facílima de ser intelectual sem ligar duas idéias"

Nelson Rodrigues