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sábado, 2 de junho de 2012

Prerrogativas das boas intenções

Já comentei aqui que tenho como referência primordial com as intenções que as coisas são ditas antes da mensagem em si. A partir do momento que se tem conhecimento suficiente sobre alguém para perceber o que estava por trás do que foi dito, deve-se dar as devidas ponderações.

Por mais óbvio que isso possa parecer, esta regrinha é frequentemente esquecida e o resultado disso são desavenças em questões que claramente poderiam ser resolvidas discutindo e corrigindo o ruído que há na comunicação.

Daí que surge um conceito que julgo importante, a prerrogativa das boas intenções. Por esta idéia, considera-se que, caso determinado ser tenha dito ou feito algo que não tenha caído bem e atingido direta ou indiretamente a ti, a consideração imediata é considerar que a intenção não era nociva.

Antes de discordar, vamos colocar alguns pregos pra pendurar o quadro:

1) Não é qualquer pessoa e, pasmén, não necessariamente amigos. Para gozar deste direito, é necessário que se consiga enxergar a alma transparente do beneficiário, às vezes são pessoas que você nem tem tanto contato assim.

2) Não é sinônimo de perdoar qualquer coisa, de ser excessivamente benevolente ou qualquer indicação de casos extremos. Estes devem ser avaliados à parte. É um conceito médio para pessoas específicas.

3) A consideração é apenas inicial e normalmente merece uma investigação para confirmar as impressões. Posturas mais agressivas tendem a perder o equilíbrio.

A idéia é tomar uma postura inicial mais amistosa, tentar entender o que se passa no cérebro alheio e não fazer um atraso, uma frase dita, uma atitude tomada ou outra atitude questionável, modificar uma impressão mais forte que você tenha sobre a pessoa. A abordagem factual ou de frases literais, pura e simples é pobre. A referência básica pra alguém é o seu conjunto de valores e princípios, é o que deve se tomar como referência.

Normalmente dá certo.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Verdade e Validade

Sabe quando você contra-argumenta algo e alguém rebate com um "é lógico que não". Pelo sentido popular da expressão, pode ser entendida como "é evidente" mas na prática não é.


A lógica não discorre exatamente sobre verdades, mas simplesmente que a argumentação feita é coerente com as suas regras, o que faz o argumento ser, apenas, válido. Muito em função disso, você é capaz de argumentar, logicamente, sobre algo e argumentar logicamente sobre o contrário


Aí que vem a confusão. Usando um quê de sofismas, ou falácias, ou por questão de diferenças de princípios mesmo, muitas discussões se perdem em mares sem sentido. Onde há duas situações evidentes e distintas, não há evidência. Isso é muito sentido quando se discute com "donos da razão", que constroem suas argumentações em campos diferentes da outra parte. Ninguém convence ninguém e ainda tende a achar a outra parte cabeça dura.

A lógica é só o suporte, o esqueleto, ela sozinha não explica nada. Em discussões principais, ler os princípios da argumentação são bem mais importantes do que a sentença em si


Aí embaixo segue uma falácia bem conhecida da lógica, só pra ilustrar a brincadeira
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Pense num queijo suíço
Se você compra uma certa quantidade, existirá um certo número de buracos. Se você comprar uma porção maior, mais buracos terão.
Sendo assim, quanto mais queijo, mais buracos

Zerou.
Agora vamos voltar a pensar queijo suíço
Observando um pedaço de queijo isolado. Quanto mais buracos ele tiver, menos queijo tem. Buracos grandes podem dar um desfalque sensível ao queijo.
Sendo assim, quanto mais buracos, menos queijo


Agora juntando tudo
Quanto mais queijo, mais buracos
quanto mais buracos, menos queijo
Então, pela lógica
Quanto mais queijo, menos queijo!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Soluções

Eu sou um otimista-realista. Como um bom engenheiro, já sigo pensando nas possíveis soluções e alternativas de imediato quando a situação-problema surge (ou antevendo ela).

Para questões como grandes problemas crônicos da sociedade, eu acho bastante bacana a idéia de algumas ações sociais de grande porte, de um modo que mexa com a cultura, normalmente por meio da educação (formal ou não). Exemplos como o de Bogotá e Nova Iorque para combater o crime, ou a revolução da educação japonesa nó pós-guerra, incutiram novos pensamentos, culturas e perspectivas que mexeram com a população, que passaram a agir e pensar de maneira diferente.

Isso, nós estamos falando de milhões de pessoas ao mesmo tempo.

Sem precisar ir tão longe, dá pra se observar o sucesso das ações pra obrigarem o uso do cinto de segurança no Brasil. Com a educação e a fiscalização bem feitas, o cinto deixou de ser "aquele incômodo que aperta" e hoje as pessoas se sentem inseguras quando não utilizam.

Dito isso, vamos ao exemplo da vez. Uma idéia simples, que poderia servir para influenciar pessoas.

Como convencer alguém a subir uma escada normal ao invés de aproveitar do recurso da escada rolante? Pense em alguma coisa. Agora olhem o que o pessoal do site Fun Theory pensou.



Sagaz não? e aumentou substancialmente a quantidade de gente subindo a escada. Destaque pra parte do molequinho, que só consegue subir um degráu por vez, hehehe.
Ainda foi desenvolvido outro, incentivando jogar lixo na lixeira.



Algumas considerações antes de partir, escrever muito é contra os princípios do semironia.

Isso não é um estudo científico e os resultados não podem ser extrapolados, só um experimento de artistas plásticos financiados pela Volks. De uma certa forma, eram resultados esperados por um determinado período de tempo. Também não foi postado pensando em transpor 100% igual pra o Brasil. O da lixeira mesmo, seria roubado no dia seguinte.
A idéia não é se apegar nestas coisas periféicas, mas perceber o conceito geral.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Fronterando aplieiras

Esta postagem é uma continuação da Ampliando fronteiras
Bem, vou citar o teorema mais bonito da matemática do século XX, e que me deu a pá de cal numa pretensão dígna de super-homem.

Era começo do século XX e uma gama de matemáticos, capitaneados por Bertrand Russell, tentava tapar todos os buracos da matemática. A idéia era começar do conjunto mais fundamental e construir "tudo de tudo" na matemática. Era algo tão abstrato que só na metade do segundo volume do livro dele (cada volume com mais de 1000 páginas) ele prova que 1+1 =2 [este realmente não tinha o que fazer]. Porém, sempre tinha um ou outro entrave que barrava os estudos.

Aí que veio o showman, Kurt Gödel, e na sua tese de doutorado soltou dois teoremas que dizem basicamente (e grosseiramente) o seguinte

"Para conjuntos axiomáticos amplos, ou o conjunto é inconsistente e/ou incompleto"

Para se ter uma dimensão do tamanho do coice, a lógica é um sistema que se enquadra nos termos. Ou seja, a própria lógica é inconsistente. Mas o que é esta inconsistência? Há afirmações que não se é capaz de provar a veracidade, nem a falsidade e nem mesmo saber se é possível provar ou não.
Agora imagine uma conjectura que ninguém sabe responder, se o cidadão se meter a pesquisar, existe a possibilidade de ser impossível dizer que sim ou que não. Depois deste teorema, Russell (o do começo da história) colocou as mãos na cabeça e pensou, "me fudi".

Moral da história:

É possível que haja questões que você pense, pese, procrastine, pense mais um pouco e não vai sair do lugar. Aquela pessoa te deu um pé na bunda sem mais nem menos e você já juntou tudo e não conseguiu entender por que diabos? Desista, Falta informações, conceitos, seu sistema é incompleto (ai que nerd). Agora se você está absolutamente em dúvida entre dar o pé na bunda ou não, se os motivos do chutão na retaguarda se equiparam ao desejo de carinhar a mesma. Desista de uma decisão perfeita. Além de incompleto, você é inconsistente (de novo) e casos como este, que se encontram na linha de fronteira por exemplo, podem ser impossíveis de ser resolvidos totalmente.

E ainda tem quem bata no peito pra dizer que sempre é coerente.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cultureta

"Cultureta é um termo castelhano . Eles chamam assim as pessoas que fazem tipo de intelectual, aventuram-se em todos os assuntos superficialmente e não estão interessadas em conhecer nada a fundo. Afetam modos." (do acerto de contas)

Fui tirar a prova na fonte, e de um site espanhol
"Uno de los agravios más divertidos y venenosos que circulan por ahí es la voz «cultureta», palabro que supone una burla y un menosprecio (...) El cultureta no es un impostor de la cultura, aunque tal persuasión haya ganado adeptos. Siempre han existido en nuestra lengua definiciones para quienes van de cultos sin serlo" (do site)

Seria uma adaptação da língua espanhola para estes tipos

Graças a srta Poroca, eu chamava de pseudo-cult, mas gostei desta denominação. Tenho uma postagem escrita sobre algo assim, acho que um dia eu ponho

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ampliando fronteiras

Gosto da prática, mas hoje eu queria dar um destaque à teoria.


Pensamentos, teorias, idéias, são capazes de ampliar o horizonte que se alcança. Ultimamente eu tenho zanzado por esta área nas minhas leituras, em detrimento aos romances por exemplo, acho que pela necessidade de querer enxergar ainda mais longe.

Recentemente (há coisa de um mês, que é quando esta postagem foi escrita) li sobre duas coisas que me fizeram derrubar pilares que eu tinha em mente e me criaram novas perspectivas, são matemáticas (este blog tem andado mais matemático ultimamente por sinal), mas acho que compreensíveis e, principalmente, extrapoláveis para o senso comum.

A primeira:

Sabe a Geometria Espacial? É o que há de mais fundamental na geometria, onde define ponto, reta e plano. Esta parada criada por Euclides não tinha o que fazer na Grécia e desenvolveu tooooda a geometria em 5 axiomas básicos. Todos bem aceitáveis.



- Por dois pontos passa uma única reta (Sérioo?)
- Pode-se traçar um círculo com qualquer centro e com qualquer raio. (Não diga...)
- Retas paralelas tem distância constante uma da outra (é mesmo?)

Agora que começa a brincadeira. Alguns matemáticos importantes duvidaram desta última "óbviedade" e foram atrás e chegaram um resultado emblemático.
Descobriram que eram capazes de propor outras geometrias, onde retas poderiam ser arcos, por exemplo (entre um monte de outras figuras exóticas) e que mexia com toda a estrutura da coisa. Era uma visão totalmente diferente desta que a gente é capaz de enxergar. Porém, figuronas como Gauss (o principe da matemática, salve salve) fizeram uma pergunta que deve ser o que você está pensando "E daí? Conjecturar sobre algo que não existe?"

Eistein (o da foto da língua de fora) matou a charada. Ele foi capaz de provar que o nosso universo é curvo e não deste jeito que nossos olhos nos mostram e que Euclídes contava. Toda esta noção que nós temos em mente serve para dimensões pequenas (alguns milhares de quilômetros). Depois disso, a curvatura começa a pesar.

Moral da história:

Observem como um postulado que foi questionado mudou todo curso da história. Sempre que nós emitimos nossa opinião, fazemos baseando em um conjunto de princípios que estão conosco para que o que der e vier.

Seus princípios estão em dia com você?

Enquanto isso, sigo fantasiando no mundo curvo

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Princípio da não-doutrinação

Os anarquistas acreditam no desenvolvimento heterodoxo do pensamento e do ideário libertário como um todo, não idolatrando nem privilegiando qualquer escritor ou teórico desta vertente de estudos. George Woodcock descreve com aptidão esse posicionamento libertário:

“Toda a posição do anarquismo é completamente diferente de qualquer outro movimento socialista autoritário. Ela tolera variações e rejeita a idéia de gurus políticos ou religiosos. Não existe um profeta fundador a quem todos devam seguir. Os anarquistas respeitam seus mestres, mas não os reverenciam, e o que distingue qualquer boa compilação que pretenda representar o pensamento anarquista é a liberdade doutrinária com que os autores desenvolveram idéias próprias de forma original e desinibida.”

Anarquismo não é doutrina, não é religião, portanto não reverencia nenhuma espécie de livros ou obras culturais, nem linhas metodológicas rígidas, o que o definiria infantilmente enquanto ciência constituída. As obras concernentes ao anarquismo são, no máximo, fontes de experiências delimitadas histórica e conjunturalmente, passíveis de infinitas adaptações e interpretações pessoais.

Em síntese, o anarquismo é convencionado entre os libertários como sendo a emergência de um sentimento puro, sob o qual cada adepto deve desenvolver dentro de si mesmo o seu próprio instrumental intelectual para legitimá-lo e, mais do que isso, potencializá-lo abstracional e concretamente

Fonte: wikipédia, verbete sobre anarquia. Uma de minhas origens
Eu sempre citei isso, mas não sabia que tinha nome