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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Alforria

Não sou muito chegado em postagens desta natureza, mas havia comentado com algumas pessoas que ia colocar um sumário do que foram estes últimos três meses pra mim.

Pra quem não sabe, eu sou doutorando (não médico, de quem faz doutorado). Os doutorados em geral têm uma etapa chamada "exame de qualificação", em que é avaliada sua condição de continuar no doutorado ou não. Para alguns doutorados, é uma mera formalidade. Um artigo enviado, uma pré-banca da tese, onde vai ser avaliado o andamento de sua tese.

No meu caso não, o doutorado é uma prova, ou "a" prova.

São 5 grandes temas escolhidos para a prova, cada tema desse é genérico o suficiente para conter uma disciplina inteira, mas a amplitude da prova permite cair qualquer coisa que envolva o tema. Destes 5 , um é sorteado numa sexta-feira para ser realizada a prova na segunda. 80% do que você estudou não vale nada no grande dia.
Em favor do doutorando, são 5 temas relativos às disciplinas obrigatórias no doutorado. Não há nada exatamente "novo", mas há disciplinas que foram pagas há bastante tempo, outras mudaram de professor e de abordagem dão uma embaralhada nas cartas.

O fato é que o assunto é imenso e essa postagem comenta algumas coisas que aconteceram neste nestes dois meses.
Afastei-me de alguns dos meus meios, notadamente aqui do blog. Não conseguia parar para escrever. Sempre que eu parava as atividades formais, tentava dispersar meu pensamento e escrever no blog sempre foi um exercício de concentração. O cérebro cansado não cooperava muito.

Isso não significa que eu não tinha o que escrever, muito pelo contrário. As impressões estão sempre aí. O fato de ter o que escrever mas não conseguir expressar me angustiava, como se eu tivesse querendo gritar sem um pingo de voz. Aliás, todas as minhas leituras não-acadêmicas ficaram encostadas. Lendo o dia todo, o dia todo, minha leitura universal pré sono rendia umas 5 ou 6 folhas.

Essa condição me deixou na situação curiosa. Apesar de estar estudando muito, de estar pondo muita coisa na cabeça, me sentia cada vez mais burro e limitado. Os conhecimentos de faculdade desta natureza engrandecem, mas dentro de um espectro limitado do que eu já tinha visto e do viés da minha área. Não li, não viajei (quem me conhece sabe da importância disso pra mim), não ouvi músicas novas. Via meu lado subjetivo escorrendo pro limbo. Estive perdendo um pouco a capacidade de transgredir, de reflexões mais profundas, de conseguir ler uma poesia, ter espírito para as coisas leves, gostos apurados. Embrutecia. Como pessoa, isso é muito mais valioso do que saber as condições de uso da função de Durbin-Watson ou as conceituações envolvendo cadeias de Markov.

Eu ganhei um vício mental, um forte argumento pra procrastinação. Frequentemente quando surgia algum problema, vinha na minha mente. "Depois da qualificação eu vejo". Eu não conseguia parar para resolver determinadas coisas, sentia como tempo perdido. Para piorar, eu estava atrasado comparado a todos os meus amigos de curso, isso aumentava a pressão. O ar condicionado do carro quebrou, o pneu parece que está com um prego, o meu violão desmontou, meu tênis tá apertando, o celular novo veio todo desconfigurado, músicas para tocar com os amigos, a cadeira tá desregulada,voltar a fazer cooper e a jogar poker , ajeitar o perfil do facebook, o passaporte, o computador precisando formatar, umas visitas que estou devendo, o quarto uma bagunça... Tudo isso só depois da qualificação.

Aliás, meu quarto está um caso a parte, meu birô tem tanto livro que não tá tendo nem espaço pra escrever, papel pra tudo que é lado. Tá parecendo o quarto do paulo Bruscky


tá vai, meu quarto vai continuar uma bagunça depois da qualificação

A proximidade e o volume de coisas pra estudar me fizeram tomar algumas atitudes mirabolantes em prol do meu estudo. Vi a final do campeonato estudando (tá, só no segundo tempo quando o boi já havia deitado), estudei várias madrugadas de sexta e de sábado. Carreguei resumos para ler enquanto dirigia. Em maio todo e nos 12 primeiros dias de junho, contem 2 dias que eu consegui dormir 8 horas. Saia às vezes à noite e quando voltava estudava. Estudei na fila dos correios. Estudei na emergência duas vezes quando minha mãe sofreu um acidente, abria lá o livro e lia enquanto esperava a vez dela na fila. Não vou me esquecer tão cedo da mulher que tava do meu lado "Cansei de olhar pra lá, vou ficar olhando aqui as matemática do menino" seguido de um monte de pergunta que ela não queria saber a resposta, mas julgava ser fundamental para socializar comigo.

Uma das razões para eu ter que me sujeitar ao ritmo intenso é que, concomitante a estas coisas todas, a vida acadêmica não parou. Dei aulas no estágio-docência, escrevi e traduzi dois artigos, analisei 6 projetos de pesquisa e preenchi a lista de requisitos, além de fazer a arguição sobre minhas impressões. Também tinha que ir três vezes por semana ao laboratório e estudar pra uma disciplina de "tópicos avançados" que tinha 6 alunos e 7 professores na sala para analisar um artigo avançado da área. Os alunos revesavam na apresentação do artigo, cada semana um e quem não fosse apresentar tinha que ler, estudar e opinar do mesmo jeito.
Além disso tudo, um pesquisador internacional veio ao departamento e fez algumas sessões extras com alguns professores, que contaram com alguns alunos para apresentar temas para discussão pra ele. E quem foi convocado para apresentar "alguma coisa para discutir" toda em inglês para o pesquisador e depois apresentar espremendo o inglês?

Não sendo suficiente, ainda tratava de acalmar uns amigos mais nervosos. Via telefone, e-mail, msn, tentava ajudar como fosse . Às vezes, estava estudando algo completamente diferente e parava pra tentar dar uma força a outra pessoa que estivesse com problemas. Isso acabou gerando situações inusitadas. Dois dias antes de sortear um ponto, 23:45, liga um amigo pra mim com uma voz meio pesada:

- Olha, viste a fórmula tal, mas com três variáveis? ela é assim..."
e começou a dizer uma fórmula completamente maluca, que não tinha fim. Respondi
- Isso existe?
- Existe pô. O professor deu em sala de aula e eu tenho certeza que vai cair.
- Certeza?
- É pô, ele falou, vê aí se tu encontra...

Desliguei o telefone e fui procurar a tal fórmula de três variáveis na madrugada. De fato, não existia. Depois eu descobri que ele tinha tomado remédio pra dormir e já tava meio "drogado" nesta hora

Pra dificultar, descobri dois dias antes do sorteio que um dos temas tinha umas 150 páginas que eu não tinha estudado. Preferi não entrar na pilha de ter que estudar em cima da hora (estudar e revisar tem duas conotações bem diferentes nestas horas). Claro, pela lei de Murphy, este tema tinha 99% de chance de ser sorteado e assim foi.
Estudei o sábado inteiro, estudei o domingo inteiro até 1:30 da manhã.

A prova foi agora pela manhã e acho que foi razoável, hoje foi minha alforria!

Foram tempos muito movimentados, estou exausto, mais gordo, mais branco e com mais olheiras, tava num processo de ursopandização. Apesar de tudo que me custou, fico feliz e ter chegado até aqui, de ter avançado significativamente, de ter construído coisas como a a confiança da minha orientadora no caso do pesquisador estrangeiro. Pude ver como me comporto em situações como essa de grandes objetivos e muito esforço pessoal, numa época que premia a malandragem.

Mas a guerra ainda não acabou, descansar um pouco e voltar pra batalha.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Princípios de quem não tem princípios

Uma conversa com o mecânico, enquanto ele trabalhava.

Inicia com o mecânico apontando com o queixo para uma loira que passava do outro lado:
- Olha só.
- Hã?
- Aquela loira ali.
- Ah, sim sim. Tinha visto ela na outra sala.
- Gostosa né. Essa calça jeans
- Pois é, ela tá bem. Deve ouvir um monte na rua do povo soltando gracinha.
- Pois isso é uma coisa que eu não faço!

Me surpreendo como ele foi enfático, prossigo.

- Soltar gracinha pra mulher?
- Sim. Aí vem o marido atrás, puxa o braço e "dá-le". Ele vai ter razão. Aqui mesmo teve um caso destes. O marido meteu a mão na cara do rapaz e quando ele foi revidar, puxou a arma.
- Eita. Assim é fácil ser corajoso.
- Olhe rapaz, vou te dizer uma coisa. Se a mulher do meu irmão quiser me dar, eu como. Se mihna irmã quiser me dar. Eu como. Quando eu era mais jovem mesmo eu comi a mulher do pastor, ela tava querendo. Se elas querem dar, eu como. Mas não falo de ninguém na rua! Não falo não, de jeito nenhum.
[ahh tá, claro..]
- Mas isso não pode dar confusão não?
- Poder pode. Mas se elas quiserem dar, eu como. Outra coisa. Eu não falo nada, mas olho! Olho mesmo, se passar aqui na frente eu "fico com as butuca de oio assim ó".
- Mas isso não vai ofender com quem fala não?
- Ofender o que? Que nada. Se veste daquele jeito porque quer. Olho mesmo. E se vier reclamar eu não tenho medo não. Pode ser aqueles 'grandão' de desenho animado. Eu não tenho medo de nada neste mundo, só de uma coisa. Do castigo divino.


Então vamo resumir:
Comentários cretinos na rua para mulher é uma invasão mas olhar descaradamente é um direito garantido seu.
Pegar a cunhada e a própria irmã é lícito, ainda que proibido pela igreja, só que a única coisa que se tem a temer é o castigo divino.
Tá ferrado o homem




sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Chaves

Lanchonete Subway, 23h50min de uma Sexta-feira. Procurava o sanduíche do dia no cartaz.

- Ah, presunto não. O cara sair de casa pra vir aqui na subway comer sanduíche de presunto? É o sanduíche do Chaves! E ainda tem gente que compra, e ... ( outras e outras pragas..)

Então um homem na minha frente, se vira e olha fuzilando. Baixo o tom das críticas, mas mantenho o "eu não comeria"

Chega a vez do homem e ele pede "um de presunto, do grande e o atendente ouve as instruções, monta o sanduíche, faz tudo direitinho.

Chega a hora de pagar e eu ouço o diálogo
- Senhor, custa X.
- Acho que há um engano, este sanduíche é o da promoção, custa Y
- Não senhor. Passamos de meia-noite, o sanduíche agora é o de peito de peru.

Tenho certeza que este homem qd encostou a cabeça no travesseiro ouviu um eco
"Sanduíche do Chaves ... Sanduíche do Chaves ... Sanduíche do Chaves"

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Alma feliz

Minha mãe foi ao cemitério na véspera do dia de finados para evitar o fluxo excessivo do dia.
Ao passar um trecho do cemitério, reconheceu o túmulo do ex-síndico do prédio, sr Fulano de Tal.
Bom coração, ela parou pra fazer umas orações a alma do Sr Fulano. Separou uma vela para acender para ele

Ela segue adiante e 5 minutos depois olha um outro túmulo
"Fulano Sicrano de tal"
O túmulo real do ex-síndico lá do prédio. Ela se esquecera do segundo nome, as datas eram mais coerentes.

Minha mãe rezou pela alma errada

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Comemorações

Os militantes vermelhinhos se reuniram pra comemorar a vitória. Comemoram com o mesmo entusiasmo inicial nas duzentas vezes que se anunciou "Dilma ganhoooooooooou". É como um torcedor de futebol comemorasse o replay de um gol. A catarse fazia com que qualquer estímulo seja razão de gritar, de chorar, de soltar todos os palavrões que conhece, de amar, de morder e etc.

Estive num fim de noite que agregou militantes vermelhinhos. Especificamente onde eu fui, havia casais. Todos bastantes amorosos, mas eu queria destacar um, maior exemplo do raciocínio: Energia + álcool + provocações -> Energia sexual latente.

Se olhavam sem nenhum sinal de amor evidente. Se houvesse, estava encoberto pelo clima de tesão recíproco. Os beijos linguarudos, os amassos, diantes de todos do lugar, sem evidências de constrangimento.
De repente, a mão da moça escorrega até o short do moço, numa indução provocadora. Sai rapidamente, mas o suficiente para tirar o moço do sério. Ele então põe a mão na altura do joelho dela e desliza rapidamente em direção ao short.

Nesse momento eu queria invocar Nelson Rodrigues (de novo?) que disse algo do tipo "na minha juventude, eu não sabia dar nem bom dia a uma mulher". O cara saiu de uma provocada ousada, mas até certo ponto sutil (só alguns conseguiriam enxergar a bolinada) para uma mais evidente e agressiva. Ele foi pra meter a mão na genitália da menina mesmo. Ela fechou as pernas, pôs a mão pra "proteger" e se contraiu toda. Porém, a risada do seu rosto denotava que ela não estava achando isso a maior das ofensas.
O moço, tomado pela irracionalidade típica de um provocado e com a mão nada boba, insistiu. A menina resistiu, mas deslizou até a borda da cadeira.
Ele insistiu, ela resistiu
Ele insistiu, ela resistiu
Ele insistiu, ela caiu da cadeira, esparramada no chão
Mas não caiu como numa escorregada sutil. Caiu com uma jaca mole desaba sob um chão duro. Um ploft que ressoou por todo o lugar. A cadeira de madeira que ela sentara caiu junto, não menos escandalosa. O moço quase chegou a ir junto, mas se equilibrou com as pernas e evitou o tombo.
Vendo o ridículo da situação que ele provocara e querendo acalmar o lugar, ele soltou:
- Eu acho que esta cadeira é quebrada.
Enquanto a moça, olhando pra plateia que acompanhava o show, assumiu:
- Não, não foi a cadeira
E completou, com um olhar e sorriso faceiros e uma sinceridade etílica:
- O problema foi ooooutro.
Os carinhos esfriaram, mas nem tanto. Cerca de 10 minutos depois eles saíram juntos no carro.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Referências que vão

Eu adoro esporte. Já pratiquei os mais diversos nesta vida e sou "menos feliz" hoje por estar praticando apenas a minha corrida, pôquer e o vôlei de praia nos fins de semana. Porém, o que mais me chama atenção nesta atividade não é exatamente as evidências ou a factualidade que os cretinos fundamentais costumam exaltar, a vitória do meu time, as fofocas sobre determinado atleta, a pujança momentânea, algum tipo de sentimento de superioridade desmedida. Na minha ótica, a vitória não é o objetivo pelo qual eu acompanho, mas a mola propulsora que motiva os rivais a fazerem o melhor de si. As batalhas mais épicas que eu pude assistir podem ser consideradas como um filme cujo final ainda não foi escrito no momento e que nem sempre o mocinho comemora.

Adoro as sutilezas do esporte e enxergo tudo como em um espetáculo: gosto da precisão dos movimentos, do uso da técnica com maestria, da superação, da entrega. Como tudo que envolve técnica contém arte na sua execução, muitos artistas de outras áreas como a literatura, a pintura, escultura tentaram recodificar a linguagem do esporte dentro do seus respectivos âmbitos. Muitos exemplos estão por aí, mas vou me ater a parte literária por enquanto.

Nesta segunda-feira, conforme noticiado por aí, o maior gênio literário na arte de transformar o esporte em poesia partiu. Armando Nogueira. Tudo que eu descrevi aí em cima, Nogueira fazia frequentemente em suas colunas e ele foi uma das minhas referências que me ensinou a ver as coisas desta maneira. Tratava o futebol com uma delicadeza e uma classe incomum, principalmente se tomarmos como referência o panorama atual . Na década de 60, ele compôs uma mesa redonda com o Nelson Rodrigues (que nunca foi citado até nesta postagem), João Saldanha e outras feras. Imagine, uns feras da literatura enxergando o esporte e entregando para o espectador de uma forma por vezes engraçada, outra poética, mas sempre relevante.

Em referência ao mestre, vou deixar registrada algumas frases que ele nos deixou (retiradas do blog do Juca Kfouri) para dar uma noção de sua "pegada" nas crônicas que escrevia. Percebam na delicadeza que hoje nem existe mais para a crônica esportiva:

"Voce pode elogiar sem bajular e criticar sem ofender"

“No futebol, matar a bola é um ato de amor. Se a bola não quica, mau-caráter indica.”

“Tu, em campo, parecias tantos, e no entanto, que encanto! Eras um só, Nílton Santos”.

“Gol de letra é injúria; gol contra é incesto; gol de bico é estupro.”

"A tabelinha de Pelé e Tostão confirma a existência de Deus.”

“Deus castiga quem o craque fustiga”.

” Se Pelé não tivesse nascido gente teria nascido bola”.

“o bom jogador vê a jogada, o craque antevê”,


quarta-feira, 24 de março de 2010

Dribles numéricos

W: É um jogador indispensável. É o grande artilheiro do ano da sua equipe e sondado para jogar pela seleção na copa do mundo. Esta temporada tem a oportunidade de bater um recorde do clube

R: É um jogador cujos números pesam contra si. Ele esteve de fora em 9 partidas da sua equipe este ano e, sem ele, o time obteve 9 vitórias. Algumas, por sinal, com atuação destacada do seu substituto. É o caso do treinador pensar duas vezes sobre sua permanência.

Os dois casos acima servem apenas como um exemplo de uma brincadeira argumentativa. W e R são a mesma pessoa, o atacante inglês Wayne Rooney. Dependendo do ponto de vista que se os dados são apresentados, você pode mudar a perspectiva de uma questão. Por estas e outras que a imparcialidade não existe.

No futuro eu pretendo registrar aqui uns trechos de um livro que trata de algo assim.




sábado, 13 de março de 2010

E nem é programa humorístico

Queria registrar esta matéria que li no Terra

Vocês se lembram do Gilmar Mendes, não é? O chefe do supremo que se tornou conhecido ao conceder um habeas corpus ao lobista Daniel Dantas e encaminhar o juiz ao CNJ. Ele foi substituído na chefia do grupo por Cezar Peluso, que tem uma tendência mais moderada.

Este cidadão, em entrevista recente, defendeu a diminuição das férias dos magistrados, de dois períodos de 30 dias para um só, como é regulamentado na maioria dos empregos.
Tudo muito legal, se não fosse mexer no vespeiro que é o mundo corporativista dos juízes. A Associação dos Magistrados já enviou uma nota oficial à imprensa para se posicionar contra este absurdo que são apenas 30 dias de férias. Se quiserem ver a nota oficial, tá no link do Terra lá em cima. Aqui eu vou colar alguns dos argumentos


O regime de férias da magistratura nacional, fixado pela Lei Complementar (...) não reconhece qualquer duração de jornada para os juízes, os quais, habitualmente, extrapolam, e muito, a jornada legal fixada na Constituição Federal (...). Some-se a isso o fato de os magistrados não poderem exercer nenhuma outra atividade remunerada, a não ser o magistério. (...) Além disso (...), não raro os Juízes se utilizam de parte substancial de suas férias para manter atualizadas as suas atividades jurisdicionais,

Observe que no começo do argumento o regime de trabalho não reconhece duração na lei, mas no fim, para justificar as horas extras ele invocam a jornada fixada. Coisa do tipo "a lei só serve de argumento quando é ao meu favor". Além disso, não é exclusividade do juiz as horas extras, nem a necessidade de atualização e muito menos a impossibilidade de outra atividade, ainda que esta dificuldade seja temporal.

Tá, é natural que uma entidade de classe defenda os interesses de seus integrantes e que argumentar contra este "excesso de férias" é meio que defender o indefensável. Esta manobra nada mais é do que uma ação no intuito de endurecer discussões futuras e tentar, no mínimo, roubar alguma lasquinha e manter algum tipo de privilégio.

Ah, negociações, debates. Acho que escrevo sobre isso mais adiante

Ps: Eu escrevi isso na quinta e vi na sexta de manhã que havia uma postagem relacionada no acerto de contas. Com as opiniões de mais um monte de gente

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Carnaval - 5 pequenas histórias

1. Cuidado se resolver ler na quarta de cinzas, à tarde. Me aventurei a fazer isso aqui em casa e o resultado não foi dos melhores:
- Então saíram em comitiva o imperador e a IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE, DEEEZ
- Putz... Então saíram e comOICIDADE INDEPENDENTE NOVE PONTO NOVE.

Não dá. O moço não diz as notas, não informa, não fala, ele berra exasperadamente. Negociei com minha mãe troquei de cômodo, para evitar os gritos.
- Então saíram em comitiva o imperador e a ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA, NOVE E MEIO
Agora acompanhado de um: PORRAAAAAAAA! QUE INJUSTIÇA! O OUTRO FOI BEM PIOR.

Quem mora em apartamento sabe bem o que o vizinho está fazendo. Pior do que a minha mãe, o pessoal que assistia no apartamento próximo assistia em grupo e exercia a conhecida característica humana de dar pitacos abalizados sobre o que não sabiam.

Desisti. Vim para o quarto, liguei o fone de ouvido e me desliguei

2 Estava ao lado de um desconhecido com a camisa do time de futebol São Paulo. Chega um terceiro desconhecido, de mãos dadas com uma parceira, abrindo o diálogo:

- É isso ae são-paulino. Somos hexa. Hexa únicos
- É isso aê :D
- Vamos ser campeões de novo
- Vamo, vamo sim.

O terceiro e a sua acompanhante então seguem adiante, ao perceber da distância, o moço são-paulino comenta comigo.

- Hexa? Campeão o cacete. Tava de olho era na mulher dele.


3 Diálogo entre taxista e usuários, que começam a entrar no carro
- Um, dois. Ei não vou levar vocês. São 5, não cabem no taxi e ainda estão com os pés sujos (!)
- Mas como assim? é só até aliItálico
- Eu não vou levar e pronto, podem sair do meu carro.
- Nossa, que ignorânia! Vamos sair mesmo, que mal educado
- Você sabe com quem você está falando?

Com todo respeito a classe mas, taxista elevando o tom? A resposta esperada deveria ser "sim, um taxista"

4 Show de Rock no carnaval. Já perto das últimas músicas o vocalista começa a mandar as músicas mais conhecidas da banda. Eis que de repente surge um trio elétrico de um bloco de caranval, o papa-defunto (que parte de um cemitério das redondezas), passando ao lado de onde estava o show de Rock. Como são dois emissores pontuais, quem estava perto muito perto de um não ouvia o que estava tocando no outro. Isso gerava cenas curiosas, como headbangers com a farda preta chacoalhando a cabeça e fazendo roda de pogo com trio elétrico tocando frevo ao fundo.


5
- Como é que é este teu apetrecho de carnaval?
- É uma vara de pescar mulher. Tem 4 iscas para pescar: uma chave de carro, um cartão de crédito, 20 reais em dinheiro e a papelada do casamento.


Mais aqui

sábado, 30 de janeiro de 2010

Pergunta sem resposta

Quem se atreve?


A é a repostas dos Lulistas
B da exterma esquerda
C a resposta da direita
D a da esquerda clássica
E é do pessoal do centro

apartidários como eu votam em branco nesta questão

sábado, 16 de janeiro de 2010

Vocês conseguem?

Olhem para os trechos descritos abaixo e tentem captar em que circunstâncias vocês acham que poderiam captar tais impressões. O que todos estes trechos tem em comum. No final eu digo

Apropriar-se da relatividade do tempo, na perspectiva das 24h de um dia, e procurar descrever a existência humana em sua trajetória, (..), com o uso de uma lente que deforma a imagem/existência

[Lente que deforma a existência?]

Parte da idéia metafísica de que é "dentro" que tudo se inicia e se transforma, mas sem descartar a relação inversa, já que o "de fora" também pode influenciar e modificar o interno, revelando o homem criatura.

[Até antes do homem criatura, estava bonitinho]

Celebrando o homem, mas também o condena. Na tragicidade pungente que lhe é intrínseca, decreta a necessidade de ultrapassagem, para lá de todos os equívocos humanismo.

[ Me amarrei na tragicidade pungente que lhe é intrínseca]

Uma viagem entre a força pungente do sonho e o acordar, já que o sonho pode retratar a beleza terrena ante nossos olhos, num esplendor verdadeiramente celestial, mas, também, mostrar temores cotidianos e converter o que é divertimento em puro chiste.

[Pungente é a palavra da moda heim? Também não saquei a ligação entre sonho - temores cotidianos e o problema de converter divertimento em chiste. Mas e daí né, Zé?]

Tirar a roupa é obrigatoriamente nu? Estar despido é mostrar intimidade e identidade? Como estar nu sem estar pelado?

[Vai, acho que dá pra entender o que este trecho quer dizer. Mas estes excessos de confronto de sentido da palavra, principalmente na primeira e na terceira pergunta, fica um pouco patético]



Sabe onde encontrar estas respostas?
Nos espetáculos de dança do festival. São trechos das sinopses. E olhe que eu ainda deixei pra lá uma centena de antíteses que tem nas descrições (o espetáculo que corre entre a luz e a sobra, o controle e a subjetivação, e por aí vai).
Será que não haveria como dar uma dimensão da dança que vai ser executada de uma maneira minimamente objetiva, ao menos para se ter uma idéia real do que se passa?
Agora, com todo respeito, será que quem vai ver um espetáculo de dança consegue sair de lá comentando da idéia metafísica do dentro e do fora, ou da tragicidade intrínseca?
Duvido muito.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Mensagem de Natal

Não se esqueçam o que é o natal
Dia 25 é o nascimento de cristo.
Então veio o Papai Noel e roubou a data do nosso senhor
Papai noel é um ladrão!!

De um cidadão que berrava em uma parada de ônbus

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Viajar sozinho

Alguém já se jogou assim? Eu confesso que não completamente só, mas já estive em lugares que só tinha o teto e o resto do lugar eu tinha que desbravar sozinho. Além disso, eu passei por uma experiência na minha última viagem que me deixou nesta situação, de não ter ninguém na cidade onde estou.

É uma experiência incrível de autoconhecimento. Você decide se quer ir pro norte ou pro sul, se é melhor pegar o ônibus e voltar ou ver o sol se esconder na praia. Se e melhor dar um mergulho ou um cochilo. Tudo isso, sem precisar da concordância de outra pessoa, a decisão não é 50%, é 100. Não tem espaços para indecisos.

Uma outra características de viagens solitárias é a facilidade e necessidade de interação. Por um lado, você se sente mais solto e impelido para ir até alguém e falar algo. Por outro, é bem mais fácil alguém chegar pra falar com você, estando sozinho do que em grupo. Conversando com pessoas de fora, há a possibilidade de sugar novas experiências, interpretações, ways of life, enfim, sentir o que é o cidadão fulandense. Isso pra mim é um desafio, já que eu sou envergonhado pra abordar.

Ainda haveria outras coisas pra citar, mas fica para uma outra postagem. Acho que por estes dias eu devo postar um dia que estive largado numa cidade desconhecida em uma viagem, o final foi meio surpreendente.

domingo, 4 de outubro de 2009

Nova ordem



Ouviram do Ipiranga?
Agora o hino da retirada
é "pega esta baranga".

Retirada da bandeira, às 17 horas, ao som de uma música brega da segunda divisão

domingo, 27 de setembro de 2009

Comparações eclésiásticas

Zapeando os canais,vi Padre Fábio, por alguma razão esperei 5 segundos.
Ele conversava com o tecladista do programa.
O diálogo começou com a seguinte pergunta do padrão.

- Me conta aquela história que você me falou?
- Ah, eu vi num site da internet (risadas leves). Uma matéria de um cara que fez um gol contra e morreu de infarto.
O Padre abre um sorriso depois da história moribunda:
- Foi logo depois do gol?
- Não sei..
- Não foi logo depois do gol?
- Eu não lembro, eu não vi.
(mas o padre não poderia perder sua tese)
- Bem, deve ter sido logo depois do gol. Então eu pergunto a você, que está me vendo na tv, quantas vezes na vida nós morremos depois que algo ruim nos acontece?
....

Como diria o falso ditado de lingua inglesa, a ignorância é uma benção.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Mundo dos espertos

Em um fast-food da cidade:

- Com licença. Veio algo errado no meu pedido.
- Diga!
- Eu pedi um só deste daqui e vocês acabaram se enganando e colocado dois.

[Olhar resginado, balançada de cabeça]

-Pfff. Vá, meu filho, leve esse extra. Se tivesse vindo a menos ... Que coisa!
- Tá então.

[Risadas do cidadão que estava ao lado]

Honestidade:
1 qualidade ou caráter de honesto, atributo do que apresenta probidade, honradez, segundo certos preceitos morais socialmente válidos
2 característica do que é decente, do que tem pureza e é moralmente irrepreensível;

Deveria ter pedido desculpas por tentar ser honesto?
Para os padrões atuais, com diferentes conceitos de moral , ser honesto é só uma obrigação ou uma qualidade?

Vou me segurar pra não escrever mais, senão acabo indo longe

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Proibido o "sagaz"

Curioso.
Escrevi um recado no orkut de umas 4 linhas e só ia pra caixa de spam. Não tinha nenhum site, nem palavra estranha, nem nada.

Então me deu uma luz e eu fiz um teste. Troquei UMA ÚNICA palavra. Saiu de
"Achei seu texto inteligente e sagaz" pra "inteligente e sincero" (não são sinônimos, mas quebraria o galho.)
E não é que o orkut aceitou?
Vivendo e não aprendendo

domingo, 2 de agosto de 2009

Apostas sociais

Há alguns anos em uma das minhas conversas sobre o nada com alguma das minhas eu comentei sobre como o meio influencia na gente e sobre as "mudanças de era" e fiz uma aposta para o futuro que achava bem possível de acontecer:

As relações "fortes" entre pessoas poderiam ganhar braços e se multiplicar.
Bem, ao invés de casais, iram se formar grupos, a priori pequenos, que delimitando certas regras iriam conviver entre si e ser feliz.
[percebo que é uma tarefa inglória explicar isso tudo num post aqui, provavelmente não vai ser completo. Portanto, antecipo as desculpas por tal]
Algo como um "casal" de 3, 4, 5 pessoas por exemplo.
O eixo que os ligaria seria o das semelhanças e afinidades. Seria um subproduto da dificuldade de ser monogâmico-fiel-solitário para ambos os sexos em épocas que o consumo(inclusive o sexual) e o individualismo tão em alta.

Antes que pareça, essa conjectura não se limita a uma 'suruba', 'swing' ou coisa do tipo. É uma relação dita "mais séria" entre mais de duas pessoas!

Difícil de equacionar? Sem dúvidas. Padece do mesmo mal das relações abertas que aparecem hoje em dia. Não tem regras de comportamento pré-definidas como as relações monogâmicas-cristâs, o velho "pode/não pode" <=> "deve/não deve".

O fardo desta dificuldade é pesado. Lembro de um casal que tentou abrir a relação e combinou "vamos contar um para o outro o que acontece". O mocinho pulou a cerca, contou e.. então, como agir? A relação passou uns meses abalada e resolveram fechar de novo. Lidar com um ambiente com pessoas assim, equacionar orgulhos e ciúmes é dureza, mas enfim..

Essa introdução acima foi pra indicar uma matéria que saiu na Newsweek do final de julho( link AQUI). É uma história como esta, chamado nos EUA de Polyarmory, questionando se seria a nova revolução sexual.



A do centro é Tenisa, ela encontrou Larry. Ambos vinham de relacionamentos furados. Larry apresentou a ela Scott e os dois (Tenisa e Scott) passaram a namorar também. Os três a morar na mesma casa.
Eles tem algumas regras, os rapazes não são gays e não há nenhum tipo de Ménage. Cada um tem seu quarto na casa.

Há algum tempo, Tenisa passou a namorar outro cara fora da relação, o Matt que é casado e tem um filho de 6 anos com Vera. E Vera, pasmén, conheceu e passou a namorar também o Larry.
Tudo isso consentidamente, de sair todo mundo junto no parque pra passear.
Hoje eles formam um cluster de 5 pessoas, é quase uma comunidade, hehe

Pois é, vamo ver o que o futuro nos vai dar e em quanto tempo isso vai virar capa da veja/época/isto é

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Boo

Tenho um novo aliado para combater a minha insônia. São os audiobooks que eu encontrei na internet, que narram umas histórias do Nelsão Rodrigues (pra quem quiser baixar, aqui), o velho rabujento que eu vivo citando de referência. A voz do audiobook é de Milton Gonçalves, muito competente para esta atividade, por sinal.

Convenhamos, não é a melhor história pra se ouvir no pré sono, normalmente tem um quê de angústia, tensão e comumente um final trágico e pesado. Mas enfim, tem funcionado.

Só que ontem, eu caí pregado na arapuca que eu mesmo armei.

Na terceira história que ouvia o tinha algumas referênncias ao espiritismo, brincadeira do copo, estas coisas. Eu já tava com as idéias trocadas, ouvindo cada vez menos o que era narrado, perdendo o foco, pegando no sono.. devagar..

Até que de repente Milton Gonçalves reforça a voz e solta

O DEMÔNIOOOOOOOOOO

Eu tomei um susto sem tamanho. Em instantes, estava desperto de novo. Parecia o próprio me chamando pra dar um passeio na floresta.
Esperei o resto da história acabar e dormi. Pelo menos esta parte o susto não atrapalhou

sábado, 13 de junho de 2009

Namorados?

Não me pareceu ontem pra o meu umbigo.

Pelas propostas "irregulares" que recebi ontem
Pelas propostas "irregulares" que me falaram pelo msn ontem.

A consideração com os escolhidos tem diminuído

Update:

Uma música de um tributo que eu ouvi hoje a uma banda que é uma das minhas preferidas me fez lembrar a situação acima

Backdoor man




'Cause I'm a back door man, The men don't know, but the little girls understand"