sábado, 6 de março de 2010

Eufemismos



Do Terra
Plus size? Então em inglês fica mais sutil né?.
Link

quarta-feira, 3 de março de 2010

Carnaval - 5 curtas

* Se você esta coluna até aqui é porque não gosta de carnaval
De uma colunista local descolada, no momento mais feliz de sua coluna com o tema urinar na folia

* Valeu pessoal, esta é a nossa banda. Espero que tenham gostado e desculpa qualquer coisa
Pedir desculpas depois de tocar? Exageraram no realismo (ou na humildade)

* A moda marginal agora não é só descolorir o cabelo no carnaval. Além dos cortes que formam estranhos desenhos, há uma forte tendencia de pintar o cabelo de vermelho, verde ou roxo, se utilizando das marcas mais famosas de papel crepom.

* Pessuau, deu aqui um pobrema na lui, mai já já arrenti resolve. Fique tronquio. Prefeitura do Ricifi, prefeito Juão Paulo.
Seria difícil arrumar um apresentador com o mínimo de fluência em português?
[Para quem não é do Recife, o tal João Paulo hoje é ex-prefeito e brigado com o prefeito atual, João da Costa ]

* Toda mulher merece um carro do ano e 20.000 reais por mês para gastar com lingerie. E o homem que discordar merece ser corno! Eu digo e afirmo, pois sou o maior 'adevogado' das mulheres.

Reginaldo Rossi, cujo show eu fui assistir [pasmén], num bairro de risco [pásmen²], num dia que choveu [pásmen³] e ainda regurgitaram no meu pé [priceless]

[isso me lembra um certo blog perfumado :D]

domingo, 28 de fevereiro de 2010

reraise

Trago a câmera, o calor e o colorido
tu o sabor, o sorriso e o sentido
Na imagem, uma leve libido

Carnaval - 5 pequenas histórias

1. Cuidado se resolver ler na quarta de cinzas, à tarde. Me aventurei a fazer isso aqui em casa e o resultado não foi dos melhores:
- Então saíram em comitiva o imperador e a IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE, DEEEZ
- Putz... Então saíram e comOICIDADE INDEPENDENTE NOVE PONTO NOVE.

Não dá. O moço não diz as notas, não informa, não fala, ele berra exasperadamente. Negociei com minha mãe troquei de cômodo, para evitar os gritos.
- Então saíram em comitiva o imperador e a ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA, NOVE E MEIO
Agora acompanhado de um: PORRAAAAAAAA! QUE INJUSTIÇA! O OUTRO FOI BEM PIOR.

Quem mora em apartamento sabe bem o que o vizinho está fazendo. Pior do que a minha mãe, o pessoal que assistia no apartamento próximo assistia em grupo e exercia a conhecida característica humana de dar pitacos abalizados sobre o que não sabiam.

Desisti. Vim para o quarto, liguei o fone de ouvido e me desliguei

2 Estava ao lado de um desconhecido com a camisa do time de futebol São Paulo. Chega um terceiro desconhecido, de mãos dadas com uma parceira, abrindo o diálogo:

- É isso ae são-paulino. Somos hexa. Hexa únicos
- É isso aê :D
- Vamos ser campeões de novo
- Vamo, vamo sim.

O terceiro e a sua acompanhante então seguem adiante, ao perceber da distância, o moço são-paulino comenta comigo.

- Hexa? Campeão o cacete. Tava de olho era na mulher dele.


3 Diálogo entre taxista e usuários, que começam a entrar no carro
- Um, dois. Ei não vou levar vocês. São 5, não cabem no taxi e ainda estão com os pés sujos (!)
- Mas como assim? é só até aliItálico
- Eu não vou levar e pronto, podem sair do meu carro.
- Nossa, que ignorânia! Vamos sair mesmo, que mal educado
- Você sabe com quem você está falando?

Com todo respeito a classe mas, taxista elevando o tom? A resposta esperada deveria ser "sim, um taxista"

4 Show de Rock no carnaval. Já perto das últimas músicas o vocalista começa a mandar as músicas mais conhecidas da banda. Eis que de repente surge um trio elétrico de um bloco de caranval, o papa-defunto (que parte de um cemitério das redondezas), passando ao lado de onde estava o show de Rock. Como são dois emissores pontuais, quem estava perto muito perto de um não ouvia o que estava tocando no outro. Isso gerava cenas curiosas, como headbangers com a farda preta chacoalhando a cabeça e fazendo roda de pogo com trio elétrico tocando frevo ao fundo.


5
- Como é que é este teu apetrecho de carnaval?
- É uma vara de pescar mulher. Tem 4 iscas para pescar: uma chave de carro, um cartão de crédito, 20 reais em dinheiro e a papelada do casamento.


Mais aqui

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Carnaval - 5 questões

As minhas postagens sobre carnaval vão meio atrasadas, mas vamo lá:

Cinco questões que que me fiz durante a festa:

1. Como avisar para uma bela mocinha dançante que o pacote de camisinha que ela tinha no bolso caiu?

2. O que será que passa na cabeça de um artista mais rodado ao tocar para um público majoritariamente neutro como o do Carnaval?

3 Quão confiável será a matéria de uma jornalista ao relatar shows que parecem ser de seu desagrado?

4 Cenário: iria tocar Cordel do Fogo Encantado. Uma banda que, apesar de usar uma percussão marcante, recheada de rítmos regionais e não ter uma guitarra, é uma banda agitada e de pegada.
Um senhor que passava por lá me perguntou, como quem esperasse uma resposta negativa.
- Isso que vai tocar aí agora é Rock?
(perceba que a pergunta não era técnica e transcende uma possível definição de Rock)


5 Um garoto de uns 6 anos é puxado com velocidade pela mãe, 'ziguezagueando' no meio da multidão. Até que em um dado momento, o moleque entrou na frente de um desatento e levou uma joelhada na ponta do queixo que o fez bambear pra trás. A mãe discute com o rapaz.

O garoto, no alto do seu metro de altura, passava por uma multidão de joelhos e pés cegos. Era um jogo de esquivas que ele perdeu com a joelhada certeira.
O que será que deve se passar na cabeça do moleque numa hora destas? será ele um futuro folião?

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Algumas imagens do carnaval



Ninguém ameaçou me roubar no Alto José do Pinho

Taxista procurado pela Polícia

Vai, essa eu scaneei do jornal. O cara foi sagaz

Alguém viu minha moeda de um real pelo chão?


A aligria e a filissidadi do carnaváu



Mão no galo

Alceu Valença e Geraldo Azevedo se não fosse a música

Alceu se dando bem

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Versos de Quarta

Voyeur
a car stopped in the dark beach
I saw a couple and thought
It could be romantic if she was his girlfriend
It could be exciting if she was a whore
but, it could be
unforgettable
If his girlfriend was a whore

Voyeur
um carro parou na praia escura
Eu vi um casal e pensei
Poderia ser romântico se ela fosse sua namorada
Poderia ser excitante se ela fosse uma puta
mas, poderia ser
inesquecível
Se a sua namorada fosse sua puta

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Carpe diem

Feliz carnaval pra quem é de carnaval
Feliz feriado pra quem não é de carnaval


Galo da madrugada (Que parece um homem urinando se olhar no sentido contrário)

Passistas de frevo

Eu na terra de gigantes


Evitando banheiros públicos

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Versos de quarta - Charles Bukowski

O livro de Bukowski que eu comprei tem uma caracterítsica que foi decisiva na escolha. Tem os poemas orginais, em inglês, seguidos da versão traduzida. Pra mim que não sou fluente na língua, mas tenho uma compreensão boa, caiu muito bem.
É divertido ler poemas em outras línguas. Ainda mais de uma estrutura bem diferente a uma língua latina como a nossa. Eu não tenho noção dos lugares comuns, tudo é meio novo e ainda mais interessante.
Só queria registrar uma última coisa. O meu poema preferido este livro, na realidade é este daqui. Porém, por já ter postado, tive que escolher outro.

Tá bom de conversa mole

3:30 A.M. Conversation

at 3:30 a.m. in the morning
a door opens
and feet come down the hall
moving a body,
and there is a knock
and you put down your beer
and answer.
god damn it, she says,
dont' you ever sleep?
and she walks in
her hair in curlers
and herself in a silk robe
covered with rabbits and birds
and she has brought her own bottle
to which you splendidly add
2 glasses;
her husband, she says, is in Florida
and the sister sends her money and dresses and she has been looking for a job
for 32 days.
you tell her
you are a jockey's agent and a
writer of jazz and love songs,
and after a couple of drinks
she doesn't bother to cover
her legs
with the edge of the robe
that keeps falling away.
they are not bad legs at all,
in fact, very good legs,
and soon your are kissing a
head full of curlers.
and the rabbits are beginning
to wink, and Florida is a long way
away, and she says we are not strangers
really because shes has seem me
in the hall.
and finally
there is very little
to say.


E sua tradução (feita por Jorge Wanderley)


Conversa às Três e Meia da Madrugada
às três e meia da madrugada
a porta se abre
e há passos na entrada
que trazem um corpo,
e uma batida
e você repousa a cerveja
e vai ver quem é.

com os diabos, ela diz,
você não dorme nunca?
e ela entra
com o cabelo nos rolinhos
e num robe de seda
estampado de coelho e passarinho
e ela trouxe a sua própria garrafa
à qual você gloriosamente acrescenta
2 copos;
o marido, ela diz, está na Flórida
e a irmã manda dinheiro e vestidos para ela,
e ela tem estado procurando emprego
nos últimos 32 dias.
você diz a ela
que é um cambista de jóquei e
um compositor de jazz e canções românticas,
e depois de uns dois copos
ela não se preocupa com cobrir
as pernas
com a beira do robe
que está sempre caindo.
não são pernas nada feias,
na verdade são pernas ótimas,
e logo você está beijando uma
cabeça cheia de rolinhos,
e os coelhos estão começando a
piscar, e a Flórida é longe, e ela diz
que não somos realmente estranhos
porque ela tem me visto na entrada.
e finalmente
há muito pouca coisa
para dizer.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Imprensando

Não acredito em imparcialidade. Já tive uma discussão com um professor sobre isso um vez. Para quem busca ser imparcial, já vale a tentativa de colocar as coisas no mesmo patamar.

Agora juntando a imparcialidade inatingível a um grupo de notícias que tenha interesses econômicos, este desvio fica ainda mais torto. Há jornais do Recife que frequentemente fazem matérias especiais (pagas) sobre temas específicos, chegam até mesmo exibir capas de jornais pra lá de duvidosas. Há tantos exemplos que eu poderia citar aqui de outros órgãos da grande imprensa, mas deixo pra outra hora.

Este caráter capitalista nos órgãos, além de canalizado para ajudar/atingir algum alvo, também está preparado para explorar algum lado sensível do ser humano, assim fica mais fácil de se propagar.
Talvez seja uma escala assim.
Desgraças de grande porte > Morte > desgraças de pequeno porte> Casos de corrupção > ...

Em último lugar da escala estão as boas notícias.

Esta introdução toda foi pra comentar sobre isso. Vi num blog de ciência e meio ambiente a notícia

A média do ano passado se igualou a uma das menores medições feitas. Há registros de aumento da camada de gelo e dois lagos de água doce congelaram. Também, segundo a notícia, foi registrado a temperatura mais fria dos últimos 20 anos pelo menos.
Enfim, é uma notícia excelente pro meio ambiente.
Eu assino 3 grandes portais, assisto normalmente 2 grandes noticiário e tenho 2 jornais diariamente em casa. Se um destes noticiou isso, foi absolutamente discreto.
Afinal, boas notícias estão no fim da escala

Bendito sejam os blogs e outros espaços de mídia independente :D

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Versos de quarta - Carlos Pena Filho

Hoje é dia de ficar com um poema bem Sutil do poeta pernambucano.

A solidão e sua porta

Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
e quando nada mais interessar
(nem o topor do sono que se espalha)

Quando, pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha

a arquitetar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório
lembra-te uqe afinal te resta a vida

com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório

sábado, 30 de janeiro de 2010

Pergunta sem resposta

Quem se atreve?


A é a repostas dos Lulistas
B da exterma esquerda
C a resposta da direita
D a da esquerda clássica
E é do pessoal do centro

apartidários como eu votam em branco nesta questão

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Versos de quarta - Ferreira Gullar

Ferreira Gullar, o homem do poema sujo, daqueles que rompem com as formas pré-estabelecidas da poesia, está entre os meus favoritos. Acho que o poema abaixo nem representa muito a obra dele, mas eu acho bem bacana

Nasce o poeta
6

A manhã apaga
as perguntas da noite

as coisas são claras
as coisas são sólidas

o mundo se explica
só por existir

a memória dorme

o presente ri


Bem, este é deveria ser o último da série, mas acabou vindo mais por aí.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Kit



Elementos para um estada solitária na praia

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Versos de quarta - Ascenso Ferreira

Ainda sobre o que eu comentei das sinópses de dança na postagem anterior, uma amiga minha mandou um vídeo pra eu ver, este aqui. Nele um pianista-solo e um bailarino local comentam sobre o espetáculo dos dois, chamado neo-nômade.
O pianista então começa a divagar sobre o tema, comentando sobre o "novo nomadismo" e citando como culpados o neoliberalismo (hã?!), o capitalismo e outros vilões contemporâneos.

Mas bem, é um espetáculo de dança e de piano. Será que por si só conseguiria resgatar algo assim?

Então me veio em mente o grande Ascenso Ferreira. Também está retratado no circuito dos poetas. Ele tinha um espírito bem interessante, pelos relatos era um cara de espírito anárquico e caricato. Enfim, sem maiores delongas, um dia ele escreveu:

Hora de comer — comer!
Hora de dormir — dormir!
Hora de vadiar — vadiar!
Hora de trabalhar?

— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!


Teorias da revolução, discussões filosóficas sobre a vida e os rumos da humanidade são relevantes, mas cada coisa na sua hora.

Exceto trabahar :D

domingo, 17 de janeiro de 2010

Submundo

Minha mãe olha para a tela do meu computador e comenta:
-Meu filho, o que é isso?
- Isso o que?
- Isso aqui ó. (aponta na tela). É maconha é?
- Hã?

Clique AQUI e veja a "maconha" da minha mãe


sábado, 16 de janeiro de 2010

Vocês conseguem?

Olhem para os trechos descritos abaixo e tentem captar em que circunstâncias vocês acham que poderiam captar tais impressões. O que todos estes trechos tem em comum. No final eu digo

Apropriar-se da relatividade do tempo, na perspectiva das 24h de um dia, e procurar descrever a existência humana em sua trajetória, (..), com o uso de uma lente que deforma a imagem/existência

[Lente que deforma a existência?]

Parte da idéia metafísica de que é "dentro" que tudo se inicia e se transforma, mas sem descartar a relação inversa, já que o "de fora" também pode influenciar e modificar o interno, revelando o homem criatura.

[Até antes do homem criatura, estava bonitinho]

Celebrando o homem, mas também o condena. Na tragicidade pungente que lhe é intrínseca, decreta a necessidade de ultrapassagem, para lá de todos os equívocos humanismo.

[ Me amarrei na tragicidade pungente que lhe é intrínseca]

Uma viagem entre a força pungente do sonho e o acordar, já que o sonho pode retratar a beleza terrena ante nossos olhos, num esplendor verdadeiramente celestial, mas, também, mostrar temores cotidianos e converter o que é divertimento em puro chiste.

[Pungente é a palavra da moda heim? Também não saquei a ligação entre sonho - temores cotidianos e o problema de converter divertimento em chiste. Mas e daí né, Zé?]

Tirar a roupa é obrigatoriamente nu? Estar despido é mostrar intimidade e identidade? Como estar nu sem estar pelado?

[Vai, acho que dá pra entender o que este trecho quer dizer. Mas estes excessos de confronto de sentido da palavra, principalmente na primeira e na terceira pergunta, fica um pouco patético]



Sabe onde encontrar estas respostas?
Nos espetáculos de dança do festival. São trechos das sinopses. E olhe que eu ainda deixei pra lá uma centena de antíteses que tem nas descrições (o espetáculo que corre entre a luz e a sobra, o controle e a subjetivação, e por aí vai).
Será que não haveria como dar uma dimensão da dança que vai ser executada de uma maneira minimamente objetiva, ao menos para se ter uma idéia real do que se passa?
Agora, com todo respeito, será que quem vai ver um espetáculo de dança consegue sair de lá comentando da idéia metafísica do dentro e do fora, ou da tragicidade intrínseca?
Duvido muito.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Versos de quarta - Mário Quintana

Esse já é um velho conhecido deste blog, não poderia faltar

O auto-retrato

No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem
às vezes me pinto árvore

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão

e, desta lida, em que busco
-pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

No final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O grande inquisidor -a peça

* O cenário era tenebroso. Havia um mesa com vários banquinhos estilo antigo, cadeiras "modernas" por trás, 2 copos de vidro industrializados, vassoura de cabo vermelho além de uma escada gigante. Enfim, não fazia sentido algum por si só e piorava, quando se pensava que o texto era uma referência de pelo menos 400 anos. Na prática, não existia cenário e deixaram de qualquer jeito ao fundo.

* Dar um veredito a um ator por uma leitura chega a se cruel. De positivo, dava para observar em alguns momentos, algumas expressões, algumas entonações que encaixavam bem. Por outro lado, a voz dele, boa parte do tempo em modo de grito, não fluia com naturalidade pelos ouvidos. Além disso, narração de diálogo por vezes trazia os participantes discutindo no mesmo timbre, mesmo tom de voz e mesma postura. Várias vezes não dava para saber quem falava o que.

* Sobre a voz, às vezes era difícil captar a mensagem, ator falando de costas somado a "nheco-nheco" das estruturas de madeira do teatro do levanta-e-sai constante dificultavam a vida de quem tentava prestar atenção.

* Lembro de um ponto que considerei questionável no texto. O cidadão comenta "vou recitar uma poesia de minha autoria". Entrega papéis para a platéia e.. não recita.

*Além disso, houve um outro momento curioso. Falando da luta dos escravos, que queriam apenas comida para eles dividirem, o ator para a cena, e distribui uns pães compridos para parte da plateia (a parte de convidados apenas. Coincidência?). Os recebedores, pessoas da coluna do meio do teatro, não entenderam a metáfora e ao invés de tirar um pedaço e passar para o lado, como poucos fizeram, achou que era realmente a hora do lanche e comeu o pão inteiro. Aí eu tive a convicção de que a maioria do público tava realmente pensando, unido, no velório da bezerra morta.

* O cúmulo da cena acima foi uma senhora, que tirou um pedaço e comeu, ofereceu outro a amiga e o resto do pão guardou pra levar para casa. Deus do céu

* A iluminação não jogou no mesmo time. Era simples e efetiva em boa parte do tempo, mas por pelo menos duas vezes, o iluminador acendeu a luz principal do teatro sem nenhuma razão aparente. Além disso, em um momento que o ator falou "e a noite caiu sorrateiramente". O iluminador quis representar isso, e ao invés de baixar a luz devagar, como a fala sugere, baixou de uma vez, como um blackout.

* O texto é bom, mas, independente da forma que foi apresentado, tem dificuldades de prender o leitor. Somado as circunstâncias, a peça não teve vida fácil para se desenvolver.
Eu gostei de ter ido, mas não recomendo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O grande inquisidor - prévia

O título acima nomeou o espetáculo que fui ver quarta-feira, na abertura do principal festival local de teatro. Segundo a sinopse, era baseada em um capítulo de "os irmãos karamazov" de Dostotozin.
Então seguem algumas observações e críticas à peça:

* Por sorte, a peça foi no teatro Santa Isabel (já falei dele aqui). Por azar, era a solenidade de abertura, que como é de praxe, atrasou e entrou pelo horário da peça.

* O homenageado, Joacir Castro, fez um discurso que tinha sua coerência, mas não consonante com um festival de teatro. Basta citar as referências gloriosas a grande revista Caros Amigos, ou as grandes matérias do Le monde. Acho que a partir daí dá pra ter uma idéia do vermelhismo da coisa.

* Curiosamente, a senhora que foi chamada em seguir foi a representante da Caixa, patrocinadora do evento. Pelo visto, foi chamada de supetão, mas até que se saiu bem falando pouco. A pobre deveria estar lá batendo o ponto, mas deve ter achado a peça relaxante, pois dormiu do começo ao fim.

* Em cima da hora eu descobri que era uma leitura dramática, que é exatamente o que o nome sugere. Um ator que vai ler um texto, dramatizando-o. Eu já não sou muito afeito a monólogos, estar em um que seria lido, que limitaria a capacidade do ator (afinal os olhos e parte dos movimentos ficam comprometidos ao segurar e ler papéis).

* Ainda tem outra razão para eu não gostar das tais leituras dramáticas. A interpretação de diálogos pode ficar bastante prejudicada, em se tratando da linguagem teatral. O texto também precisa ser cativante "além dos padrões", além da mensagem precisar chegar clara ao espectador, o que para um teatro grande pode não ser uma regra. Se as premissas anteriores não forem cumpridas, a chance do público viajar na maionese ao invés de viajar no texto é grande.

* Enfim, mas já que a banda ia tocar deste jeito, o jeito era entrar no espírito da coisa.

Sobre a peça em si, na próxima postagem



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Versos de Quarta - Millôr Fernades

Procurei uma que não representasse o estilo dele:

(à maneira de Bashô)
Nem grilo, grito ou galope
No silêncio imenso
Uma rã mergulha - Plóóp!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Complementando o haikai abaixo


link pra foto

Mais do que as foto que já tirei, lembro das que não tirei. Existem 3 que não me saem da cabeça e três estão associadas ao reveillon.

A primeira tem um quê desta de cima. Eram cachorros (em plural extendido) dormindo em cima da praça de uma praça cujo piso é onde está a arte do lugar. A praça tem um centro, que era o local onde os cachorros apagaram

A segunda é um papai noel negro, baixo, magro, com a barba pro lado e completamente bêbado, às 7 da manhã, cambaleando na praia. Chegou tarde e manguaçado para a virada.

A terceira foi uma briga de torcidas em uma das capitais com um índice de violência. Haviam 20 torcedores de um lado, uns 20 do outro e dois guardas municipais, portanto desarmados, entre as duas torcidas tentando apartar.

Ontem surgiu uma cena que daria um vídeo curioso. No palco que eu vi, em frente a igreja, cantava-se uma Ave Maria. Imediatamente embaixo, um grupo de bêbados, com suas cervejas, vodkas e cigarros na mão, faziam uma ciranda com a música religiosa.
Todos começaram 2010 regredindo um passo na escadinha dourada que leva ao céu

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Versos de quarta - Alice Ruiz

Hoje o dia é de Alice Ruiz, vencedora do prêmio Jabuti de poesia em 2009.
São dois hai-kais

Primeiro vagalume
Assim começa
o fim do ano

Dia que termina
Nenhuma pressa
Ano que começa

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Tiro ao álvaro

Chegará o dia em que os corruptos deixarão de ser cassados com 'ss' e passaram a ser com 'ç'

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Mensagem de Natal

Não se esqueçam o que é o natal
Dia 25 é o nascimento de cristo.
Então veio o Papai Noel e roubou a data do nosso senhor
Papai noel é um ladrão!!

De um cidadão que berrava em uma parada de ônbus

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Versos de quarta* - Carlos Pena Filho

* Se tudo caminhar bem, até o fim de janeiro, vão aparecer uns versos, hai-kais e coisas do gênero por aqui todas as quartas


Um dos meus hobbies é o tal do pôquer. Vira e mexe eu jogo uma partidinha online e num dia iluminado eu consegui ganhar uns trocadinhos reais. Com o trocado que ganhei, minha primeira idéia foi comprar alguma coisa, além de pagar uma pizza pros amigos. O "alguma coisa" serviria como um troféu, algo físico, concreto. Decidi queseria um livro do Leminski. Apesar de citá-lo constantemente, não tenho nada do cidadão
Pois bem, fui à livraria e não tinha nada dele. Quintana? Tinha, mas não o que queria. Iria então apelar para uma novidade, que acabou sendo Carlos Pena Filho. Para quem não o conhece, ele foi um dos poetas pernambucanos mais importantes depois da geração de 45 (pulemos o Hour Concour João Cabral).
Quando eu rodei o Recife fotografando o circuito dos poetas (se alguém não viu, espia aqui) fiz uma breve pesquisa sobre o que escreveu cada um e neste momento Carlos Pena Filho já me saltava aos olhos. Observe que a estátua dele é tipo numa mesa de bar e sempre senta alguém pra conversar com ele.
Bem, eu juro que cheguei até aqui pensando em escrever um outro verso , mas como eu vi que um dos meus preferidos dele, o que está na foto, não foi registrado aqui ainda, vai ser o verso que inaugurará esta sessão.

Só fazendo uma breve contextualização para entender as entrelinhas:
O bar Savoy foi um bar histórico no centro da cidade do Recife. Era o nosso antro de intelectuais e poetas, de cuja efeversência se criaram muitos versos e prosas. Figurinhas como Sartre, Simone de Beauvoir, Camus, Ariano Suassuna, (e uma lista maior que eu me esqueci) já frequentaram o lugar. É um lugar que tinha história pra contar.
Pena Filho então escreveu o famoso refrão do bar Savoy.

Chopp

Na avenida Guararapes,
o Recife vai marchando.
O bairro de Santo Antonio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde,
mais se assemelha a um festim,
nas mesas do Bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.
Ah, mas se a gente pudesse
fazer o que tem vontade:
espiar o banho de uma,
a outra amar pela metade
e daquela que é mais linda
quebrar a rija vaidade.
Mas como a gente não pode
fazer o que tem vontade,
o jeito é mudar a vida
num diabólico festim.
Por isso no Bar Savoy,
o refrão é sempre assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.

Carlos pena Filho morreu com apenas 31 anos em um acidente de carro. Após a sua morte, Mauro Mota, outro poeta pernambucano, escreveu

São agora vinte e nove
Os homens do Bar Savoy.
Vinte e nove que se contam.
Falta um. Para onde foi?

Vinte e nove homens tristes.
Dentro deles, como dói
a ausência do poeta Carlos
na mesa do Bar Savoy.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Arte?


Manhole Cover

Tão vendo esta cueca acima? Foi eleita a pior obra de arte deste ano.
Este caso ainda foi uma "brincadeira", mas uma vez eu passeava pelo MAM do Rio de Janeiro no setor onde eram expostas algumas peças de arte moderna, estilo que particularmente gosto. Na saída, me virei e quase tropeço em um bueiro que ficava no corredor. Após o desvio eu fito com os olhos e, pasmém, papelzinho retangular do lado da boca-de-lobo.

"Sem título
Artista fulano de tal"

E desta vez não era piada.
Puta merda, a rua vizinha a minha tem mais de 60 obras de arte e eu não sabia
Por mais relativista que eu seja e por mais coisas deste nível que eu já tenha visto, esta ilimitação da arte às vezes me deixa com uma pulga atrás da orelha

Ah, antes de acabar esta postagem, eu lembrei que fiz uma brincadeira fotográfica sobre o tema. Vocês podem ver neste link aqui.
Mas atenção, tem quatro historinhas aí, a que eu estou citando é a útima, pode dar uma passadinha nas barrinhas

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O exército de um homem só

- Estuda, filho, estuda. Lembra-te que Rabi Iochanan ben Zacai dizia "Foste criado para estudar a Torá"
Tonto de Sono, Mayer respondia:
- Mas Simeon, Filho de Rabi Gamaliel, dizia: "Passei a vida entre sábios e nada achei de melhor do que o silêncio. O essencial não é estudar, é fazer"
- Simeon? era inexperiente. Rabi Gamaliel, seu pai, sabia o que estava dizendo quando disse "Procure um mestre". Eu sou o teu mestre, meu filho.
- Na Guemara - contestava o perverso Mayer - está escrito "se o discípulo percebe que o mestre está errado, deve corrigi-lo"
A testa do pai vincava-se:
- Em que estou errado, meu filho?
- Em me obrigar a estudar estas bobagens quando estou louco de sono.
- Na Guemara está escrito "Se um grande homem disser uma coisa que te pareça um absurdo não rias, tente entendê-lo (...). Está escrito na Torá, a maior riqueza é o estudo, a religião.
- Não - gritava Marx - A maior riqueza é a posse dos meios de produção, estás ouvindo? É bem como diz Marx: a religião é o ópio do povo.
- Quem é este Marx? - perguntava o pai espantado - e o que ele sabe da felicidade dos homens?
- Sabe tudo! Sabe que não deve haver fome, nem injustiça. Não deve haver "meu" nem "teu"; deve ser "o que é meu é teu; o que é teu é meu".
O pai abanava tristemente a cabeça.
- Na Mishná está escrito que há 4 tipos de homens: O vulgar diz: "O que é meu é meu; o que é teu é teu"; O perverso diz "O que é meu é meu; o que é teu é meu"; O homem santo diz "O que é meu é teu, o que é teu é teu"; Mas tu, meu filho, dizes "o que é meu é teu, oque é teu é meu". E isto, segundo a Mishná, são as palavras do excêntrico, do estranho entre os homens. Acho que vais sofrer muito, meu filho .


O pai estava certo. Esta discussão do filho insolente, Mayer Guinzburg, ou Capitão Birobidjan, com o seu pai, que mistura política, religião e chega em desfecho curioso está no livro Exército de um homem só, do Moacir Sclilar. O livro que tem um quê de dom quixote, outro de revolução dos bichos e mais umas pitadas do manifesto do partido comunista pela perspectiva de um judeu.
É um nó tremendo, mas vale a pena. E como diria o Capitão Birobidjan, durante as várias vezes que tentou concretizar o seu sonho

- Iniciaremos neste momento a construção de uma nova sociedade

sábado, 12 de dezembro de 2009

Poesia

De uns tempos pra cá eu tenho engatinhado no ramo das poesias. Não é a coisa mais fácil ou natural para um engenheiro (Alguém se lembra de outros poetas-engenheiros além do João Cabral?). O pragmatismo da área anda na direção inversa da subjetividade e sentimentalismo poético. Em suma, o engenheiro-padrão lê um livro de poesias achando que o espaço em branco da página está sendo mal aproveitado porque tem poucas letras.

Bem, eu sigo tentando ampliar minhas fronteiras e vou tentando ler uma coisinha aqui, outra ali.

Mas bem, nem sei por que esta introdução acima. Queria mesmo era registrar este vídeo que eu encontrei no youtube de um dos poetas cujo estilo eu mais me identifico (e que nem é novidade pra quem vê aqui), Paulo Leminski.Neste vídeo abaixo ele cita alguns versos e discorre sobre o que acha de poesia.








"O poeta se define sobretudo pela capacidade de produzir beleza com linguagem"
"A poesia é um inutensílio. (..) querer que a poesia tenha um porquê é a mesma coisa que querer que um orgasmo tenha um porquê"
"Há tanta poesia no receptor como no emissor"


Por sinal, estas três frases tem muito a ver com o que é discutido aqui no blog da Rita, alguém que sabe infinitas vezes mais do assunto do que eu.




Eu na pedreira Paulo Leminski, em Curitiba. Os versos ali atrás são

Aqui
nessa pedra

alguém sentou
olhando o mar

o mar

não parou
para ser olhado

foi mar
pra tudo que é lado

Pulem esse

Esta postagem é só pra registrar um verso de Leminski.
Vão por mim, não é o mais bonito, mas eu quero registar pra ter como link pra mostrar para umas pessoinhas

Merda e ouro

Merda é veneno.
No entanto, não há nada
que seja mais bonito
que uma bela cagada.
Cagam ricos, cagam pobres,
cagam reis e cagam fadas.
Não há merda que se compare
à bosta da pessoa amada.