sábado, 16 de janeiro de 2010

Vocês conseguem?

Olhem para os trechos descritos abaixo e tentem captar em que circunstâncias vocês acham que poderiam captar tais impressões. O que todos estes trechos tem em comum. No final eu digo

Apropriar-se da relatividade do tempo, na perspectiva das 24h de um dia, e procurar descrever a existência humana em sua trajetória, (..), com o uso de uma lente que deforma a imagem/existência

[Lente que deforma a existência?]

Parte da idéia metafísica de que é "dentro" que tudo se inicia e se transforma, mas sem descartar a relação inversa, já que o "de fora" também pode influenciar e modificar o interno, revelando o homem criatura.

[Até antes do homem criatura, estava bonitinho]

Celebrando o homem, mas também o condena. Na tragicidade pungente que lhe é intrínseca, decreta a necessidade de ultrapassagem, para lá de todos os equívocos humanismo.

[ Me amarrei na tragicidade pungente que lhe é intrínseca]

Uma viagem entre a força pungente do sonho e o acordar, já que o sonho pode retratar a beleza terrena ante nossos olhos, num esplendor verdadeiramente celestial, mas, também, mostrar temores cotidianos e converter o que é divertimento em puro chiste.

[Pungente é a palavra da moda heim? Também não saquei a ligação entre sonho - temores cotidianos e o problema de converter divertimento em chiste. Mas e daí né, Zé?]

Tirar a roupa é obrigatoriamente nu? Estar despido é mostrar intimidade e identidade? Como estar nu sem estar pelado?

[Vai, acho que dá pra entender o que este trecho quer dizer. Mas estes excessos de confronto de sentido da palavra, principalmente na primeira e na terceira pergunta, fica um pouco patético]



Sabe onde encontrar estas respostas?
Nos espetáculos de dança do festival. São trechos das sinopses. E olhe que eu ainda deixei pra lá uma centena de antíteses que tem nas descrições (o espetáculo que corre entre a luz e a sobra, o controle e a subjetivação, e por aí vai).
Será que não haveria como dar uma dimensão da dança que vai ser executada de uma maneira minimamente objetiva, ao menos para se ter uma idéia real do que se passa?
Agora, com todo respeito, será que quem vai ver um espetáculo de dança consegue sair de lá comentando da idéia metafísica do dentro e do fora, ou da tragicidade intrínseca?
Duvido muito.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Versos de quarta - Mário Quintana

Esse já é um velho conhecido deste blog, não poderia faltar

O auto-retrato

No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem
às vezes me pinto árvore

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão

e, desta lida, em que busco
-pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

No final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O grande inquisidor -a peça

* O cenário era tenebroso. Havia um mesa com vários banquinhos estilo antigo, cadeiras "modernas" por trás, 2 copos de vidro industrializados, vassoura de cabo vermelho além de uma escada gigante. Enfim, não fazia sentido algum por si só e piorava, quando se pensava que o texto era uma referência de pelo menos 400 anos. Na prática, não existia cenário e deixaram de qualquer jeito ao fundo.

* Dar um veredito a um ator por uma leitura chega a se cruel. De positivo, dava para observar em alguns momentos, algumas expressões, algumas entonações que encaixavam bem. Por outro lado, a voz dele, boa parte do tempo em modo de grito, não fluia com naturalidade pelos ouvidos. Além disso, narração de diálogo por vezes trazia os participantes discutindo no mesmo timbre, mesmo tom de voz e mesma postura. Várias vezes não dava para saber quem falava o que.

* Sobre a voz, às vezes era difícil captar a mensagem, ator falando de costas somado a "nheco-nheco" das estruturas de madeira do teatro do levanta-e-sai constante dificultavam a vida de quem tentava prestar atenção.

* Lembro de um ponto que considerei questionável no texto. O cidadão comenta "vou recitar uma poesia de minha autoria". Entrega papéis para a platéia e.. não recita.

*Além disso, houve um outro momento curioso. Falando da luta dos escravos, que queriam apenas comida para eles dividirem, o ator para a cena, e distribui uns pães compridos para parte da plateia (a parte de convidados apenas. Coincidência?). Os recebedores, pessoas da coluna do meio do teatro, não entenderam a metáfora e ao invés de tirar um pedaço e passar para o lado, como poucos fizeram, achou que era realmente a hora do lanche e comeu o pão inteiro. Aí eu tive a convicção de que a maioria do público tava realmente pensando, unido, no velório da bezerra morta.

* O cúmulo da cena acima foi uma senhora, que tirou um pedaço e comeu, ofereceu outro a amiga e o resto do pão guardou pra levar para casa. Deus do céu

* A iluminação não jogou no mesmo time. Era simples e efetiva em boa parte do tempo, mas por pelo menos duas vezes, o iluminador acendeu a luz principal do teatro sem nenhuma razão aparente. Além disso, em um momento que o ator falou "e a noite caiu sorrateiramente". O iluminador quis representar isso, e ao invés de baixar a luz devagar, como a fala sugere, baixou de uma vez, como um blackout.

* O texto é bom, mas, independente da forma que foi apresentado, tem dificuldades de prender o leitor. Somado as circunstâncias, a peça não teve vida fácil para se desenvolver.
Eu gostei de ter ido, mas não recomendo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O grande inquisidor - prévia

O título acima nomeou o espetáculo que fui ver quarta-feira, na abertura do principal festival local de teatro. Segundo a sinopse, era baseada em um capítulo de "os irmãos karamazov" de Dostotozin.
Então seguem algumas observações e críticas à peça:

* Por sorte, a peça foi no teatro Santa Isabel (já falei dele aqui). Por azar, era a solenidade de abertura, que como é de praxe, atrasou e entrou pelo horário da peça.

* O homenageado, Joacir Castro, fez um discurso que tinha sua coerência, mas não consonante com um festival de teatro. Basta citar as referências gloriosas a grande revista Caros Amigos, ou as grandes matérias do Le monde. Acho que a partir daí dá pra ter uma idéia do vermelhismo da coisa.

* Curiosamente, a senhora que foi chamada em seguir foi a representante da Caixa, patrocinadora do evento. Pelo visto, foi chamada de supetão, mas até que se saiu bem falando pouco. A pobre deveria estar lá batendo o ponto, mas deve ter achado a peça relaxante, pois dormiu do começo ao fim.

* Em cima da hora eu descobri que era uma leitura dramática, que é exatamente o que o nome sugere. Um ator que vai ler um texto, dramatizando-o. Eu já não sou muito afeito a monólogos, estar em um que seria lido, que limitaria a capacidade do ator (afinal os olhos e parte dos movimentos ficam comprometidos ao segurar e ler papéis).

* Ainda tem outra razão para eu não gostar das tais leituras dramáticas. A interpretação de diálogos pode ficar bastante prejudicada, em se tratando da linguagem teatral. O texto também precisa ser cativante "além dos padrões", além da mensagem precisar chegar clara ao espectador, o que para um teatro grande pode não ser uma regra. Se as premissas anteriores não forem cumpridas, a chance do público viajar na maionese ao invés de viajar no texto é grande.

* Enfim, mas já que a banda ia tocar deste jeito, o jeito era entrar no espírito da coisa.

Sobre a peça em si, na próxima postagem



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Versos de Quarta - Millôr Fernades

Procurei uma que não representasse o estilo dele:

(à maneira de Bashô)
Nem grilo, grito ou galope
No silêncio imenso
Uma rã mergulha - Plóóp!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Complementando o haikai abaixo


link pra foto

Mais do que as foto que já tirei, lembro das que não tirei. Existem 3 que não me saem da cabeça e três estão associadas ao reveillon.

A primeira tem um quê desta de cima. Eram cachorros (em plural extendido) dormindo em cima da praça de uma praça cujo piso é onde está a arte do lugar. A praça tem um centro, que era o local onde os cachorros apagaram

A segunda é um papai noel negro, baixo, magro, com a barba pro lado e completamente bêbado, às 7 da manhã, cambaleando na praia. Chegou tarde e manguaçado para a virada.

A terceira foi uma briga de torcidas em uma das capitais com um índice de violência. Haviam 20 torcedores de um lado, uns 20 do outro e dois guardas municipais, portanto desarmados, entre as duas torcidas tentando apartar.

Ontem surgiu uma cena que daria um vídeo curioso. No palco que eu vi, em frente a igreja, cantava-se uma Ave Maria. Imediatamente embaixo, um grupo de bêbados, com suas cervejas, vodkas e cigarros na mão, faziam uma ciranda com a música religiosa.
Todos começaram 2010 regredindo um passo na escadinha dourada que leva ao céu

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Versos de quarta - Alice Ruiz

Hoje o dia é de Alice Ruiz, vencedora do prêmio Jabuti de poesia em 2009.
São dois hai-kais

Primeiro vagalume
Assim começa
o fim do ano

Dia que termina
Nenhuma pressa
Ano que começa

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Tiro ao álvaro

Chegará o dia em que os corruptos deixarão de ser cassados com 'ss' e passaram a ser com 'ç'

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Mensagem de Natal

Não se esqueçam o que é o natal
Dia 25 é o nascimento de cristo.
Então veio o Papai Noel e roubou a data do nosso senhor
Papai noel é um ladrão!!

De um cidadão que berrava em uma parada de ônbus

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Versos de quarta* - Carlos Pena Filho

* Se tudo caminhar bem, até o fim de janeiro, vão aparecer uns versos, hai-kais e coisas do gênero por aqui todas as quartas


Um dos meus hobbies é o tal do pôquer. Vira e mexe eu jogo uma partidinha online e num dia iluminado eu consegui ganhar uns trocadinhos reais. Com o trocado que ganhei, minha primeira idéia foi comprar alguma coisa, além de pagar uma pizza pros amigos. O "alguma coisa" serviria como um troféu, algo físico, concreto. Decidi queseria um livro do Leminski. Apesar de citá-lo constantemente, não tenho nada do cidadão
Pois bem, fui à livraria e não tinha nada dele. Quintana? Tinha, mas não o que queria. Iria então apelar para uma novidade, que acabou sendo Carlos Pena Filho. Para quem não o conhece, ele foi um dos poetas pernambucanos mais importantes depois da geração de 45 (pulemos o Hour Concour João Cabral).
Quando eu rodei o Recife fotografando o circuito dos poetas (se alguém não viu, espia aqui) fiz uma breve pesquisa sobre o que escreveu cada um e neste momento Carlos Pena Filho já me saltava aos olhos. Observe que a estátua dele é tipo numa mesa de bar e sempre senta alguém pra conversar com ele.
Bem, eu juro que cheguei até aqui pensando em escrever um outro verso , mas como eu vi que um dos meus preferidos dele, o que está na foto, não foi registrado aqui ainda, vai ser o verso que inaugurará esta sessão.

Só fazendo uma breve contextualização para entender as entrelinhas:
O bar Savoy foi um bar histórico no centro da cidade do Recife. Era o nosso antro de intelectuais e poetas, de cuja efeversência se criaram muitos versos e prosas. Figurinhas como Sartre, Simone de Beauvoir, Camus, Ariano Suassuna, (e uma lista maior que eu me esqueci) já frequentaram o lugar. É um lugar que tinha história pra contar.
Pena Filho então escreveu o famoso refrão do bar Savoy.

Chopp

Na avenida Guararapes,
o Recife vai marchando.
O bairro de Santo Antonio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde,
mais se assemelha a um festim,
nas mesas do Bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.
Ah, mas se a gente pudesse
fazer o que tem vontade:
espiar o banho de uma,
a outra amar pela metade
e daquela que é mais linda
quebrar a rija vaidade.
Mas como a gente não pode
fazer o que tem vontade,
o jeito é mudar a vida
num diabólico festim.
Por isso no Bar Savoy,
o refrão é sempre assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.

Carlos pena Filho morreu com apenas 31 anos em um acidente de carro. Após a sua morte, Mauro Mota, outro poeta pernambucano, escreveu

São agora vinte e nove
Os homens do Bar Savoy.
Vinte e nove que se contam.
Falta um. Para onde foi?

Vinte e nove homens tristes.
Dentro deles, como dói
a ausência do poeta Carlos
na mesa do Bar Savoy.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Arte?


Manhole Cover

Tão vendo esta cueca acima? Foi eleita a pior obra de arte deste ano.
Este caso ainda foi uma "brincadeira", mas uma vez eu passeava pelo MAM do Rio de Janeiro no setor onde eram expostas algumas peças de arte moderna, estilo que particularmente gosto. Na saída, me virei e quase tropeço em um bueiro que ficava no corredor. Após o desvio eu fito com os olhos e, pasmém, papelzinho retangular do lado da boca-de-lobo.

"Sem título
Artista fulano de tal"

E desta vez não era piada.
Puta merda, a rua vizinha a minha tem mais de 60 obras de arte e eu não sabia
Por mais relativista que eu seja e por mais coisas deste nível que eu já tenha visto, esta ilimitação da arte às vezes me deixa com uma pulga atrás da orelha

Ah, antes de acabar esta postagem, eu lembrei que fiz uma brincadeira fotográfica sobre o tema. Vocês podem ver neste link aqui.
Mas atenção, tem quatro historinhas aí, a que eu estou citando é a útima, pode dar uma passadinha nas barrinhas

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O exército de um homem só

- Estuda, filho, estuda. Lembra-te que Rabi Iochanan ben Zacai dizia "Foste criado para estudar a Torá"
Tonto de Sono, Mayer respondia:
- Mas Simeon, Filho de Rabi Gamaliel, dizia: "Passei a vida entre sábios e nada achei de melhor do que o silêncio. O essencial não é estudar, é fazer"
- Simeon? era inexperiente. Rabi Gamaliel, seu pai, sabia o que estava dizendo quando disse "Procure um mestre". Eu sou o teu mestre, meu filho.
- Na Guemara - contestava o perverso Mayer - está escrito "se o discípulo percebe que o mestre está errado, deve corrigi-lo"
A testa do pai vincava-se:
- Em que estou errado, meu filho?
- Em me obrigar a estudar estas bobagens quando estou louco de sono.
- Na Guemara está escrito "Se um grande homem disser uma coisa que te pareça um absurdo não rias, tente entendê-lo (...). Está escrito na Torá, a maior riqueza é o estudo, a religião.
- Não - gritava Marx - A maior riqueza é a posse dos meios de produção, estás ouvindo? É bem como diz Marx: a religião é o ópio do povo.
- Quem é este Marx? - perguntava o pai espantado - e o que ele sabe da felicidade dos homens?
- Sabe tudo! Sabe que não deve haver fome, nem injustiça. Não deve haver "meu" nem "teu"; deve ser "o que é meu é teu; o que é teu é meu".
O pai abanava tristemente a cabeça.
- Na Mishná está escrito que há 4 tipos de homens: O vulgar diz: "O que é meu é meu; o que é teu é teu"; O perverso diz "O que é meu é meu; o que é teu é meu"; O homem santo diz "O que é meu é teu, o que é teu é teu"; Mas tu, meu filho, dizes "o que é meu é teu, oque é teu é meu". E isto, segundo a Mishná, são as palavras do excêntrico, do estranho entre os homens. Acho que vais sofrer muito, meu filho .


O pai estava certo. Esta discussão do filho insolente, Mayer Guinzburg, ou Capitão Birobidjan, com o seu pai, que mistura política, religião e chega em desfecho curioso está no livro Exército de um homem só, do Moacir Sclilar. O livro que tem um quê de dom quixote, outro de revolução dos bichos e mais umas pitadas do manifesto do partido comunista pela perspectiva de um judeu.
É um nó tremendo, mas vale a pena. E como diria o Capitão Birobidjan, durante as várias vezes que tentou concretizar o seu sonho

- Iniciaremos neste momento a construção de uma nova sociedade

sábado, 12 de dezembro de 2009

Poesia

De uns tempos pra cá eu tenho engatinhado no ramo das poesias. Não é a coisa mais fácil ou natural para um engenheiro (Alguém se lembra de outros poetas-engenheiros além do João Cabral?). O pragmatismo da área anda na direção inversa da subjetividade e sentimentalismo poético. Em suma, o engenheiro-padrão lê um livro de poesias achando que o espaço em branco da página está sendo mal aproveitado porque tem poucas letras.

Bem, eu sigo tentando ampliar minhas fronteiras e vou tentando ler uma coisinha aqui, outra ali.

Mas bem, nem sei por que esta introdução acima. Queria mesmo era registrar este vídeo que eu encontrei no youtube de um dos poetas cujo estilo eu mais me identifico (e que nem é novidade pra quem vê aqui), Paulo Leminski.Neste vídeo abaixo ele cita alguns versos e discorre sobre o que acha de poesia.








"O poeta se define sobretudo pela capacidade de produzir beleza com linguagem"
"A poesia é um inutensílio. (..) querer que a poesia tenha um porquê é a mesma coisa que querer que um orgasmo tenha um porquê"
"Há tanta poesia no receptor como no emissor"


Por sinal, estas três frases tem muito a ver com o que é discutido aqui no blog da Rita, alguém que sabe infinitas vezes mais do assunto do que eu.




Eu na pedreira Paulo Leminski, em Curitiba. Os versos ali atrás são

Aqui
nessa pedra

alguém sentou
olhando o mar

o mar

não parou
para ser olhado

foi mar
pra tudo que é lado

Pulem esse

Esta postagem é só pra registrar um verso de Leminski.
Vão por mim, não é o mais bonito, mas eu quero registar pra ter como link pra mostrar para umas pessoinhas

Merda e ouro

Merda é veneno.
No entanto, não há nada
que seja mais bonito
que uma bela cagada.
Cagam ricos, cagam pobres,
cagam reis e cagam fadas.
Não há merda que se compare
à bosta da pessoa amada.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Espontaneidade

A aeromoça
diz: obrigada
obrigada

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Viajar sozinho

Alguém já se jogou assim? Eu confesso que não completamente só, mas já estive em lugares que só tinha o teto e o resto do lugar eu tinha que desbravar sozinho. Além disso, eu passei por uma experiência na minha última viagem que me deixou nesta situação, de não ter ninguém na cidade onde estou.

É uma experiência incrível de autoconhecimento. Você decide se quer ir pro norte ou pro sul, se é melhor pegar o ônibus e voltar ou ver o sol se esconder na praia. Se e melhor dar um mergulho ou um cochilo. Tudo isso, sem precisar da concordância de outra pessoa, a decisão não é 50%, é 100. Não tem espaços para indecisos.

Uma outra características de viagens solitárias é a facilidade e necessidade de interação. Por um lado, você se sente mais solto e impelido para ir até alguém e falar algo. Por outro, é bem mais fácil alguém chegar pra falar com você, estando sozinho do que em grupo. Conversando com pessoas de fora, há a possibilidade de sugar novas experiências, interpretações, ways of life, enfim, sentir o que é o cidadão fulandense. Isso pra mim é um desafio, já que eu sou envergonhado pra abordar.

Ainda haveria outras coisas pra citar, mas fica para uma outra postagem. Acho que por estes dias eu devo postar um dia que estive largado numa cidade desconhecida em uma viagem, o final foi meio surpreendente.

sábado, 28 de novembro de 2009

Outros hobbies

Uma parte aqui conhece. Um dos meus hobbies mais evidente dentre os milhares que eu tenho é o de fotografia.

Duas viagens , uns bons dias fora, muitos registros feitos. Aos poucos eu vou postando nos meus álbuns do Orkut.
Lá eu sempre começo pelos álbuns mais genéricos, os de paisagens. Como o acréscimo foi grande, tive que remodelar as coisas e os 2 álbuns de paisagens se tornaram 4. Vocês podem ver clicando nos links abaixo (Ainda para os que não tem orkut, pode clicar que funciona).


Deste grupo, eu destacaria os dois primeiros. Tirar foto de expressões em bichos é algo que custa bastante, mas desta vez consegui resultados legais :D


Fauna e Flora

Rios Mares e lagos

Paisagens e pessoas

Coisas










domingo, 22 de novembro de 2009

Ói Nóis aqui traveis*

Não sou o maior fã de falar em primeira pessoa neste blog, mas vou ser forçado a abrir algumas exceções
Alguns aqui sabem da razão do meu sumiço. Andei viajando por aí, arrumei uma promoção, pus a mochila nas costas e meti a cara. Tive a sorte de viver dias incríveis, muitas histórias a serem contadas, muitas fotos pra se organizar. Apesar de ter chegado há uma semana, ainda não consegui organizar tudo do jeito que eu queria. O espírito novo que eu trouxe na viagem me fez tomar umas medidas pessoais para reposicionar o que for possível sob novas perspectivas e ampliar as fronteiras da minha ignorância. Acredite, normalmente comigo funciona.
Uma eu vou adiantando aqui, resolvi apagar todas as minhas mp3, lá se foram algo em torno de 30 gigas de música.
Ta, fiz um backup antes, mas não tenho muito o hábito de ouvir músicas a partir dos dvds. Minha intenção é me forçar a sair um pouco da zona de conforto e voltar a ir atrás do que ainda não ouvi e que valha a pena. Descobri que tinha algumas coisas no computador que eu fiquei de ouvir e acabou criando teia.
Espero voltar aqui no futuro contando que a experiência teve sucesso.

* Seriam os Demônios da Garoa ou Adoniran os precursores do miguxês?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Soluções

Eu sou um otimista-realista. Como um bom engenheiro, já sigo pensando nas possíveis soluções e alternativas de imediato quando a situação-problema surge (ou antevendo ela).

Para questões como grandes problemas crônicos da sociedade, eu acho bastante bacana a idéia de algumas ações sociais de grande porte, de um modo que mexa com a cultura, normalmente por meio da educação (formal ou não). Exemplos como o de Bogotá e Nova Iorque para combater o crime, ou a revolução da educação japonesa nó pós-guerra, incutiram novos pensamentos, culturas e perspectivas que mexeram com a população, que passaram a agir e pensar de maneira diferente.

Isso, nós estamos falando de milhões de pessoas ao mesmo tempo.

Sem precisar ir tão longe, dá pra se observar o sucesso das ações pra obrigarem o uso do cinto de segurança no Brasil. Com a educação e a fiscalização bem feitas, o cinto deixou de ser "aquele incômodo que aperta" e hoje as pessoas se sentem inseguras quando não utilizam.

Dito isso, vamos ao exemplo da vez. Uma idéia simples, que poderia servir para influenciar pessoas.

Como convencer alguém a subir uma escada normal ao invés de aproveitar do recurso da escada rolante? Pense em alguma coisa. Agora olhem o que o pessoal do site Fun Theory pensou.



Sagaz não? e aumentou substancialmente a quantidade de gente subindo a escada. Destaque pra parte do molequinho, que só consegue subir um degráu por vez, hehehe.
Ainda foi desenvolvido outro, incentivando jogar lixo na lixeira.



Algumas considerações antes de partir, escrever muito é contra os princípios do semironia.

Isso não é um estudo científico e os resultados não podem ser extrapolados, só um experimento de artistas plásticos financiados pela Volks. De uma certa forma, eram resultados esperados por um determinado período de tempo. Também não foi postado pensando em transpor 100% igual pra o Brasil. O da lixeira mesmo, seria roubado no dia seguinte.
A idéia não é se apegar nestas coisas periféicas, mas perceber o conceito geral.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Horários impróprios








Não, obrigado







sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Alívio

Diálogo do filme Guerra das Rosas:

Contexto:
Marido tem uma suspeita de infarto e a esposa não vai nem buscá-lo no hospital. Ela argumenta que recebeu uma ligação dizendo que ele estava bem e preferiu esperar em casa.
A noite ele pega no sono e ela permanece insone, ela o acorda e começa o diálogo:

- O que foi?
- Eu não tou bem
- Desligue a TV
- Agora eu sei porque eu não fui ao hospital. Eu ia para o hospital, mas sabia que você estava bem. Nunca penso que algo terrível possa acontecer a mim, as crianças ou a você.


Ele continua sem dar bola e ela prossegue:

- Mas desta vez estava saindo de casa com a sensação forte que você estava morto. E eu sabia como seria estar sozinha aqui nesta casa e não ter você na minha vida. Fiquei tão assustada que tive que parar.
- Você não tem mais que ficar com medo mais, eu estou aqui.
- Me assustei porque eu estava feliz.
- Feliz por eu estar morto?
- Feliz por estar livre, como estivesse me livrando de um peso.


O marido corre insone pra fora do quarto enquanto a esposa, leve, se deita para dormir. A partir de então, o filme começa.

* Este trecho me fez lembrar do blog "dela e de suas sete vidas"

domingo, 18 de outubro de 2009

Eventualidades

Por estes dias, lá estava eu fazendo uma daquelas coisas que me fazem feliz por "alguns vários" motivos. Guiar visitas pela cidade do Recife. (Dá pra ter uma idéia daquela postagem do circuito dos poetas, eu acho)


Eu sou um apaixonado por história (também?) e já li bastante sobre a história daqui, então, quando o visitante gosta, me dano a contar um monte de coisa que deveria estar escrito e de fácil acesso para os turistas.

Desta vez tinha gente formada em história no meio, então foram quase 3 horas contando das coisas por aí, e ainda tinha vaga pra mais :D


Desta vez tive um plus pessoal, consegui entrar no Teatro Santa Isabel de dia e podendo fotografar. Pra quem não é da Confederação do Equador, o Teatro é daqueles em estilo neoclássico, com cara de antigo e respirando história por todos os lados, podendo ir até os camarotes inclusive.



Vou contar uma historinha rápida antes de vocês lerem a foto abaixo. Uma vez fui ver uma peça baseada em uma obra de de Raimundo Carrero, um dos principais romancistas pernambucanos vivos aí no Santa Isabel.
Começou a peça e um senhor no camarote por trás de mim não parava de rir e comentar, era até um pouco inconveniente. Em dado momento eu olhei pra trás pra perceber o bom senso do cidadão e quem tava lá no camarote era o próprio.
Tive a convicção que a peça tava bem encenada, o cidadão que escreve a história rir da própria piada?

Bem, espiem aí os detalhes










terça-feira, 13 de outubro de 2009

Coisas simples

Virou bordão aquela história de "aproveitar as coisas simple da vida".
Imagina acordar, observar a luz do sol entrando no seu quarto e desfrutar daquele momento, as colorações que vão variando dos itens.

Parece conversinha de livro de auto ajuda ditas desta forma, não é?

Aí vem Mário Quintana, o poeta das coisas simples, e consegue retratar desta maneria, no livro "A rua dos cataventos"

Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das veneziana:
Verde!…E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons…acerta…desacerta…
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas cotidianas…

Jogos de luzes dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço…
Pra que pensar? Também sou paisagem…

Vago, solúvel no ar, fico sonhando…
E me transmito…irriso-me…estremeço…
Nos leves dedos que me vão pintando!



Provavelmente ele deve voltar por cá algumas vezes. Eu comprei um livro de poesias deste cidadão que é um dos meus poetas favoritos.

sábado, 10 de outubro de 2009

Mentiu?

Jamais diga uma mentira que não possa provar.

Millor Fernandes

Algo como "faça ser verdade" :D

domingo, 4 de outubro de 2009

Nova ordem



Ouviram do Ipiranga?
Agora o hino da retirada
é "pega esta baranga".

Retirada da bandeira, às 17 horas, ao som de uma música brega da segunda divisão

sábado, 3 de outubro de 2009

Millorando

Uma Frase:

Quem se curva aos opressores mostra a bunda aos oprimidos

Viva o Brasil
Onde o ano inteiro
É primeiro de abril

Millor Fernandes

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Fronterando aplieiras

Esta postagem é uma continuação da Ampliando fronteiras
Bem, vou citar o teorema mais bonito da matemática do século XX, e que me deu a pá de cal numa pretensão dígna de super-homem.

Era começo do século XX e uma gama de matemáticos, capitaneados por Bertrand Russell, tentava tapar todos os buracos da matemática. A idéia era começar do conjunto mais fundamental e construir "tudo de tudo" na matemática. Era algo tão abstrato que só na metade do segundo volume do livro dele (cada volume com mais de 1000 páginas) ele prova que 1+1 =2 [este realmente não tinha o que fazer]. Porém, sempre tinha um ou outro entrave que barrava os estudos.

Aí que veio o showman, Kurt Gödel, e na sua tese de doutorado soltou dois teoremas que dizem basicamente (e grosseiramente) o seguinte

"Para conjuntos axiomáticos amplos, ou o conjunto é inconsistente e/ou incompleto"

Para se ter uma dimensão do tamanho do coice, a lógica é um sistema que se enquadra nos termos. Ou seja, a própria lógica é inconsistente. Mas o que é esta inconsistência? Há afirmações que não se é capaz de provar a veracidade, nem a falsidade e nem mesmo saber se é possível provar ou não.
Agora imagine uma conjectura que ninguém sabe responder, se o cidadão se meter a pesquisar, existe a possibilidade de ser impossível dizer que sim ou que não. Depois deste teorema, Russell (o do começo da história) colocou as mãos na cabeça e pensou, "me fudi".

Moral da história:

É possível que haja questões que você pense, pese, procrastine, pense mais um pouco e não vai sair do lugar. Aquela pessoa te deu um pé na bunda sem mais nem menos e você já juntou tudo e não conseguiu entender por que diabos? Desista, Falta informações, conceitos, seu sistema é incompleto (ai que nerd). Agora se você está absolutamente em dúvida entre dar o pé na bunda ou não, se os motivos do chutão na retaguarda se equiparam ao desejo de carinhar a mesma. Desista de uma decisão perfeita. Além de incompleto, você é inconsistente (de novo) e casos como este, que se encontram na linha de fronteira por exemplo, podem ser impossíveis de ser resolvidos totalmente.

E ainda tem quem bata no peito pra dizer que sempre é coerente.

domingo, 27 de setembro de 2009

Comparações eclésiásticas

Zapeando os canais,vi Padre Fábio, por alguma razão esperei 5 segundos.
Ele conversava com o tecladista do programa.
O diálogo começou com a seguinte pergunta do padrão.

- Me conta aquela história que você me falou?
- Ah, eu vi num site da internet (risadas leves). Uma matéria de um cara que fez um gol contra e morreu de infarto.
O Padre abre um sorriso depois da história moribunda:
- Foi logo depois do gol?
- Não sei..
- Não foi logo depois do gol?
- Eu não lembro, eu não vi.
(mas o padre não poderia perder sua tese)
- Bem, deve ter sido logo depois do gol. Então eu pergunto a você, que está me vendo na tv, quantas vezes na vida nós morremos depois que algo ruim nos acontece?
....

Como diria o falso ditado de lingua inglesa, a ignorância é uma benção.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Surpresa durante a noite



Cavalinho que atravessa a rua calmamente na madrugada da cidade

*Link para mim mesmo (a noite)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cultureta

"Cultureta é um termo castelhano . Eles chamam assim as pessoas que fazem tipo de intelectual, aventuram-se em todos os assuntos superficialmente e não estão interessadas em conhecer nada a fundo. Afetam modos." (do acerto de contas)

Fui tirar a prova na fonte, e de um site espanhol
"Uno de los agravios más divertidos y venenosos que circulan por ahí es la voz «cultureta», palabro que supone una burla y un menosprecio (...) El cultureta no es un impostor de la cultura, aunque tal persuasión haya ganado adeptos. Siempre han existido en nuestra lengua definiciones para quienes van de cultos sin serlo" (do site)

Seria uma adaptação da língua espanhola para estes tipos

Graças a srta Poroca, eu chamava de pseudo-cult, mas gostei desta denominação. Tenho uma postagem escrita sobre algo assim, acho que um dia eu ponho