sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Politicaria II - Debates

Alguém viu ontem o debate da Band? Parabéns pra quem conseguiu assistir inteiro.

Ainda que eu tivesse interesse em assistir inteiro, não conseguiria por conta do cenário da Band. Por um telão luminoso atrás dos candidatos deixou Serra verde e fez com que olhar pra Dilma, com o fundo amarelo, fosse uma agressão visual. Particularmente os erros de português me incomodam também e pelo menos três dos quatro cometeu um "estrupo"



[fundo do cenário de Dilma]

Sobre o debate em si, antes eu queria estabelecer um parâmetro. O que seria um debate ideal? Considero que seja um onde seja possível perceber as diferenças de opinião acerca dos participantes a fim de tirar minhas próprias conclusões. Um fala porque acredita em "x" e porque não em "y", o outro faz isso, mantendo sempre no campo das ideias. Alguma semelhança com o debate contemporâneo?

O Brasil obteve alguns bons resultados econômicos-sociais, isso fez com que pouco se discuta sobre estratégias macro pelos candidatos, eles concordarem com a forma geral de gerir. Nos pormenores eles empatam. Por último, os candidatos estão lá para "ganhar" o debate, esta distorção de objetivo faz com que a evasão às perguntas seja o mote. Respostas genéricas, fugas, tudo milimetricamente treinado. É apenas um jogo de retórica de gente que tem este livro abaixo na cabeceira



ué? eu também tenho, mas eu não minto muito não :D
Sempre quis escrever sobre este livro aqui no blog mas não encontrei a perspectiva, um dia eu acho que sai!

Faço uma analogia de uma tema apresentada por um cientista estrangeiro na faculdade que eu participei ontem. Ele vende soluções envolvendo este tema e na sua apresentação os pontos fortes e fracos se transformaram em pontos muito fortes e pontos nem tão fracos assim. O debate político permanece assim, vazio, jogo de retórica, sendo difícil até pegar elementos interpessoais, por estes também serem manipulados.

Enfim, escolher um candidato é difícil. As cobras estão todas na toca e ainda não puseram suas cabeças de fora.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Das fotos que não tirei

Como se sabe aqui no blog, eu gosto de fotografias. Há algumas que mexem comigo, mas lembro bem das fotos que não tirei e que gostaria de ter tirado.

Logo me vem a cabeça 5 cachorros dormindo na praça do marco zero, onde desmontavam o palco do show de Reveillon. A maior cara de "o ano está começando agora"

Outra é de uma briga de torcidas do Atlético do Paraná e do Paraná-clube. ônibus se cruzam. Vândalos aos montes pulam pelas janelas e se aproximam, apontando morteiros uns contra os outros. De repente, no meio da briga, aparecem dois guardas municipais desarmados para conter o tumulto! A foto seria a torcida do atlético a esquerda, a do paraná a direita e dois policiais no meio

Hoje eu vi uma destas
Trânsito na cidade complicado graças ao dia de chuva. No canto de uma via movimentada uma carroça sendo puxada por um cavalo. Em cima da carroça, o puxador, de lado, tranquilamente conduz o cavalo e fala ao celular, alheio aos transtornos que ele causava ao trânsito. Ele tava meio de lado, com uma capa de chuva velha e com uma expressão de que estava falando nada sério ao telefone.

Daria uma foto incrível. tentem visualizar também

Ando meio ausente daqui, mas vou aos poucos escrevendo e salvando pra voltar já com um tanto de coisa acumulada


sábado, 17 de julho de 2010

Haikai dos sábados

Na alma de um engenheiro farto
Ironia desliza contínua
Poesia dói como um parto

segunda-feira, 12 de julho de 2010

As bacantes

Estive comentando com uma amiga minha que a arte é capaz de mexer com o ser humano de uma maneira interessante, atuando diretamente nas sensações, valores, desejos reprimidos e outras dimensões recônditas. Após a exposição à entidades desta natureza, é comum passar tempo ruminando, enquanto aquilo se encaixa dentro de si.

Foi assim que eu me senti ao assistir As bacantes, uma das quatro peças encenadas pelo Teatro Oficina. A peça é uma representação de uma tragédia grega. Como normalmente faço nestas análises-depósito de lembrança para o futuro, vou registrar uns tópicos:

* Não lembro de ter tido tanta dificuldade pra descrever algo que queria registrar aqui no blog. Quem conhece a pegada do teatro Oficina sabe como a banda toca. Nudez aos montes, sexualidade latente, peças longas de condução não-linear e surpreendente, capaz de inserir uma música do Mamonas Assassinas numa tragédia grega. Peças normalmente longas, que faz você se autoquestionar "Seis horas? vou sair antes..." .

*Agora imagine algo deste quilate sendo apresentado de graça em um bairro popular da cidade. Gente que ia porque era de graça, era perto e porque tinham dito que haveria mulher pelada, ou comida de graça no caso da peça do dia seguinte.

*Eu fiquei em um lugar que era quase uma polarização. Abaixo de mim, alunos empolgados da oficina que iriam fazer figuração de improviso na peça. Vi gente empolgada, como uma garota que deixara os seios a mostra e permanecera só de calcinha e blusa, ainda que para ser figurante isso não fosse exigido. Já acima de mim, populares que criam que era engraçado gritar em determinados momentos. "Veaaado" "que pouca vergonha" "olha quanta rola murcha" "quando que começa a furança?". Todos nós, até você leitor, tem consciência de que isso aconteceria. Mas como seria o cenário no transcorrer da peça?

* Aos poucos, os mais exaltados foram desanimando, a piada estava ficando repetida. Uma peça comprida e de graça tem ao menos esta virtude. Ainda que acontecessem berros esporádicos, as coisas entraram nos eixos na medida do possível. Até um grupo de garotos que ficaram em uma das pontas do teatro, que corriam desesperadamente quando, por questão da peça, subia algum pelado por ali, foram se acalmando. Era uma movimentação que se assemelhava a momentos de briga em aglomerações.

* Havia bastantes cenas fortes e em determinados momentos a tenda montada parecia um estádio de futebol, com o povo se exaltando. Era uma energia muito forte e em determinadas cenas faziam o público vibrar como se fosse um gol. Li que este era um dos desejos de Zé Celso, "o cara" da companhia. Nestes momentos, ele deve ter ficado satisfeito. Também houve a participação de uma mulher da comunidade, com seus 60 e poucos anos, que tirou a roupa e se jogou de corpo e alma na peça, tentando imitar os movimentos alinhados dos atores em determinadas cenas, sem ser interrompida. Foi um show a parte e mais uma na idéia de "imersão" proposta pelo teatro oficina. Disseram que em Salvador, onde a peça havia sido exibida antes, um cachorro vez por outra roubava a cena.

* A peça foi muito bem produzida. Patrocinado pelo ministério da cultura, tinha banda, duas câmeras transmitindo ao vivo, uma tenda montada só pra apresentação. Pelo que eu li, estiveram trabalhando por volta de 60 profissionais. Particularmente eu gosto muito quando dá pra perceber que determinada técnica cênica de movimentação, impostação de voz, ou o que quer que seja, é utilizada como recurso para atingir quem está vendo. Peças bem produzidas como esta exibem uma gama de recursos que ajudam as pessoas a entrarem no clima.

Vou parando por aqui para não deixar o texto ainda mais cansativo. O semironia é uma luta constante contra minha prolixidade. Mas se alguém se interessou mais pelo andamento, vejam a opinião dos especialistas aqui, aqui e uma opinião neste blog aqui


obs: Eu queria deixar este tópico por último, porque é mais pra eu me lembrar e sendo citado assim, não dá a dimensão da razão pela qual foram feitas estas cenas. Sim, em alguns momentos a sexualidade é quase que "forçada", mas não dá pra emitir opinião com as cenas descritas a seguir: dentre as cenas mais "chocantes da peça, houve as mulheres com as "cobras" na cabeça, alunos da oficina convidados para lamber os seios das atrizes, um pênis gigante no canto que um dos atores subiu em cima, uma atriz aproximando a genitália do fogo, como se "esfregasse" nas chamas, a captura de 3 da plateia (incluindo o diretor do filme Amarelo Manga) para tirar a roupa no palco, entre tantas outras. Pena que eu tenho uma memória ruim pra lembrar estas coisas.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Razão é suficiente?

Imagine que haja uma decisão complexa a se tomar e faz-se um opção racional sobre uma alternativa.
Tomou-se tomada a melhor decisão. Pelos critérios de racionalidade até então, não havia outra alternativa melhor.

Mas vejamos...
Será que havia tempo e informações necessárias pra tomar a decisão?
Será que o tomador de decisão tinha capacidade intelectual (eufemismo!?) e de percepção suficientes para avaliar e sentir as nuances?
E quanto aos viéses de pensamento, será que foi possível desligar deles?

Talvez, com alguma destas dimensões enriquecidas, fosse possível tomar uma decisão melhor dentro do nosso conjunto de valores ou otimizando os resultados. Por isso dá pra chegar a uma conclusão curiosa. Destoando um tanto da ótica iluminista e talvez do senso comum, a racionalidade em uma tomada de decisão é restritiva e sua utilização exige cuidado, já que é pior demover uma "boa ideia racionalmente adotada". As opções e critérios tomados são subgrupo de um espaço de opções que a racionalidade do indivíduo impõe.

A partir do momento que se confronta com novas ideias, perspectivas, informações, diminui o abismo que é a nossa restrição de racionalidade.

Estou lendo um livro pra faculdade que mapeia o processo decisório cognitivo sob um monte de perspectiva. Acho que volto a escrever sobre depois

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Politicaria I - Percepções iniciais

Apesar das eleições só acontecerem daqui a alguns meses e as discussões políticas estarem ofuscadas pela copa do mundo que já está em cima, já começo a receber de maneira ainda tímida argumentos pró e contra os candidatos dos principais partidos que disputam a eleição. Vou antecipar algumas percepções minhas

Não sou de direita, nem de esquerda e acho esta divisão (e a maioria das que surgem) boba. Creio que o partidarista médio acaba cego pela vontade de que o seu querido vença, usando despretensiosamente (ou não) diversos sofismas a fim de confirmar sua posição. Também não componho o grupo de analfabetos políticos de Brecth [http://www.youtube.com/watch?v=2RwJemF_9tY]. Numa escala de menor rigidez, eu concordo com o que o grande “Bertoldo Brecha” falou.

O formato de eleições proporcionais no Brasil é bastante questionável. Só funcionaria se os partidos tivessem uma identidade fundamentada, o que não é o caso. Aliás, que partido mais sem identidade do que o maior de todos, PMDB? Mas sendo do jeito que é, acho importante a pluralidade de informações comparado ao bipartidarismo norte-americano

Já precisei estudar técnicas de votação. Sendo pragmático, no primeiro turno, não existe o não votar. Votos brancos e nulos beneficiam quem estar na frente. Portanto, o voto branco deve ter um significado de indiferença na escolha. Por outro lado, votar no candidato significa apenas que você o julga o melhor (ou menos pior) sob determinada circunstância. Do ponto de vista técnico, vale a pena votar caso você veja um diferencial positivo por menor que seja.

Por hora é isso

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Mães

Hora do almoço, espiava um joguinho na televisão. Minha mãe aparece e aproveito pra fazer uma perguntinha:
- Mãe, a senhora sabe me dizer quem tá jogando?
- Deixa eu ver. Diz minha mãe concentrada.
A imagem no momento era esta:



-Hmm ... É Espanha e... hmm.. Espanha e Portugal?
Minha mãe acertou o Portugal, mas de onde ela havia tirado a Espanha?
Só digo uma coisa, minha mãe teve uma baita imaginação. Quem souber ganha um doce.

* Atualizado em 23:49 do dia 10/06

sábado, 29 de maio de 2010

Haikai dos sábados

Se Gaia estiver certa, de fato
O homem é o carrapato
no planeta que teima em viver

terça-feira, 25 de maio de 2010

Inconclusivo

Resolvi dar uma volta nesta sexta à noite, algo soft. No cruzamento de duas avenidas relativamente perigosas o sinal está fechado. Reduzo a velocidade para não ficar muito tempo paralisado na esquina.
Observo então um movimento, alguém encostado numa placa de trânsito. É um menino. Moreno, baixo, com roupas já gastas e folgadas, ele estava todo comprimido, com os joelhos flexionados abraçados pelos seus braços e chorando desesperadamente. Analisei aquela cena por uns dois ou três segundos enquanto o sinal permanecia fechado.

Interrompo a descrição por aqui. Pensei em diversas formas de analisar minha experiência. Acho que o que foi escrito até então já é suficiente para fazer um leitor parar um pouco e pensar nas suas próprias reações diantes desta cena.

Não darei nenhuma pista nem qualquer tipo de indução do pensamento.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Haikai de sábado - Epitáfio

Parti
que façam de mim
uma boa piada

sábado, 1 de maio de 2010

Haikai dos sábados - versando

O verso que termina com -essa
buscando rimar com pressa
é inimigo da perfeição

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Diálogo de menininhos

Ou, como os homens pensam:

J: Mas aquela fulana, cantora evangélica, é gatinha.

Zé: Rapaz, isso é pecado

J - Pecado o que? Ela tem xoxota, não tem?
Z - Não, não tem. Infelizmente não tem. Ela nem urina nem evacua, é tapada a moça.
J - Ah que pena

J. reflete por um instante, e devolve:

J - Tem nada não, ela canta :D
..

sábado, 24 de abril de 2010

Haikai dos sábados - Segundo

Pelo menos neste mês, vai entrar hai-kais aos sábados

Segundo um segundo
foi segundo
por segundos

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Verdade e Validade

Sabe quando você contra-argumenta algo e alguém rebate com um "é lógico que não". Pelo sentido popular da expressão, pode ser entendida como "é evidente" mas na prática não é.


A lógica não discorre exatamente sobre verdades, mas simplesmente que a argumentação feita é coerente com as suas regras, o que faz o argumento ser, apenas, válido. Muito em função disso, você é capaz de argumentar, logicamente, sobre algo e argumentar logicamente sobre o contrário


Aí que vem a confusão. Usando um quê de sofismas, ou falácias, ou por questão de diferenças de princípios mesmo, muitas discussões se perdem em mares sem sentido. Onde há duas situações evidentes e distintas, não há evidência. Isso é muito sentido quando se discute com "donos da razão", que constroem suas argumentações em campos diferentes da outra parte. Ninguém convence ninguém e ainda tende a achar a outra parte cabeça dura.

A lógica é só o suporte, o esqueleto, ela sozinha não explica nada. Em discussões principais, ler os princípios da argumentação são bem mais importantes do que a sentença em si


Aí embaixo segue uma falácia bem conhecida da lógica, só pra ilustrar a brincadeira
----
Pense num queijo suíço
Se você compra uma certa quantidade, existirá um certo número de buracos. Se você comprar uma porção maior, mais buracos terão.
Sendo assim, quanto mais queijo, mais buracos

Zerou.
Agora vamos voltar a pensar queijo suíço
Observando um pedaço de queijo isolado. Quanto mais buracos ele tiver, menos queijo tem. Buracos grandes podem dar um desfalque sensível ao queijo.
Sendo assim, quanto mais buracos, menos queijo


Agora juntando tudo
Quanto mais queijo, mais buracos
quanto mais buracos, menos queijo
Então, pela lógica
Quanto mais queijo, menos queijo!

sábado, 17 de abril de 2010

Haikai dos sábados - Suavidade

Relaxando ao mar
Pálpebras pesam
Corpo transcende

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Não consentir

Quem criou o "quem cala,consente" precisava de um álibi para que concordassem consigo

sábado, 10 de abril de 2010

Haikai dos sábados - Mentecomus

Como a mente
comumente
mente

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Jeitinho

Deus ajuda os justos. Os injustos se viram sozinhos

Millor

sábado, 3 de abril de 2010

Haikai dos sábados - Bola

Vai, bola de meia
lua cheia de trapinhos
no meio da rua

Armando Nogueira

quarta-feira, 31 de março de 2010

Referências que vão

Eu adoro esporte. Já pratiquei os mais diversos nesta vida e sou "menos feliz" hoje por estar praticando apenas a minha corrida, pôquer e o vôlei de praia nos fins de semana. Porém, o que mais me chama atenção nesta atividade não é exatamente as evidências ou a factualidade que os cretinos fundamentais costumam exaltar, a vitória do meu time, as fofocas sobre determinado atleta, a pujança momentânea, algum tipo de sentimento de superioridade desmedida. Na minha ótica, a vitória não é o objetivo pelo qual eu acompanho, mas a mola propulsora que motiva os rivais a fazerem o melhor de si. As batalhas mais épicas que eu pude assistir podem ser consideradas como um filme cujo final ainda não foi escrito no momento e que nem sempre o mocinho comemora.

Adoro as sutilezas do esporte e enxergo tudo como em um espetáculo: gosto da precisão dos movimentos, do uso da técnica com maestria, da superação, da entrega. Como tudo que envolve técnica contém arte na sua execução, muitos artistas de outras áreas como a literatura, a pintura, escultura tentaram recodificar a linguagem do esporte dentro do seus respectivos âmbitos. Muitos exemplos estão por aí, mas vou me ater a parte literária por enquanto.

Nesta segunda-feira, conforme noticiado por aí, o maior gênio literário na arte de transformar o esporte em poesia partiu. Armando Nogueira. Tudo que eu descrevi aí em cima, Nogueira fazia frequentemente em suas colunas e ele foi uma das minhas referências que me ensinou a ver as coisas desta maneira. Tratava o futebol com uma delicadeza e uma classe incomum, principalmente se tomarmos como referência o panorama atual . Na década de 60, ele compôs uma mesa redonda com o Nelson Rodrigues (que nunca foi citado até nesta postagem), João Saldanha e outras feras. Imagine, uns feras da literatura enxergando o esporte e entregando para o espectador de uma forma por vezes engraçada, outra poética, mas sempre relevante.

Em referência ao mestre, vou deixar registrada algumas frases que ele nos deixou (retiradas do blog do Juca Kfouri) para dar uma noção de sua "pegada" nas crônicas que escrevia. Percebam na delicadeza que hoje nem existe mais para a crônica esportiva:

"Voce pode elogiar sem bajular e criticar sem ofender"

“No futebol, matar a bola é um ato de amor. Se a bola não quica, mau-caráter indica.”

“Tu, em campo, parecias tantos, e no entanto, que encanto! Eras um só, Nílton Santos”.

“Gol de letra é injúria; gol contra é incesto; gol de bico é estupro.”

"A tabelinha de Pelé e Tostão confirma a existência de Deus.”

“Deus castiga quem o craque fustiga”.

” Se Pelé não tivesse nascido gente teria nascido bola”.

“o bom jogador vê a jogada, o craque antevê”,


sábado, 27 de março de 2010

Haikai dos sábados - Dúvida

Luz no horizonte negro
Será uma estrela-anã
Ou um vaga-lume gigante?

quarta-feira, 24 de março de 2010

Dribles numéricos

W: É um jogador indispensável. É o grande artilheiro do ano da sua equipe e sondado para jogar pela seleção na copa do mundo. Esta temporada tem a oportunidade de bater um recorde do clube

R: É um jogador cujos números pesam contra si. Ele esteve de fora em 9 partidas da sua equipe este ano e, sem ele, o time obteve 9 vitórias. Algumas, por sinal, com atuação destacada do seu substituto. É o caso do treinador pensar duas vezes sobre sua permanência.

Os dois casos acima servem apenas como um exemplo de uma brincadeira argumentativa. W e R são a mesma pessoa, o atacante inglês Wayne Rooney. Dependendo do ponto de vista que se os dados são apresentados, você pode mudar a perspectiva de uma questão. Por estas e outras que a imparcialidade não existe.

No futuro eu pretendo registrar aqui uns trechos de um livro que trata de algo assim.




sábado, 20 de março de 2010

Haikai dos sábados - Isn't hard

Tough
Is not
Enough

sábado, 13 de março de 2010

E nem é programa humorístico

Queria registrar esta matéria que li no Terra

Vocês se lembram do Gilmar Mendes, não é? O chefe do supremo que se tornou conhecido ao conceder um habeas corpus ao lobista Daniel Dantas e encaminhar o juiz ao CNJ. Ele foi substituído na chefia do grupo por Cezar Peluso, que tem uma tendência mais moderada.

Este cidadão, em entrevista recente, defendeu a diminuição das férias dos magistrados, de dois períodos de 30 dias para um só, como é regulamentado na maioria dos empregos.
Tudo muito legal, se não fosse mexer no vespeiro que é o mundo corporativista dos juízes. A Associação dos Magistrados já enviou uma nota oficial à imprensa para se posicionar contra este absurdo que são apenas 30 dias de férias. Se quiserem ver a nota oficial, tá no link do Terra lá em cima. Aqui eu vou colar alguns dos argumentos


O regime de férias da magistratura nacional, fixado pela Lei Complementar (...) não reconhece qualquer duração de jornada para os juízes, os quais, habitualmente, extrapolam, e muito, a jornada legal fixada na Constituição Federal (...). Some-se a isso o fato de os magistrados não poderem exercer nenhuma outra atividade remunerada, a não ser o magistério. (...) Além disso (...), não raro os Juízes se utilizam de parte substancial de suas férias para manter atualizadas as suas atividades jurisdicionais,

Observe que no começo do argumento o regime de trabalho não reconhece duração na lei, mas no fim, para justificar as horas extras ele invocam a jornada fixada. Coisa do tipo "a lei só serve de argumento quando é ao meu favor". Além disso, não é exclusividade do juiz as horas extras, nem a necessidade de atualização e muito menos a impossibilidade de outra atividade, ainda que esta dificuldade seja temporal.

Tá, é natural que uma entidade de classe defenda os interesses de seus integrantes e que argumentar contra este "excesso de férias" é meio que defender o indefensável. Esta manobra nada mais é do que uma ação no intuito de endurecer discussões futuras e tentar, no mínimo, roubar alguma lasquinha e manter algum tipo de privilégio.

Ah, negociações, debates. Acho que escrevo sobre isso mais adiante

Ps: Eu escrevi isso na quinta e vi na sexta de manhã que havia uma postagem relacionada no acerto de contas. Com as opiniões de mais um monte de gente

quarta-feira, 10 de março de 2010

Cultivando a ignorância

Se você está explicando, você está perdendo

Ditado político dos Estados Unidos

sábado, 6 de março de 2010

Eufemismos



Do Terra
Plus size? Então em inglês fica mais sutil né?.
Link

quarta-feira, 3 de março de 2010

Carnaval - 5 curtas

* Se você esta coluna até aqui é porque não gosta de carnaval
De uma colunista local descolada, no momento mais feliz de sua coluna com o tema urinar na folia

* Valeu pessoal, esta é a nossa banda. Espero que tenham gostado e desculpa qualquer coisa
Pedir desculpas depois de tocar? Exageraram no realismo (ou na humildade)

* A moda marginal agora não é só descolorir o cabelo no carnaval. Além dos cortes que formam estranhos desenhos, há uma forte tendencia de pintar o cabelo de vermelho, verde ou roxo, se utilizando das marcas mais famosas de papel crepom.

* Pessuau, deu aqui um pobrema na lui, mai já já arrenti resolve. Fique tronquio. Prefeitura do Ricifi, prefeito Juão Paulo.
Seria difícil arrumar um apresentador com o mínimo de fluência em português?
[Para quem não é do Recife, o tal João Paulo hoje é ex-prefeito e brigado com o prefeito atual, João da Costa ]

* Toda mulher merece um carro do ano e 20.000 reais por mês para gastar com lingerie. E o homem que discordar merece ser corno! Eu digo e afirmo, pois sou o maior 'adevogado' das mulheres.

Reginaldo Rossi, cujo show eu fui assistir [pasmén], num bairro de risco [pásmen²], num dia que choveu [pásmen³] e ainda regurgitaram no meu pé [priceless]

[isso me lembra um certo blog perfumado :D]

domingo, 28 de fevereiro de 2010

reraise

Trago a câmera, o calor e o colorido
tu o sabor, o sorriso e o sentido
Na imagem, uma leve libido

Carnaval - 5 pequenas histórias

1. Cuidado se resolver ler na quarta de cinzas, à tarde. Me aventurei a fazer isso aqui em casa e o resultado não foi dos melhores:
- Então saíram em comitiva o imperador e a IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE, DEEEZ
- Putz... Então saíram e comOICIDADE INDEPENDENTE NOVE PONTO NOVE.

Não dá. O moço não diz as notas, não informa, não fala, ele berra exasperadamente. Negociei com minha mãe troquei de cômodo, para evitar os gritos.
- Então saíram em comitiva o imperador e a ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA, NOVE E MEIO
Agora acompanhado de um: PORRAAAAAAAA! QUE INJUSTIÇA! O OUTRO FOI BEM PIOR.

Quem mora em apartamento sabe bem o que o vizinho está fazendo. Pior do que a minha mãe, o pessoal que assistia no apartamento próximo assistia em grupo e exercia a conhecida característica humana de dar pitacos abalizados sobre o que não sabiam.

Desisti. Vim para o quarto, liguei o fone de ouvido e me desliguei

2 Estava ao lado de um desconhecido com a camisa do time de futebol São Paulo. Chega um terceiro desconhecido, de mãos dadas com uma parceira, abrindo o diálogo:

- É isso ae são-paulino. Somos hexa. Hexa únicos
- É isso aê :D
- Vamos ser campeões de novo
- Vamo, vamo sim.

O terceiro e a sua acompanhante então seguem adiante, ao perceber da distância, o moço são-paulino comenta comigo.

- Hexa? Campeão o cacete. Tava de olho era na mulher dele.


3 Diálogo entre taxista e usuários, que começam a entrar no carro
- Um, dois. Ei não vou levar vocês. São 5, não cabem no taxi e ainda estão com os pés sujos (!)
- Mas como assim? é só até aliItálico
- Eu não vou levar e pronto, podem sair do meu carro.
- Nossa, que ignorânia! Vamos sair mesmo, que mal educado
- Você sabe com quem você está falando?

Com todo respeito a classe mas, taxista elevando o tom? A resposta esperada deveria ser "sim, um taxista"

4 Show de Rock no carnaval. Já perto das últimas músicas o vocalista começa a mandar as músicas mais conhecidas da banda. Eis que de repente surge um trio elétrico de um bloco de caranval, o papa-defunto (que parte de um cemitério das redondezas), passando ao lado de onde estava o show de Rock. Como são dois emissores pontuais, quem estava perto muito perto de um não ouvia o que estava tocando no outro. Isso gerava cenas curiosas, como headbangers com a farda preta chacoalhando a cabeça e fazendo roda de pogo com trio elétrico tocando frevo ao fundo.


5
- Como é que é este teu apetrecho de carnaval?
- É uma vara de pescar mulher. Tem 4 iscas para pescar: uma chave de carro, um cartão de crédito, 20 reais em dinheiro e a papelada do casamento.


Mais aqui

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Carnaval - 5 questões

As minhas postagens sobre carnaval vão meio atrasadas, mas vamo lá:

Cinco questões que que me fiz durante a festa:

1. Como avisar para uma bela mocinha dançante que o pacote de camisinha que ela tinha no bolso caiu?

2. O que será que passa na cabeça de um artista mais rodado ao tocar para um público majoritariamente neutro como o do Carnaval?

3 Quão confiável será a matéria de uma jornalista ao relatar shows que parecem ser de seu desagrado?

4 Cenário: iria tocar Cordel do Fogo Encantado. Uma banda que, apesar de usar uma percussão marcante, recheada de rítmos regionais e não ter uma guitarra, é uma banda agitada e de pegada.
Um senhor que passava por lá me perguntou, como quem esperasse uma resposta negativa.
- Isso que vai tocar aí agora é Rock?
(perceba que a pergunta não era técnica e transcende uma possível definição de Rock)


5 Um garoto de uns 6 anos é puxado com velocidade pela mãe, 'ziguezagueando' no meio da multidão. Até que em um dado momento, o moleque entrou na frente de um desatento e levou uma joelhada na ponta do queixo que o fez bambear pra trás. A mãe discute com o rapaz.

O garoto, no alto do seu metro de altura, passava por uma multidão de joelhos e pés cegos. Era um jogo de esquivas que ele perdeu com a joelhada certeira.
O que será que deve se passar na cabeça do moleque numa hora destas? será ele um futuro folião?