quarta-feira, 28 de abril de 2010

Diálogo de menininhos

Ou, como os homens pensam:

J: Mas aquela fulana, cantora evangélica, é gatinha.

Zé: Rapaz, isso é pecado

J - Pecado o que? Ela tem xoxota, não tem?
Z - Não, não tem. Infelizmente não tem. Ela nem urina nem evacua, é tapada a moça.
J - Ah que pena

J. reflete por um instante, e devolve:

J - Tem nada não, ela canta :D
..

sábado, 24 de abril de 2010

Haikai dos sábados - Segundo

Pelo menos neste mês, vai entrar hai-kais aos sábados

Segundo um segundo
foi segundo
por segundos

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Verdade e Validade

Sabe quando você contra-argumenta algo e alguém rebate com um "é lógico que não". Pelo sentido popular da expressão, pode ser entendida como "é evidente" mas na prática não é.


A lógica não discorre exatamente sobre verdades, mas simplesmente que a argumentação feita é coerente com as suas regras, o que faz o argumento ser, apenas, válido. Muito em função disso, você é capaz de argumentar, logicamente, sobre algo e argumentar logicamente sobre o contrário


Aí que vem a confusão. Usando um quê de sofismas, ou falácias, ou por questão de diferenças de princípios mesmo, muitas discussões se perdem em mares sem sentido. Onde há duas situações evidentes e distintas, não há evidência. Isso é muito sentido quando se discute com "donos da razão", que constroem suas argumentações em campos diferentes da outra parte. Ninguém convence ninguém e ainda tende a achar a outra parte cabeça dura.

A lógica é só o suporte, o esqueleto, ela sozinha não explica nada. Em discussões principais, ler os princípios da argumentação são bem mais importantes do que a sentença em si


Aí embaixo segue uma falácia bem conhecida da lógica, só pra ilustrar a brincadeira
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Pense num queijo suíço
Se você compra uma certa quantidade, existirá um certo número de buracos. Se você comprar uma porção maior, mais buracos terão.
Sendo assim, quanto mais queijo, mais buracos

Zerou.
Agora vamos voltar a pensar queijo suíço
Observando um pedaço de queijo isolado. Quanto mais buracos ele tiver, menos queijo tem. Buracos grandes podem dar um desfalque sensível ao queijo.
Sendo assim, quanto mais buracos, menos queijo


Agora juntando tudo
Quanto mais queijo, mais buracos
quanto mais buracos, menos queijo
Então, pela lógica
Quanto mais queijo, menos queijo!

sábado, 17 de abril de 2010

Haikai dos sábados - Suavidade

Relaxando ao mar
Pálpebras pesam
Corpo transcende

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Não consentir

Quem criou o "quem cala,consente" precisava de um álibi para que concordassem consigo

sábado, 10 de abril de 2010

Haikai dos sábados - Mentecomus

Como a mente
comumente
mente

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Jeitinho

Deus ajuda os justos. Os injustos se viram sozinhos

Millor

sábado, 3 de abril de 2010

Haikai dos sábados - Bola

Vai, bola de meia
lua cheia de trapinhos
no meio da rua

Armando Nogueira

quarta-feira, 31 de março de 2010

Referências que vão

Eu adoro esporte. Já pratiquei os mais diversos nesta vida e sou "menos feliz" hoje por estar praticando apenas a minha corrida, pôquer e o vôlei de praia nos fins de semana. Porém, o que mais me chama atenção nesta atividade não é exatamente as evidências ou a factualidade que os cretinos fundamentais costumam exaltar, a vitória do meu time, as fofocas sobre determinado atleta, a pujança momentânea, algum tipo de sentimento de superioridade desmedida. Na minha ótica, a vitória não é o objetivo pelo qual eu acompanho, mas a mola propulsora que motiva os rivais a fazerem o melhor de si. As batalhas mais épicas que eu pude assistir podem ser consideradas como um filme cujo final ainda não foi escrito no momento e que nem sempre o mocinho comemora.

Adoro as sutilezas do esporte e enxergo tudo como em um espetáculo: gosto da precisão dos movimentos, do uso da técnica com maestria, da superação, da entrega. Como tudo que envolve técnica contém arte na sua execução, muitos artistas de outras áreas como a literatura, a pintura, escultura tentaram recodificar a linguagem do esporte dentro do seus respectivos âmbitos. Muitos exemplos estão por aí, mas vou me ater a parte literária por enquanto.

Nesta segunda-feira, conforme noticiado por aí, o maior gênio literário na arte de transformar o esporte em poesia partiu. Armando Nogueira. Tudo que eu descrevi aí em cima, Nogueira fazia frequentemente em suas colunas e ele foi uma das minhas referências que me ensinou a ver as coisas desta maneira. Tratava o futebol com uma delicadeza e uma classe incomum, principalmente se tomarmos como referência o panorama atual . Na década de 60, ele compôs uma mesa redonda com o Nelson Rodrigues (que nunca foi citado até nesta postagem), João Saldanha e outras feras. Imagine, uns feras da literatura enxergando o esporte e entregando para o espectador de uma forma por vezes engraçada, outra poética, mas sempre relevante.

Em referência ao mestre, vou deixar registrada algumas frases que ele nos deixou (retiradas do blog do Juca Kfouri) para dar uma noção de sua "pegada" nas crônicas que escrevia. Percebam na delicadeza que hoje nem existe mais para a crônica esportiva:

"Voce pode elogiar sem bajular e criticar sem ofender"

“No futebol, matar a bola é um ato de amor. Se a bola não quica, mau-caráter indica.”

“Tu, em campo, parecias tantos, e no entanto, que encanto! Eras um só, Nílton Santos”.

“Gol de letra é injúria; gol contra é incesto; gol de bico é estupro.”

"A tabelinha de Pelé e Tostão confirma a existência de Deus.”

“Deus castiga quem o craque fustiga”.

” Se Pelé não tivesse nascido gente teria nascido bola”.

“o bom jogador vê a jogada, o craque antevê”,


sábado, 27 de março de 2010

Haikai dos sábados - Dúvida

Luz no horizonte negro
Será uma estrela-anã
Ou um vaga-lume gigante?

quarta-feira, 24 de março de 2010

Dribles numéricos

W: É um jogador indispensável. É o grande artilheiro do ano da sua equipe e sondado para jogar pela seleção na copa do mundo. Esta temporada tem a oportunidade de bater um recorde do clube

R: É um jogador cujos números pesam contra si. Ele esteve de fora em 9 partidas da sua equipe este ano e, sem ele, o time obteve 9 vitórias. Algumas, por sinal, com atuação destacada do seu substituto. É o caso do treinador pensar duas vezes sobre sua permanência.

Os dois casos acima servem apenas como um exemplo de uma brincadeira argumentativa. W e R são a mesma pessoa, o atacante inglês Wayne Rooney. Dependendo do ponto de vista que se os dados são apresentados, você pode mudar a perspectiva de uma questão. Por estas e outras que a imparcialidade não existe.

No futuro eu pretendo registrar aqui uns trechos de um livro que trata de algo assim.




sábado, 20 de março de 2010

Haikai dos sábados - Isn't hard

Tough
Is not
Enough

sábado, 13 de março de 2010

E nem é programa humorístico

Queria registrar esta matéria que li no Terra

Vocês se lembram do Gilmar Mendes, não é? O chefe do supremo que se tornou conhecido ao conceder um habeas corpus ao lobista Daniel Dantas e encaminhar o juiz ao CNJ. Ele foi substituído na chefia do grupo por Cezar Peluso, que tem uma tendência mais moderada.

Este cidadão, em entrevista recente, defendeu a diminuição das férias dos magistrados, de dois períodos de 30 dias para um só, como é regulamentado na maioria dos empregos.
Tudo muito legal, se não fosse mexer no vespeiro que é o mundo corporativista dos juízes. A Associação dos Magistrados já enviou uma nota oficial à imprensa para se posicionar contra este absurdo que são apenas 30 dias de férias. Se quiserem ver a nota oficial, tá no link do Terra lá em cima. Aqui eu vou colar alguns dos argumentos


O regime de férias da magistratura nacional, fixado pela Lei Complementar (...) não reconhece qualquer duração de jornada para os juízes, os quais, habitualmente, extrapolam, e muito, a jornada legal fixada na Constituição Federal (...). Some-se a isso o fato de os magistrados não poderem exercer nenhuma outra atividade remunerada, a não ser o magistério. (...) Além disso (...), não raro os Juízes se utilizam de parte substancial de suas férias para manter atualizadas as suas atividades jurisdicionais,

Observe que no começo do argumento o regime de trabalho não reconhece duração na lei, mas no fim, para justificar as horas extras ele invocam a jornada fixada. Coisa do tipo "a lei só serve de argumento quando é ao meu favor". Além disso, não é exclusividade do juiz as horas extras, nem a necessidade de atualização e muito menos a impossibilidade de outra atividade, ainda que esta dificuldade seja temporal.

Tá, é natural que uma entidade de classe defenda os interesses de seus integrantes e que argumentar contra este "excesso de férias" é meio que defender o indefensável. Esta manobra nada mais é do que uma ação no intuito de endurecer discussões futuras e tentar, no mínimo, roubar alguma lasquinha e manter algum tipo de privilégio.

Ah, negociações, debates. Acho que escrevo sobre isso mais adiante

Ps: Eu escrevi isso na quinta e vi na sexta de manhã que havia uma postagem relacionada no acerto de contas. Com as opiniões de mais um monte de gente

quarta-feira, 10 de março de 2010

Cultivando a ignorância

Se você está explicando, você está perdendo

Ditado político dos Estados Unidos

sábado, 6 de março de 2010

Eufemismos



Do Terra
Plus size? Então em inglês fica mais sutil né?.
Link

quarta-feira, 3 de março de 2010

Carnaval - 5 curtas

* Se você esta coluna até aqui é porque não gosta de carnaval
De uma colunista local descolada, no momento mais feliz de sua coluna com o tema urinar na folia

* Valeu pessoal, esta é a nossa banda. Espero que tenham gostado e desculpa qualquer coisa
Pedir desculpas depois de tocar? Exageraram no realismo (ou na humildade)

* A moda marginal agora não é só descolorir o cabelo no carnaval. Além dos cortes que formam estranhos desenhos, há uma forte tendencia de pintar o cabelo de vermelho, verde ou roxo, se utilizando das marcas mais famosas de papel crepom.

* Pessuau, deu aqui um pobrema na lui, mai já já arrenti resolve. Fique tronquio. Prefeitura do Ricifi, prefeito Juão Paulo.
Seria difícil arrumar um apresentador com o mínimo de fluência em português?
[Para quem não é do Recife, o tal João Paulo hoje é ex-prefeito e brigado com o prefeito atual, João da Costa ]

* Toda mulher merece um carro do ano e 20.000 reais por mês para gastar com lingerie. E o homem que discordar merece ser corno! Eu digo e afirmo, pois sou o maior 'adevogado' das mulheres.

Reginaldo Rossi, cujo show eu fui assistir [pasmén], num bairro de risco [pásmen²], num dia que choveu [pásmen³] e ainda regurgitaram no meu pé [priceless]

[isso me lembra um certo blog perfumado :D]

domingo, 28 de fevereiro de 2010

reraise

Trago a câmera, o calor e o colorido
tu o sabor, o sorriso e o sentido
Na imagem, uma leve libido

Carnaval - 5 pequenas histórias

1. Cuidado se resolver ler na quarta de cinzas, à tarde. Me aventurei a fazer isso aqui em casa e o resultado não foi dos melhores:
- Então saíram em comitiva o imperador e a IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE, DEEEZ
- Putz... Então saíram e comOICIDADE INDEPENDENTE NOVE PONTO NOVE.

Não dá. O moço não diz as notas, não informa, não fala, ele berra exasperadamente. Negociei com minha mãe troquei de cômodo, para evitar os gritos.
- Então saíram em comitiva o imperador e a ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA, NOVE E MEIO
Agora acompanhado de um: PORRAAAAAAAA! QUE INJUSTIÇA! O OUTRO FOI BEM PIOR.

Quem mora em apartamento sabe bem o que o vizinho está fazendo. Pior do que a minha mãe, o pessoal que assistia no apartamento próximo assistia em grupo e exercia a conhecida característica humana de dar pitacos abalizados sobre o que não sabiam.

Desisti. Vim para o quarto, liguei o fone de ouvido e me desliguei

2 Estava ao lado de um desconhecido com a camisa do time de futebol São Paulo. Chega um terceiro desconhecido, de mãos dadas com uma parceira, abrindo o diálogo:

- É isso ae são-paulino. Somos hexa. Hexa únicos
- É isso aê :D
- Vamos ser campeões de novo
- Vamo, vamo sim.

O terceiro e a sua acompanhante então seguem adiante, ao perceber da distância, o moço são-paulino comenta comigo.

- Hexa? Campeão o cacete. Tava de olho era na mulher dele.


3 Diálogo entre taxista e usuários, que começam a entrar no carro
- Um, dois. Ei não vou levar vocês. São 5, não cabem no taxi e ainda estão com os pés sujos (!)
- Mas como assim? é só até aliItálico
- Eu não vou levar e pronto, podem sair do meu carro.
- Nossa, que ignorânia! Vamos sair mesmo, que mal educado
- Você sabe com quem você está falando?

Com todo respeito a classe mas, taxista elevando o tom? A resposta esperada deveria ser "sim, um taxista"

4 Show de Rock no carnaval. Já perto das últimas músicas o vocalista começa a mandar as músicas mais conhecidas da banda. Eis que de repente surge um trio elétrico de um bloco de caranval, o papa-defunto (que parte de um cemitério das redondezas), passando ao lado de onde estava o show de Rock. Como são dois emissores pontuais, quem estava perto muito perto de um não ouvia o que estava tocando no outro. Isso gerava cenas curiosas, como headbangers com a farda preta chacoalhando a cabeça e fazendo roda de pogo com trio elétrico tocando frevo ao fundo.


5
- Como é que é este teu apetrecho de carnaval?
- É uma vara de pescar mulher. Tem 4 iscas para pescar: uma chave de carro, um cartão de crédito, 20 reais em dinheiro e a papelada do casamento.


Mais aqui

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Carnaval - 5 questões

As minhas postagens sobre carnaval vão meio atrasadas, mas vamo lá:

Cinco questões que que me fiz durante a festa:

1. Como avisar para uma bela mocinha dançante que o pacote de camisinha que ela tinha no bolso caiu?

2. O que será que passa na cabeça de um artista mais rodado ao tocar para um público majoritariamente neutro como o do Carnaval?

3 Quão confiável será a matéria de uma jornalista ao relatar shows que parecem ser de seu desagrado?

4 Cenário: iria tocar Cordel do Fogo Encantado. Uma banda que, apesar de usar uma percussão marcante, recheada de rítmos regionais e não ter uma guitarra, é uma banda agitada e de pegada.
Um senhor que passava por lá me perguntou, como quem esperasse uma resposta negativa.
- Isso que vai tocar aí agora é Rock?
(perceba que a pergunta não era técnica e transcende uma possível definição de Rock)


5 Um garoto de uns 6 anos é puxado com velocidade pela mãe, 'ziguezagueando' no meio da multidão. Até que em um dado momento, o moleque entrou na frente de um desatento e levou uma joelhada na ponta do queixo que o fez bambear pra trás. A mãe discute com o rapaz.

O garoto, no alto do seu metro de altura, passava por uma multidão de joelhos e pés cegos. Era um jogo de esquivas que ele perdeu com a joelhada certeira.
O que será que deve se passar na cabeça do moleque numa hora destas? será ele um futuro folião?

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Algumas imagens do carnaval



Ninguém ameaçou me roubar no Alto José do Pinho

Taxista procurado pela Polícia

Vai, essa eu scaneei do jornal. O cara foi sagaz

Alguém viu minha moeda de um real pelo chão?


A aligria e a filissidadi do carnaváu



Mão no galo

Alceu Valença e Geraldo Azevedo se não fosse a música

Alceu se dando bem

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Versos de Quarta

Voyeur
a car stopped in the dark beach
I saw a couple and thought
It could be romantic if she was his girlfriend
It could be exciting if she was a whore
but, it could be
unforgettable
If his girlfriend was a whore

Voyeur
um carro parou na praia escura
Eu vi um casal e pensei
Poderia ser romântico se ela fosse sua namorada
Poderia ser excitante se ela fosse uma puta
mas, poderia ser
inesquecível
Se a sua namorada fosse sua puta

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Carpe diem

Feliz carnaval pra quem é de carnaval
Feliz feriado pra quem não é de carnaval


Galo da madrugada (Que parece um homem urinando se olhar no sentido contrário)

Passistas de frevo

Eu na terra de gigantes


Evitando banheiros públicos

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Versos de quarta - Charles Bukowski

O livro de Bukowski que eu comprei tem uma caracterítsica que foi decisiva na escolha. Tem os poemas orginais, em inglês, seguidos da versão traduzida. Pra mim que não sou fluente na língua, mas tenho uma compreensão boa, caiu muito bem.
É divertido ler poemas em outras línguas. Ainda mais de uma estrutura bem diferente a uma língua latina como a nossa. Eu não tenho noção dos lugares comuns, tudo é meio novo e ainda mais interessante.
Só queria registrar uma última coisa. O meu poema preferido este livro, na realidade é este daqui. Porém, por já ter postado, tive que escolher outro.

Tá bom de conversa mole

3:30 A.M. Conversation

at 3:30 a.m. in the morning
a door opens
and feet come down the hall
moving a body,
and there is a knock
and you put down your beer
and answer.
god damn it, she says,
dont' you ever sleep?
and she walks in
her hair in curlers
and herself in a silk robe
covered with rabbits and birds
and she has brought her own bottle
to which you splendidly add
2 glasses;
her husband, she says, is in Florida
and the sister sends her money and dresses and she has been looking for a job
for 32 days.
you tell her
you are a jockey's agent and a
writer of jazz and love songs,
and after a couple of drinks
she doesn't bother to cover
her legs
with the edge of the robe
that keeps falling away.
they are not bad legs at all,
in fact, very good legs,
and soon your are kissing a
head full of curlers.
and the rabbits are beginning
to wink, and Florida is a long way
away, and she says we are not strangers
really because shes has seem me
in the hall.
and finally
there is very little
to say.


E sua tradução (feita por Jorge Wanderley)


Conversa às Três e Meia da Madrugada
às três e meia da madrugada
a porta se abre
e há passos na entrada
que trazem um corpo,
e uma batida
e você repousa a cerveja
e vai ver quem é.

com os diabos, ela diz,
você não dorme nunca?
e ela entra
com o cabelo nos rolinhos
e num robe de seda
estampado de coelho e passarinho
e ela trouxe a sua própria garrafa
à qual você gloriosamente acrescenta
2 copos;
o marido, ela diz, está na Flórida
e a irmã manda dinheiro e vestidos para ela,
e ela tem estado procurando emprego
nos últimos 32 dias.
você diz a ela
que é um cambista de jóquei e
um compositor de jazz e canções românticas,
e depois de uns dois copos
ela não se preocupa com cobrir
as pernas
com a beira do robe
que está sempre caindo.
não são pernas nada feias,
na verdade são pernas ótimas,
e logo você está beijando uma
cabeça cheia de rolinhos,
e os coelhos estão começando a
piscar, e a Flórida é longe, e ela diz
que não somos realmente estranhos
porque ela tem me visto na entrada.
e finalmente
há muito pouca coisa
para dizer.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Imprensando

Não acredito em imparcialidade. Já tive uma discussão com um professor sobre isso um vez. Para quem busca ser imparcial, já vale a tentativa de colocar as coisas no mesmo patamar.

Agora juntando a imparcialidade inatingível a um grupo de notícias que tenha interesses econômicos, este desvio fica ainda mais torto. Há jornais do Recife que frequentemente fazem matérias especiais (pagas) sobre temas específicos, chegam até mesmo exibir capas de jornais pra lá de duvidosas. Há tantos exemplos que eu poderia citar aqui de outros órgãos da grande imprensa, mas deixo pra outra hora.

Este caráter capitalista nos órgãos, além de canalizado para ajudar/atingir algum alvo, também está preparado para explorar algum lado sensível do ser humano, assim fica mais fácil de se propagar.
Talvez seja uma escala assim.
Desgraças de grande porte > Morte > desgraças de pequeno porte> Casos de corrupção > ...

Em último lugar da escala estão as boas notícias.

Esta introdução toda foi pra comentar sobre isso. Vi num blog de ciência e meio ambiente a notícia

A média do ano passado se igualou a uma das menores medições feitas. Há registros de aumento da camada de gelo e dois lagos de água doce congelaram. Também, segundo a notícia, foi registrado a temperatura mais fria dos últimos 20 anos pelo menos.
Enfim, é uma notícia excelente pro meio ambiente.
Eu assino 3 grandes portais, assisto normalmente 2 grandes noticiário e tenho 2 jornais diariamente em casa. Se um destes noticiou isso, foi absolutamente discreto.
Afinal, boas notícias estão no fim da escala

Bendito sejam os blogs e outros espaços de mídia independente :D

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Versos de quarta - Carlos Pena Filho

Hoje é dia de ficar com um poema bem Sutil do poeta pernambucano.

A solidão e sua porta

Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
e quando nada mais interessar
(nem o topor do sono que se espalha)

Quando, pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha

a arquitetar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório
lembra-te uqe afinal te resta a vida

com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório

sábado, 30 de janeiro de 2010

Pergunta sem resposta

Quem se atreve?


A é a repostas dos Lulistas
B da exterma esquerda
C a resposta da direita
D a da esquerda clássica
E é do pessoal do centro

apartidários como eu votam em branco nesta questão

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Versos de quarta - Ferreira Gullar

Ferreira Gullar, o homem do poema sujo, daqueles que rompem com as formas pré-estabelecidas da poesia, está entre os meus favoritos. Acho que o poema abaixo nem representa muito a obra dele, mas eu acho bem bacana

Nasce o poeta
6

A manhã apaga
as perguntas da noite

as coisas são claras
as coisas são sólidas

o mundo se explica
só por existir

a memória dorme

o presente ri


Bem, este é deveria ser o último da série, mas acabou vindo mais por aí.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Kit



Elementos para um estada solitária na praia

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Versos de quarta - Ascenso Ferreira

Ainda sobre o que eu comentei das sinópses de dança na postagem anterior, uma amiga minha mandou um vídeo pra eu ver, este aqui. Nele um pianista-solo e um bailarino local comentam sobre o espetáculo dos dois, chamado neo-nômade.
O pianista então começa a divagar sobre o tema, comentando sobre o "novo nomadismo" e citando como culpados o neoliberalismo (hã?!), o capitalismo e outros vilões contemporâneos.

Mas bem, é um espetáculo de dança e de piano. Será que por si só conseguiria resgatar algo assim?

Então me veio em mente o grande Ascenso Ferreira. Também está retratado no circuito dos poetas. Ele tinha um espírito bem interessante, pelos relatos era um cara de espírito anárquico e caricato. Enfim, sem maiores delongas, um dia ele escreveu:

Hora de comer — comer!
Hora de dormir — dormir!
Hora de vadiar — vadiar!
Hora de trabalhar?

— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!


Teorias da revolução, discussões filosóficas sobre a vida e os rumos da humanidade são relevantes, mas cada coisa na sua hora.

Exceto trabahar :D

domingo, 17 de janeiro de 2010

Submundo

Minha mãe olha para a tela do meu computador e comenta:
-Meu filho, o que é isso?
- Isso o que?
- Isso aqui ó. (aponta na tela). É maconha é?
- Hã?

Clique AQUI e veja a "maconha" da minha mãe